Nos EUA, Flávio faz live e volta a questionar resultado das eleições

Diretamente dos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez nesta sexta-feira, 30 de outubro, sua primeira transmissão ao vivo desde que deixou o Brasil após o segundo turno das eleições presidenciais. Em uma live pelo Instagram realizada a partir de Miami, o parlamentar voltou a questionar o resultado da disputa vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas sem apresentar elementos comprobatórios que sustentassem suas afirmações.
“Situações matematicamente impossíveis”, diz, sem detalhar
Durante a transmissão, Flávio afirmou haver “muitas coisas sem explicação” no processo eleitoral. “Muitas coisas estão sem explicação dessas eleições — matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real sem que houvesse, como eu falei, algum gol de mão”, declarou. Ele também mencionou o que classificou como atuação política partidária no Supremo Tribunal Federal, dizendo que isso geraria uma sensação de não haver instância a quem recorrer. No entanto, em nenhum momento foram apresentados dados, documentos ou análises técnicas que demonstrassem as supostas irregularidades apontadas.
Carta passou por alterações ao longo do dia
A manifestação ao vivo ocorre dois dias após a divulgação de uma carta que também passou por ajustes. Na versão inicial, divulgada na quarta-feira, 28 de outubro, o senador chegou a se intitular “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O trecho foi posteriormente alterado e ele passou a se referir a si próprio como “líder do Brasil”. No documento, ele atribuiu suspeitas de irregularidades principalmente à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar o horário de votação até as 19h em algumas seções eleitorais.
Dados do TSE sobre horário estendido
Sobre esse ponto específico, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que apenas 34.393 votos foram registrados após o horário original de encerramento — um volume inferior a 1% da diferença total entre os dois candidatos. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos, enquanto Flávio obteve 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%. A diferença final foi de 4.430.191 votos. O dado oficial é público e pode ser consultado no portal do TSE por qualquer cidadão.
Própria liderança da campanha diz não haver provas
Ainda na quarta-feira, o líder da oposição no Senado e coordenador da própria campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), fez uma declaração que chamou atenção. “O PL não pode fazer essa afirmação porque não tem prova nesse sentido”, disse, referindo-se às alegações de fraude. Marinho classificou as manifestações do senador como um desabafo de quem viveu uma disputa eleitoral acirrada. A posição de um dos principais aliados demonstra que não há consenso interno sobre as afirmações feitas do exterior.
Debate democrático exige fatos e clareza
É importante destacar que, em uma democracia, a liberdade de questionar é garantida a todos os cidadãos. No entanto, acusações sobre a legitimidade de um processo eleitoral devem vir acompanhadas de provas concretas, que possam ser analisadas pelas autoridades competentes e pela sociedade. Sem elementos verificáveis, as suspeitas não podem ser tratadas como fatos consolidados. Cabe ao TSE e às demais instituições democráticas manterem a transparência sobre os dados do pleito, permitindo que qualquer cidadão tenha acesso às informações e forme sua própria opinião com base em fatos verificáveis.





