Moraes acusou Mendonça e pediu a Fachin para ter acesso a 18 petições

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou André Mendonça de adotar uma postura seletiva na condução do caso Banco Master. A crítica ocorreu após a divulgação parcial de documentos relacionados às investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao grupo financeiro. Segundo Moraes, a forma como o material foi disponibilizado poderia favorecer interesses de determinado grupo político.
A manifestação de Moraes foi encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, em meio ao aumento da tensão entre os ministros da Corte. O magistrado questionou por que parte dos documentos permaneceu indisponível enquanto outros arquivos foram liberados por Mendonça. De acordo com Moraes, cerca de 180 documentos relevantes não estariam acessíveis aos integrantes do Supremo.
Mendonça, por sua vez, contestou a interpretação apresentada por Moraes e afirmou que as diferenças na quantidade de documentos decorreriam da transferência de materiais para outros procedimentos ou da classificação de determinados arquivos como internos. O ministro também sustentou que informações relacionadas a diligências ainda em andamento precisam permanecer protegidas. A discussão passou a envolver diretamente a forma de acesso dos ministros às provas reunidas no caso Master.
Moraes questiona liberação de documentos do caso Master
A principal divergência entre os ministros está relacionada ao alcance da retirada do sigilo determinada por Mendonça. Moraes afirmou que a abertura dos arquivos ocorreu de maneira incompleta e classificou a seleção dos documentos disponibilizados como uma escolha que poderia interferir na compreensão integral da investigação. Para ele, os integrantes do STF deveriam ter acesso ao conjunto necessário para avaliar os fatos em discussão.
A Procuradoria-Geral da República também considerou insuficiente a primeira liberação realizada pelo relator do caso Master. Diante da controvérsia, Fachin determinou que Mendonça disponibilizasse os documentos relacionados à Operação Compliance Zero, preservando apenas materiais cuja manutenção sob sigilo fosse necessária para diligências ainda em curso. A medida ampliou a pressão sobre o relator para que o conteúdo das investigações pudesse ser analisado pelos demais ministros.
Mendonça posteriormente ampliou a retirada de sigilo e tornou públicos documentos relacionados a diferentes procedimentos vinculados ao Banco Master. Entre os materiais liberados estão arquivos envolvendo a investigação sobre o filme “Dark Horse”, além de apurações que citam políticos e outras pessoas relacionadas ao caso. A decisão também alcançou documentos sobre o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Conflito entre ministros aumenta no STF
O embate sobre o sigilo ocorre em um momento de forte disputa interna no Supremo em torno das investigações envolvendo Daniel Vorcaro. Moraes passou a ser citado diretamente em razão de mensagens encontradas em aparelhos do ex-banqueiro, enquanto Mendonça determinou providências para esclarecer o conteúdo e o contexto dessas comunicações. A situação levou a questionamentos sobre a atuação de diferentes ministros diante das informações reunidas pela Polícia Federal.
Outro ponto de tensão envolve o acesso aos dados extraídos do celular de Vorcaro. O ministro Cristiano Zanin pediu acesso integral ao conteúdo, enquanto Mendonça afirmou que os dados disponíveis em seu gabinete estavam lacrados e protegidos, sob justificativa relacionada à preservação da investigação. A discussão sobre o material digital se tornou mais um elemento do conflito entre os integrantes da Corte.
As divergências também alcançaram investigações relacionadas ao filme “Dark Horse” e ao senador Flávio Bolsonaro. Documentos do caso Master indicam que Flávio é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento da produção, enquanto ele nega irregularidades. Paralelamente, a defesa do senador havia feito pedidos para que a apuração permanecesse sob a relatoria de Mendonça, e não de Flávio Dino.
Fachin tenta organizar acesso às provas
Com o aumento das acusações entre os ministros, Fachin passou a atuar para estabelecer critérios sobre a divulgação dos documentos e o acesso às informações do caso Master. A determinação para ampliar a retirada do sigilo buscou garantir que os integrantes do Supremo tivessem acesso aos elementos necessários antes das próximas decisões relacionadas à investigação. O presidente da Corte, contudo, preservou a possibilidade de manter sob sigilo diligências cuja divulgação pudesse comprometer seu andamento.
A disputa mostra que o caso Master deixou de envolver apenas as suspeitas financeiras relacionadas ao banco e passou a provocar um confronto direto sobre a condução das investigações dentro do STF. As acusações de Moraes contra Mendonça, por enquanto, fazem parte da disputa institucional entre os ministros e não representam uma conclusão judicial sobre eventual proteção a grupo político. A expectativa é de que a divulgação dos documentos e a análise das provas continuem influenciando os próximos passos da Corte.





