Ministro Flávio Dino diz que decisão de Mendonça é de interesse principalmente dos investigados

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que a decisão de André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal poderia acabar beneficiando investigados. A declaração foi feita na decisão divulgada nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, que determinou a reintegração imediata de Andrei e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, aos seus cargos. Para Dino, a retirada dos dois dirigentes representava um risco concreto e imediato para investigações em andamento sob sua relatoria.
A frase central da decisão colocou em evidência um novo capítulo da crise que atingiu o Supremo, já que Dino passou a contestar diretamente os efeitos da medida tomada por Mendonça no dia anterior. Mendonça havia determinado o afastamento preventivo dos dois integrantes da cúpula da PF após questionar a legalidade de relatórios de inteligência que teriam sido produzidos envolvendo sua atuação. Entretanto, Dino avaliou que a paralisação ou alteração repentina da estrutura responsável pelas apurações poderia prejudicar o cumprimento de diligências e, consequentemente, favorecer pessoas investigadas.
A disputa ganhou repercussão nacional porque decisões individuais de ministros passaram a produzir efeitos opostos sobre o comando da Polícia Federal. De um lado, Mendonça sustentou que o afastamento era necessário diante das suspeitas levantadas sobre a produção dos relatórios, enquanto Dino considerou que a medida causaria prejuízos às investigações. Dessa forma, o conflito institucional foi ampliado e passou a envolver também a discussão sobre competência, colegialidade e os limites das decisões monocráticas dentro da Corte.
Dino diz que decisão de Mendonça beneficia investigados
Na decisão, Dino sustentou que a saída de Andrei Rodrigues e Leandro Almada poderia provocar um impacto direto na continuidade dos trabalhos da Polícia Federal. Segundo o ministro, havia risco real e imediato de prejuízo às investigações que estavam sob sua supervisão, especialmente porque diligências e procedimentos dependiam da atuação regular da estrutura policial. Por essa razão, a determinação de afastamento foi suspensa e os dois dirigentes foram reconduzidos imediatamente às funções.
A preocupação manifestada por Dino estava relacionada, entre outros pontos, ao andamento de uma investigação sobre o uso de emendas parlamentares destinadas a uma produtora ligada ao filme Dark Horse. O recurso apresentado por Andrei Rodrigues que levou à decisão de Dino estava vinculado justamente a esse procedimento, no qual a Polícia Federal havia recebido autorização para acessar materiais de outra investigação. Assim, a mudança no comando da corporação foi considerada capaz de interferir na execução das medidas que já estavam sendo conduzidas.
Para Dino, portanto, a questão não deveria ser analisada apenas sob o aspecto administrativo da permanência de Andrei no cargo. Na avaliação registrada na decisão, os efeitos do afastamento poderiam alcançar diretamente investigações em curso e gerar dificuldades para a realização de providências determinadas judicialmente. Por isso, ao afirmar que a medida poderia beneficiar investigados, o ministro associou a continuidade da estrutura da PF à necessidade de evitar prejuízos às apurações.
Decisão sobre Andrei amplia crise entre ministros do STF
O afastamento de Andrei Rodrigues havia sido determinado por Mendonça após o ministro levantar suspeitas sobre relatórios produzidos pela área de inteligência da Polícia Federal. Segundo informações divulgadas sobre o caso, Mendonça questionou a legalidade dos documentos e alegou que eles teriam sido elaborados em meio a uma controvérsia que também envolvia investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS. A decisão atingiu igualmente Leandro Almada, responsável pela área de Inteligência Policial, e aprofundou a tensão já existente dentro do Supremo.
Dino reagiu ao entendimento e também fez questionamentos sobre a possibilidade de um ministro tomar uma decisão em uma controvérsia na qual estaria pessoalmente envolvido. O ministro registrou que a discussão sobre os relatórios da PF já havia sido submetida a um procedimento conduzido pela Presidência do STF e destinado à análise institucional da Corte. Nesse contexto, a decisão de Mendonça foi criticada por Dino, que defendeu que divergências dessa natureza deveriam seguir os mecanismos institucionais previstos para a solução do conflito.
A crise se tornou ainda mais sensível porque as investigações citadas envolvem personagens, fatos e procedimentos de grande repercussão política e judicial. A decisão de Dino mencionou a necessidade de preservar apurações relacionadas ao caso Dark Horse e também tratou das circunstâncias envolvendo Daniel Vorcaro, investigado em procedimentos que passaram a gerar novos questionamentos dentro do Supremo. Embora Dino tenha deixado claro que não antecipava juízo sobre determinados fatos, ele afirmou que situações dessa natureza exigem moderação, equilíbrio e prudência na atuação judicial.
O que acontece após decisão de Dino contra Mendonça
Com a decisão, Andrei Rodrigues e Leandro Almada foram reintegrados às suas funções, mas a disputa jurídica não foi encerrada. Dino submeteu o tema à análise do plenário do Supremo e estabeleceu que novas medidas cautelares contra os dois não deveriam ser baseadas exclusivamente em atos praticados no exercício regular de suas atribuições. Assim, o conflito entre as decisões individuais poderá ser examinado de forma colegiada pelos demais integrantes da Corte.
O episódio aumentou a pressão por uma solução institucional para a crise e reforçou o debate sobre como decisões individuais podem afetar investigações e o funcionamento de órgãos públicos. Enquanto Mendonça mantém seus questionamentos sobre a atuação da cúpula da Polícia Federal, Dino sustenta que a interrupção dos trabalhos nas condições determinadas poderia causar danos às apurações e beneficiar investigados. O próximo desdobramento deverá ser acompanhado de perto porque a análise do Supremo poderá definir não apenas a situação de Andrei Rodrigues, mas também os parâmetros para resolver um dos mais graves conflitos recentes entre ministros da própria Corte.





