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Advogado Willer Tomaz teria pago algumas viagens internacionais para Flávio Bolsonaro, segundo informou a Polícia Federal

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, teve viagens de jato executivo entre Portugal e França custeadas por uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, investigado em apurações sobre suspeitas de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, com base em documentos obtidos pela Polícia Federal (PF). Segundo a reportagem, os deslocamentos ocorreram em 2025 e envolveram viagens entre Lisboa, Cascais, Nice e Paris.

A investigação identificou documentos relacionados à contratação de pelo menos três trechos de voos executivos utilizados por Flávio e Willer, que viajaram acompanhados de familiares em parte dos deslocamentos. Os registros apontam que os serviços foram contratados pela Cathedral Holdings S.A., empresa registrada em Portugal e ligada à Rede Loto, uma holding do setor de apostas on-line. A Rede Loto é controlada pela Cathedral, cujos sócios incluem Willer Tomaz, familiares dele e Jorge Barbosa Dias.

O caso ganhou relevância durante a campanha presidencial porque envolve despesas de viagem de um candidato e uma pessoa investigada em apurações relacionadas a suspeitas de irregularidades financeiras. A defesa de Flávio afirmou que a relação entre o senador e o advogado é exclusivamente de amizade, enquanto Willer declarou que os passeios foram realizados entre amigos e suas famílias, sem contrapartida. As informações divulgadas, portanto, precisam ser analisadas considerando os documentos citados na reportagem e as explicações apresentadas pelos envolvidos.

Flávio Bolsonaro viajou de Portugal para a França em jato executivo

De acordo com os documentos mencionados pela Folha, uma das viagens ocorreu em 11 de abril de 2025, quando Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz voaram de Lisboa para Nice, no sul da França. O deslocamento foi contratado junto à empresa de táxi aéreo NetJets, especializada em serviços de aviação executiva. Os registros encontrados no computador do advogado incluíam comprovantes relacionados à contratação dos voos e indicavam a participação da Cathedral Holdings nos pagamentos.

Outro deslocamento ocorreu em 23 de maio de 2025, quando Flávio e Willer viajaram de Cascais, cidade portuguesa localizada nas proximidades de Lisboa, novamente para Nice. Na sequência, houve outro trecho com destino a Paris, também na França, em uma viagem que incluiu familiares dos envolvidos. A documentação analisada pela Polícia Federal apontou pelo menos três trechos de voos executivos relacionados aos deslocamentos realizados naquele período.

Em nota, Willer Tomaz afirmou que os pagamentos foram feitos por ele pessoalmente, e não pela empresa de apostas, e classificou as viagens como passeios de lazer entre amigos e familiares. O advogado negou que tenha existido qualquer contrapartida relacionada aos deslocamentos e repudiou tentativas de associar seu nome a práticas ilícitas. Flávio, por sua vez, declarou à Folha que sua relação com Willer é exclusivamente pessoal e que associar essa amizade a suspeitas de irregularidades não teria fundamento nos fatos.

Empresa ligada à Rede Loto entrou na investigação sobre os voos

A Cathedral Holdings S.A. é uma sociedade registrada em Portugal que aparece nos documentos relacionados à contratação das viagens. A empresa é a única acionista da Rede Loto, companhia brasileira do setor de apostas on-line que recebeu autorização para operar no estado do Rio de Janeiro em maio de 2023, sob o nome comercial BestBet. Segundo a reportagem, entre os sócios da Cathedral estão Willer Tomaz, sua esposa, sua irmã e Jorge Barbosa Dias, que também participa do negócio.

A Rede Loto foi a primeira empresa de apostas a obter licença de operação concedida pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), conforme os registros citados na reportagem. A autorização foi publicada no Diário Oficial em maio de 2023, após a apresentação da documentação exigida pelo edital estadual. A rapidez do procedimento chegou a motivar um pedido de impugnação apresentado por outra empresa, mas a reportagem informou que a contestação não havia sido avaliada.

A Loterj declarou que a Rede Loto apresentou os documentos exigidos e que nenhum dos integrantes envolvidos no processo apresentou impedimento previsto na regulamentação aplicada na época. A reportagem também informou que a indicação de Hazenclever Cançado, então presidente da autarquia, teria sido feita por Flávio Bolsonaro, segundo pessoas familiarizadas com os procedimentos do órgão. Procurado pela Folha, Cançado não comentou o assunto, e as informações divulgadas não estabelecem, por si só, que tenha ocorrido irregularidade na concessão da licença.

Investigação sobre fraude no INSS envolve suspeitas financeiras

Willer Tomaz é investigado sob suspeita de realizar repasses financeiros de recursos que teriam origem em fraudes contra a Previdência Social, no contexto das apurações relacionadas ao INSS. Em agosto de 2026, ele esteve entre os alvos da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro associadas ao esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A existência da investigação, entretanto, não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas judicialmente.

A trajetória do advogado também inclui relações com políticos de diferentes grupos e articulações em Brasília, segundo reportagens anteriores da Folha. Em nota, sua defesa afirmou que Jorge Barbosa Dias foi absolvido em um processo relacionado a acusações de jogo ilegal e lavagem de dinheiro, com decisão já transitada em julgado. Os esclarecimentos apresentados pelos envolvidos fazem parte do contexto necessário para compreender as relações empresariais e pessoais citadas nos documentos sobre as viagens.

O caso acrescenta um novo episódio à discussão sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz durante a campanha presidencial de 2026. A reportagem da Folha identificou documentos sobre voos executivos pagos por uma empresa ligada à holding de apostas da qual o advogado é sócio, enquanto os dois afirmam que os deslocamentos foram passeios particulares entre amigos e familiares. Até que as apurações esclareçam todos os aspectos financeiros e eventuais responsabilidades, é necessário distinguir os registros documentais, as suspeitas investigadas e as versões apresentadas pelas defesas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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