Na reta final, presidente Lula decide ir a Juiz de Fora, em Minas Gerais, para participar de um comício

Na reta final do primeiro turno das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou uma nova agenda de campanha em Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, cidade que ocupa um lugar simbólico na trajetória política de Jair Bolsonaro. O ato está marcado para quarta-feira, 30 de setembro, quatro dias antes da votação, e será realizado na região central do município, a duas quadras do cruzamento onde Bolsonaro foi esfaqueado durante a campanha presidencial de 2018. A escolha do local ocorre em um momento de intensa movimentação eleitoral em Minas Gerais, estado que voltou a receber atenção especial das principais campanhas presidenciais.
A atividade de Lula acontecerá na Praça da Estação, enquanto o atentado contra Jair Bolsonaro ocorreu na esquina das ruas Halfeld e Batista de Oliveira, também na região central de Juiz de Fora. A distância entre os dois pontos é de aproximadamente duas quadras, o que colocou a agenda presidencial em uma área diretamente associada a um dos episódios mais marcantes da campanha de 2018. Além disso, a visita de Lula ocorrerá apenas três semanas depois de Flávio Bolsonaro ter realizado um ato no próprio local da facada e refeito parte do percurso percorrido pelo pai naquele episódio.
O anúncio foi feito pelo próprio Lula nas redes sociais nesta segunda-feira, 28 de setembro, quando o presidente convocou apoiadores para a atividade em Juiz de Fora. Também deverão participar do evento os candidatos apoiados pela chapa governista em Minas Gerais, entre eles Patrus Ananias, candidato ao governo estadual, além de Marília Campos e Áurea Carolina, que disputam vagas ao Senado. Dessa maneira, o comício foi incorporado à estratégia da campanha petista para os últimos dias antes do primeiro turno, ao mesmo tempo em que a disputa pelo eleitorado mineiro ganhou maior importância na agenda nacional.
Lula em Juiz de Fora coloca Minas Gerais no centro da reta final
A escolha de Juiz de Fora ocorre depois de Flávio Bolsonaro ter visitado a cidade em 9 de setembro para um ato no mesmo ponto em que Jair Bolsonaro foi atacado durante a campanha de 2018. Na ocasião, o candidato do PL refez parte do trajeto do pai, participou de uma motocarreata e foi carregado nos ombros por apoiadores, reproduzindo uma cena registrada no dia do atentado. Flávio também utilizou um colete à prova de balas e uma camiseta semelhante à usada por Jair Bolsonaro no episódio, em uma ação apresentada por sua campanha como simbólica.
O ataque aconteceu em 6 de setembro de 2018, quando Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência, participava de uma atividade de campanha no centro de Juiz de Fora. Ele foi atingido por uma facada desferida por Adélio Bispo e precisou ser submetido a uma cirurgia no mesmo dia, permanecendo posteriormente em tratamento médico. As investigações conduzidas pela Polícia Federal concluíram que Adélio agiu sozinho e não identificaram mandantes para o atentado.
Agora, a presença de Lula a poucas quadras do local acrescenta um novo capítulo à disputa política construída em torno da cidade. Segundo a reportagem da Veja, o comício deverá servir também para que o presidente trate de temas diretamente relacionados ao campo político ligado ao bolsonarismo, incluindo a discussão sobre anistia para Jair Bolsonaro e para pessoas condenadas por envolvimento nos atos relacionados à tentativa de golpe de Estado. A pauta deverá ser apresentada pela campanha petista em um município que já havia sido escolhido pelo adversário para reforçar a memória política associada ao atentado de 2018.
Reta final do primeiro turno aumenta importância de Minas Gerais
A agenda em Juiz de Fora faz parte de uma estratégia mais ampla de Lula para os últimos dias da campanha. Além da passagem pela Zona da Mata, o presidente tem um novo ato previsto em Belo Horizonte para sexta-feira, 2 de outubro, na Praça da Liberdade, dois dias antes da votação do primeiro turno. Assim, Minas Gerais será visitada duas vezes por Lula na semana decisiva, reforçando a prioridade dada pelo candidato ao eleitorado do estado.
Minas Gerais possui peso relevante na disputa presidencial por concentrar mais de 16 milhões de eleitores e por apresentar historicamente uma forte importância para as campanhas nacionais. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no estado por uma diferença inferior a 50 mil votos, com 50,2% dos votos válidos contra 49,8% do então presidente, resultado que ajudou a definir a vantagem petista no estado. Naquela eleição, Juiz de Fora também deu maioria a Lula, e a Zona da Mata foi uma das regiões mineiras onde o atual presidente apresentou desempenho expressivo.
A movimentação das duas campanhas demonstra, portanto, que o eleitorado mineiro permanece no centro das estratégias para o primeiro turno de 2026. Enquanto Lula escolheu Juiz de Fora e Belo Horizonte para os últimos atos no estado, Flávio Bolsonaro também intensificou sua presença em Minas Gerais durante a campanha, passando por diferentes regiões e utilizando o episódio de 2018 em Juiz de Fora como parte de sua agenda política. Pesquisas recentes citadas pela imprensa registraram diferenças entre os cenários nacional e estadual, mas esses levantamentos representam fotografias de períodos específicos e estão sujeitos à margem de erro e às mudanças no comportamento do eleitorado.
O significado do local escolhido para o comício
A realização do ato de Lula perto do ponto onde Jair Bolsonaro foi esfaqueado transforma a agenda em Juiz de Fora em um dos eventos de maior carga simbólica da reta final da campanha. A escolha ocorre depois que Flávio Bolsonaro esteve no mesmo cruzamento em setembro e apresentou aquela visita como uma forma de retomar o percurso realizado pelo pai antes do atentado. Agora, o local volta ao centro da campanha presidencial, desta vez associado a uma atividade pública do atual presidente e candidato à reeleição.
Com apenas quatro dias separando o comício da votação, a passagem de Lula por Juiz de Fora deverá reunir questões nacionais e interesses políticos específicos de Minas Gerais. A campanha petista também pretende utilizar a atividade para fortalecer seus candidatos no estado, enquanto o município volta a ocupar espaço relevante no noticiário eleitoral por causa da proximidade entre o evento e o local do atentado de 2018. O movimento ocorre em uma eleição na qual as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro concentraram parte importante de suas agendas no Sudeste durante os últimos dias antes do primeiro turno.





