Nikolas Ferreira fez duras críticas a Lula e exibiu um trecho da declaração polêmica do presidente

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou uma resposta do ChatGPT para contestar uma declaração feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante uma agenda em Belém, no Pará. A fala de Lula ocorreu em um evento relacionado à realização da primeira cirurgia robótica de próstata pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região Norte. Na ocasião, o presidente abordou a resistência de homens ao exame de toque retal e fez uma comparação com os exames realizados pelas mulheres.
Durante o discurso, Lula afirmou que homens costumam apresentar resistência ao exame relacionado à prevenção e ao diagnóstico do câncer de próstata. Em seguida, declarou que as mulheres aprendem a “tomar toque” desde pequenas, enquanto os homens teriam maior resistência a esse tipo de procedimento. O presidente também mencionou a morte de sua mãe, Dona Lindu, em decorrência de câncer uterino.
A declaração repercutiu nas redes sociais e foi questionada por Nikolas, que publicou um vídeo com um recorte da fala presidencial. O deputado afirmou que exames ginecológicos internos não são realizados rotineiramente em crianças e utilizou o ChatGPT para apresentar uma resposta relacionada à afirmação. A interação exibida por Nikolas considerava especificamente a hipótese de “toque vaginal como rotina em crianças”, e a ferramenta respondeu que essa prática não corresponde à rotina de atendimento infantil.
Menina pequena não aprende a tomar toque nenhum, Lula!!!! https://t.co/szzmpyBrPR
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) September 29, 2026
Nikolas questiona comparação feita por Lula
Ao comentar o episódio, Nikolas citou orientações do Instituto Nacional de Câncer (Inca) sobre o rastreamento do câncer do colo do útero. Segundo as informações mencionadas pelo deputado, o exame de rastreamento é recomendado para pessoas de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual, o que se refere especificamente ao rastreamento e não a todas as consultas ou avaliações ginecológicas. A referência foi utilizada por Nikolas para contestar a ideia de que meninas realizariam exames internos desde a infância.
O parlamentar também apresentou nas redes sociais uma imagem com a frase “Meninas não são tocadas ‘desde cedo’”. Na sequência, relacionou a declaração de Lula ao tema da proteção de crianças e fez críticas ao presidente, enquanto utilizava a resposta do ChatGPT como parte da argumentação apresentada no vídeo. O conteúdo publicado por Nikolas passou a circular durante a campanha eleitoral e gerou reações de integrantes do governo e da oposição.
A resposta apresentada pela inteligência artificial, porém, foi formulada para uma situação específica definida na pergunta feita pelo deputado. O ChatGPT respondeu que a afirmação estaria errada caso “tomar toque” significasse exame de toque vaginal realizado rotineiramente em crianças, sem que isso representasse uma avaliação sobre o sentido completo da declaração original de Lula. Essa distinção foi destacada na cobertura do Estado de Minas, que registrou que o discurso presidencial ocorreu em uma comparação entre exames de saúde realizados por homens e mulheres.
Lula explica declaração sobre exames de saúde
Depois da repercussão, Lula voltou a abordar o episódio durante um ato de campanha em Salvador, na Bahia. O presidente afirmou que estava falando sobre a dificuldade de homens realizarem exames relacionados ao câncer de próstata e disse que pretendia fazer uma comparação com a disposição das mulheres para realizar exames preventivos. Lula reconheceu que havia utilizado “uma palavra ou uma frase errada” ao fazer a comparação.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) também apresentou uma explicação sobre o contexto da declaração. Segundo a secretaria, Lula criticava a resistência cultural de muitos homens ao exame de toque retal e comparava esse comportamento com a rotina de exames preventivos das mulheres. A versão apresentada pelo governo considera, portanto, que a fala estava inserida em uma discussão sobre saúde pública e prevenção do câncer.
A controvérsia também chegou à Justiça Eleitoral depois que a campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra publicações relacionadas ao episódio. Segundo a CNN Brasil, a representação questionou especialmente uma publicação de Nikolas que utilizava um recorte da fala presidencial e pediu a retirada do conteúdo, além de medidas contra novas publicações semelhantes. O PT sustentou que o trecho teria sido retirado do contexto original, enquanto a publicação do deputado apresentou outra interpretação para as palavras de Lula.
Repercussão envolve saúde, redes sociais e disputa eleitoral
O caso passou a envolver duas interpretações distintas sobre uma mesma declaração feita durante uma agenda presidencial. De um lado, Nikolas utilizou informações sobre o rastreamento do câncer do colo do útero e uma resposta específica do ChatGPT para questionar a referência feita por Lula às meninas e aos exames ginecológicos. De outro, a Presidência afirmou que o comentário fazia parte de uma comparação sobre prevenção de doenças e a resistência masculina ao exame de próstata.
A discussão também ganhou espaço no ambiente eleitoral por causa da ampla circulação dos vídeos nas redes sociais. O UOL Confere informou que publicações com o trecho da fala de Lula foram compartilhadas de maneira a sugerir uma referência a abuso sexual, enquanto a íntegra do discurso indicava que o presidente estava falando sobre exames de saúde. A checagem destacou, portanto, a diferença entre o trecho isolado que circulou nas redes e o contexto apresentado no discurso completo.





