Michelle Bolsonaro chegou a planejar viagens a várias capitais onde pediria votos para Flávio, mas não foi

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal no primeiro turno das eleições de 2026, concentrou sua agenda política em compromissos próximos a Brasília e não acompanhou o enteado, Flávio Bolsonaro (PL), nas viagens nacionais da campanha presidencial. Embora tenha manifestado apoio à candidatura do senador à Presidência da República, Michelle priorizou atividades eleitorais ao lado de Celina Leão (PP), candidata ao governo do Distrito Federal, e permaneceu perto do marido, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A ausência nos principais eventos nacionais da campanha foi detalhada pelo jornal O Globo em reportagem publicada neste sábado, 24 de outubro, às vésperas da votação do segundo turno.
A equipe de Michelle chegou a planejar uma série de viagens por quatro ou cinco capitais brasileiras para pedir votos ao enteado e ampliar o alcance da campanha entre mulheres e eleitores evangélicos. O roteiro incluía cidades como Manaus, Salvador e João Pessoa, com deslocamentos rápidos e retorno a Brasília sempre que possível, mas o planejamento não foi executado nos moldes inicialmente previstos. Em vez de percorrer o país ao lado do candidato do PL, a ex-primeira-dama manteve compromissos regionais e direcionou parte importante de sua atuação à disputa pelo governo do Distrito Federal.
A expectativa de participação mais intensa de Michelle havia sido alimentada no início do segundo turno, quando ela anunciou que ajudaria a mobilizar mulheres em apoio à candidatura de Flávio. A presença dela era considerada relevante pela experiência acumulada à frente do PL Mulher e pela interlocução construída com grupos religiosos durante o governo Bolsonaro. Apesar disso, a senadora eleita não participou de eventos públicos de campanha ao lado do enteado durante a etapa final da disputa, e até uma possível aparição conjunta no debate da TV Globo acabou não se concretizando.
Michelle concentra agenda no Distrito Federal
Durante a última semana de campanha, Michelle participou de compromissos de apoio a Flávio em Palmas, no Tocantins, e na Cidade de Goiás, em Goiás, em agendas realizadas sem a presença do senador. No Distrito Federal, ela esteve em carreatas em Brasília, Ceilândia e Taguatinga, além de dedicar tempo à campanha de Celina Leão, que disputa o governo local. A concentração geográfica permitiu que Michelle mantivesse participação em atividades políticas sem precisar passar vários dias longe da capital, onde o marido permanece em prisão domiciliar.
A candidatura de Celina ganhou espaço na agenda da ex-primeira-dama depois que Michelle foi eleita senadora pelo Distrito Federal no primeiro turno, ao lado de Bia Kicis (PL), também eleita para o Senado. As duas mantêm proximidade política com Celina e passaram a atuar em sua campanha para o segundo turno da eleição local, reforçando a presença do grupo bolsonarista na disputa pelo governo distrital. O apoio à aliada também permitiu que Michelle continuasse mobilizada eleitoralmente em uma região onde construiu sua própria base de apoio durante a campanha ao Senado.
A situação de Jair Bolsonaro também aparece como um fator importante para compreender a preferência de Michelle por compromissos próximos de casa. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília e está submetido a restrições judiciais, enquanto a ex-primeira-dama mantém uma rotina de cuidados e acompanhamento do marido. A previsão informada na reportagem de O Globo era que Michelle acompanhasse em casa, ao lado de Bolsonaro, a apuração dos votos do segundo turno neste domingo, 25 de outubro.
Publicações nas redes sociais mostram participação limitada
A atuação digital de Michelle também teve participação restrita de mensagens com pedidos diretos de votos para Flávio durante o segundo turno. Segundo o levantamento apresentado na reportagem, a última publicação no Instagram em que ela pediu diretamente votos para o senador foi feita em 7 de outubro, poucos dias depois da primeira votação. Embora o perfil continuasse reunindo conteúdos relacionados ao enteado e a aliados políticos, a frequência de publicações dedicadas principalmente à campanha presidencial permaneceu limitada.
O levantamento citado pelo jornal identificou que, entre 107 publicações feitas desde a reconciliação pública com Flávio, em 23 de julho, até 15 de outubro, apenas cinco deram maior visibilidade ao senador. Isso correspondeu a aproximadamente 4,7% das publicações consideradas na análise, um indicador da participação relativamente pequena do candidato no conteúdo publicado pela ex-primeira-dama naquele período. Michelle também divulgou propaganda eleitoral ao lado do enteado em agosto, publicou um material com números de candidatos aliados em outubro e manteve fixada no perfil uma mensagem de apoio a Flávio e Celina.
A relação entre Michelle e Flávio havia enfrentado um período de tensão antes da campanha, quando a ex-primeira-dama publicou vídeos nos quais acusava o enteado de desrespeitá-la e de tratar suas opiniões políticas de maneira inadequada. O senador pediu desculpas publicamente, e os dois demonstraram uma reaproximação que permitiu a gravação de materiais conjuntos para as redes sociais e a propaganda eleitoral. Mesmo após esse movimento, porém, a presença de Michelle na campanha de rua não se ampliou conforme parte dos aliados esperava, e a participação dela permaneceu concentrada em ações específicas.
Outros aliados reforçam campanha de Flávio
Com Michelle fora de uma agenda nacional de viagens, outras lideranças do campo bolsonarista passaram a ocupar espaço nas atividades de mobilização eleitoral em diferentes regiões do país. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, promoveu atos de apoio a Flávio conhecidos como “bloquinhos”, com eventos destinados a reunir apoiadores e ampliar a circulação de mensagens favoráveis ao candidato. A programação incluiu compromissos no Nordeste, região em que o senador buscava ampliar sua votação diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A campanha também procurou mobilizar outras mulheres ligadas ao grupo político, enquanto Michelle mantinha seus compromissos no Distrito Federal e o acompanhamento do marido em Brasília. Aliados ouvidos na reportagem avaliaram que a participação de outras lideranças ajudou a preencher parte do espaço deixado pela ausência de uma agenda nacional conduzida pela ex-primeira-dama. O segundo turno das eleições presidenciais será realizado neste domingo, 25 de outubro, e Michelle deverá acompanhar a apuração em casa, ao lado de Jair Bolsonaro.





