Últimas Notícias

Milton Leite está entre os 16 mandados de prisão que estão sendo realizados nesta quinta-feira (17)

Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, foi alvo nesta quinta-feira, 17 de setembro, de uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital. A ação, denominada Operação Vectura Corrupta, cumpriu 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços relacionados à investigação. O caso colocou novamente o nome do ex-vereador no centro de uma apuração sobre possíveis relações entre empresas de ônibus, agentes públicos e integrantes de uma organização criminosa.

Milton Leite deixou a Câmara Municipal no fim de 2024, depois de sete mandatos consecutivos, mas continuou exercendo influência política em São Paulo e participando de articulações relacionadas ao cenário eleitoral. Segundo informações divulgadas sobre a operação, ele foi incluído entre os alvos de um mandado de prisão, mas não havia sido localizado pelas autoridades no momento inicial da ação. As investigações também alcançaram outros nomes ligados ao setor de transporte público e à administração municipal, ampliando o alcance da operação desta quinta-feira.

A investigação atual tem relação com apurações anteriores sobre empresas de ônibus que atuam na cidade de São Paulo e que foram colocadas sob suspeita de vínculos financeiros ou operacionais com o PCC. Entre as empresas citadas no histórico do caso está a Transwolff, que já havia sido investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro para a facção criminosa, acusações que são negadas pelos envolvidos. Nesse contexto, a nova operação busca esclarecer como a organização teria conseguido estabelecer influência em empresas responsáveis por um serviço público essencial para milhões de passageiros.

Milton Leite e a investigação sobre o transporte de São Paulo

As suspeitas envolvendo Milton Leite não surgiram apenas com a Operação Vectura Corrupta, pois o ex-vereador já havia sido citado em investigações anteriores relacionadas à Transwolff e a possíveis conexões entre empresários e agentes públicos. Em 2024, o Ministério Público de São Paulo havia solicitado a quebra de sigilo do então presidente da Câmara durante as apurações da Operação Fim da Linha, enquanto Leite negava qualquer envolvimento com irregularidades. Posteriormente, novas investigações passaram a examinar também contatos de policiais militares com pessoas ligadas ao setor de transporte.

A apuração ganhou novos elementos ao longo de 2026, quando documentos da Corregedoria da Polícia Militar passaram a apontar possíveis relações entre policiais investigados e pessoas ligadas à Transwolff. Segundo informações divulgadas sobre esse procedimento, os agentes teriam participado de um esquema de proteção de dirigentes da empresa, e o nome de Milton Leite apareceu nesse contexto investigativo. O ex-vereador, contudo, negou conhecer um dos policiais citados e também rejeitou qualquer ligação com o esquema investigado.

Outro ponto relevante está relacionado à dimensão econômica da investigação, já que o Ministério Público passou a examinar a presença do crime organizado em empresas que operam contratos de transporte coletivo na capital paulista. Segundo a investigação divulgada nesta quinta-feira, 12 das 22 empresas do transporte coletivo de São Paulo seriam controladas pelo PCC, embora essa seja uma afirmação atribuída ao Ministério Público e ainda esteja inserida no contexto de uma investigação criminal. Dessa forma, o foco da operação não se limita a uma pessoa ou empresa, mas envolve a possível utilização de estruturas econômicas e contratos públicos para ampliar a atuação da organização criminosa.

Operação Vectura Corrupta mira esquema no transporte público

A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo com o objetivo de investigar a infiltração do PCC no transporte coletivo e possíveis mecanismos utilizados para movimentação de recursos e influência no setor. Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão, atingindo diferentes investigados relacionados ao caso. Entre os alvos estão também Levi de Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Camilo Morgado, candidato a deputado federal, que foram detidos durante a operação, conforme as informações divulgadas.

A presença de um ex-presidente da SPTrans entre os alvos acrescenta uma dimensão relacionada à gestão pública do transporte municipal, uma vez que a empresa estatal possui papel estratégico na organização e fiscalização do sistema de ônibus da capital. As autoridades também investigam possíveis conexões entre empresários, agentes públicos e estruturas utilizadas para favorecer interesses relacionados ao transporte coletivo. Por isso, os resultados das buscas e dos depoimentos poderão ser utilizados para esclarecer a extensão das relações investigadas e eventual participação individual de cada suspeito.

No caso de Milton Leite, é importante diferenciar as suspeitas investigadas pelas autoridades de uma eventual comprovação definitiva de responsabilidade criminal. O ex-vereador nega envolvimento com o PCC e com as irregularidades atribuídas à Transwolff, enquanto as apurações continuam sendo realizadas para verificar documentos, movimentações financeiras, contatos e possíveis relações entre os investigados. Assim, a operação representa uma etapa da investigação, e não uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade penal dos alvos.

O que pode acontecer após a operação em São Paulo

A partir das prisões e das buscas realizadas nesta quinta-feira, novas informações poderão ser incorporadas ao inquérito sobre a atuação do PCC no transporte coletivo de São Paulo. Documentos, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais eventualmente apreendidos deverão ser analisados pelas autoridades para verificar se existem elementos que confirmem ou afastem as suspeitas apresentadas durante a investigação. Além disso, os depoimentos dos presos e demais investigados poderão contribuir para esclarecer a estrutura atribuída ao esquema.

O caso também poderá produzir novos desdobramentos políticos e administrativos, principalmente porque Milton Leite ocupou durante anos uma posição de destaque na política municipal de São Paulo e permanece ligado às articulações eleitorais na cidade. Entretanto, qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade criminal deverá depender da evolução das investigações, da análise das provas e das decisões judiciais posteriores. Enquanto isso, a Operação Vectura Corrupta mantém o transporte público paulistano no centro de uma investigação que busca identificar até onde teria avançado a influência do crime organizado sobre um setor essencial da maior cidade do país.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *