Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro se reuniu com o ministro Gilmar Mendes

O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, reuniu-se na quarta-feira (2) com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. O encontro ocorreu em Brasília, em meio à crise que atingiu a Corte após a divulgação de informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Marinho, a reunião fez parte de uma tentativa de manter uma interlocução com o Supremo durante o período eleitoral.
De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles, Marinho afirmou que Flávio Bolsonaro deseja manter diálogo institucional com os ministros do STF. A declaração ocorreu enquanto integrantes da campanha passaram a discutir a necessidade de estabelecer canais de comunicação com diferentes setores das instituições. O senador também afirmou que um eventual governo de Flávio deveria preservar o diálogo entre os Poderes e o funcionamento das instituições.
A reunião ganhou relevância porque aconteceu apenas um dia depois de André Mendonça retirar o sigilo de uma ação relacionada a mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. A divulgação do conteúdo provocou novos questionamentos sobre relações entre autoridades e o empresário e aumentou a tensão dentro do Supremo. O episódio passou a ser acompanhado também pelo meio político, inclusive por integrantes da campanha de Flávio.
Rogério Marinho buscou interlocução com Gilmar Mendes
Segundo a publicação de Igor Gadelha, Marinho confirmou que procurou Gilmar Mendes e esteve no gabinete do ministro no STF. O objetivo informado foi estabelecer uma ponte com a Corte em um momento de crise institucional. A reunião também ocorreu enquanto Flávio Bolsonaro fazia críticas públicas a Alexandre de Moraes.
A aproximação com Gilmar ocorreu, portanto, em um cenário de posições públicas distintas dentro da própria campanha. Flávio havia intensificado os questionamentos contra Moraes e voltado a defender o impeachment do ministro, enquanto Marinho procurava conversar diretamente com integrantes do Supremo. As duas movimentações foram registradas paralelamente e fazem parte da estratégia política adotada pela campanha durante a crise.
Marinho também declarou que havia confiança na vitória eleitoral e que um eventual governo de Flávio deveria manter o respeito entre os Poderes. Segundo declaração reproduzida pelo Estadão Conteúdo, a intenção seria preservar o diálogo institucional e a normalidade democrática. A manifestação foi feita enquanto o caso envolvendo o Banco Master e o Supremo ocupava espaço relevante no debate político.
Flávio Bolsonaro mantém críticas a Alexandre de Moraes
Apesar da reunião de seu coordenador com Gilmar Mendes, Flávio Bolsonaro continuou fazendo críticas públicas a Alexandre de Moraes. Desde a retirada do sigilo da ação relacionada às mensagens entre Moraes e Vorcaro, o candidato voltou a defender a abertura de um processo de impeachment contra o ministro. O movimento ocorreu paralelamente à tentativa de Marinho de manter interlocução com integrantes da Corte.
Em manifestações recentes, Flávio também procurou diferenciar sua posição daquela adotada pelo pai, Jair Bolsonaro, em relação ao Supremo. Segundo informações divulgadas pelo SBT News, aliados afirmam que o candidato pretende manter críticas direcionadas a ministros específicos sem assumir uma postura de confronto com a instituição como um todo. Essa distinção aparece justamente no momento em que a crise interna do STF passou a ocupar espaço central na disputa política.
A campanha também passou a relacionar o debate sobre o Supremo às mobilizações previstas para o 7 de Setembro. Flávio convocou apoiadores para o ato marcado para a Avenida Paulista e associou a manifestação a críticas ao governo Lula e ao ministro Alexandre de Moraes. A movimentação ocorre em paralelo às articulações de Marinho com ministros do STF, mostrando que a campanha mantém diferentes frentes de atuação política.
Crise no STF influencia articulação política de 2026
A reunião entre Marinho e Gilmar Mendes ocorreu em uma fase de agravamento da crise interna do Supremo. O conflito ganhou novos capítulos após a divulgação de mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro e a reação do próprio Moraes, que pediu investigação sobre a atuação de André Mendonça. O presidente do STF, Edson Fachin, passou a conduzir procedimentos destinados a analisar os diferentes questionamentos apresentados no caso.
Nesse contexto, a busca por interlocução com o Supremo passou a integrar o discurso político da campanha de Flávio Bolsonaro. A reunião de Rogério Marinho com Gilmar Mendes não representa, por si só, qualquer acordo ou mudança formal de posição do candidato em relação às decisões do tribunal. O encontro foi apresentado como uma iniciativa de diálogo institucional em meio às divergências que envolvem integrantes da Corte e diferentes setores da política brasileira.
A situação ainda deverá ter novos desdobramentos conforme os procedimentos conduzidos pelo STF avancem e novas informações sejam analisadas. Enquanto isso, a campanha de Flávio mantém críticas a Moraes, enquanto seu coordenador busca contato com outros ministros da Corte. O encontro entre Rogério Marinho e Gilmar Mendes, portanto, tornou-se mais um episódio da disputa política e institucional que passou a marcar o cenário eleitoral de 2026.





