Nova arma econômica contra Putin chega à mesa de Trump nesta sexta

Trump deve aprovar novas sanções contra Rússia nesta sexta, diz autoridade
Trump deve aprovar novas sanções contra a Rússia nesta sexta-feira (18), ampliando significativamente os instrumentos econômicos disponíveis aos Estados Unidos para pressionar Moscou em meio à continuidade da guerra na Ucrânia. Segundo uma autoridade da Casa Branca, o presidente Donald Trump deve assinar o projeto conhecido como Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026, que recebeu o nome do senador republicano Lindsey Graham, morto em julho e um dos principais defensores da proposta. A legislação tem como foco o setor energético russo, integrantes do governo de Vladimir Putin e estruturas utilizadas para sustentar economicamente a guerra. Além disso, o texto abre caminho para medidas contra países que continuam comprando grandes volumes de petróleo e gás da Rússia. Entretanto, essa última parte é justamente uma das mais controversas, porque poderá atingir importantes parceiros comerciais dos Estados Unidos, especialmente China e Índia, e produzir efeitos que ultrapassam a relação bilateral entre Washington e Moscou.
Trump deve aprovar novas sanções após aval do Congresso
O projeto chegou à mesa presidencial depois de superar meses de negociações no Congresso americano. O Senado já havia aprovado a legislação em agosto e, na quarta-feira (16), a Câmara dos Representantes confirmou o texto por 262 votos favoráveis e 159 contrários. A proposta recebeu apoio de integrantes dos dois principais partidos, embora tenha provocado divisões principalmente por causa da ampliação dos poderes tarifários concedidos ao presidente. Entre os votos favoráveis estavam 203 republicanos, 58 democratas e um independente. Dessa forma, o projeto foi enviado a Trump, que deverá decidir sobre sua transformação em lei. O objetivo declarado pelos defensores da medida é reduzir os recursos que chegam à economia russa por meio das exportações energéticas e, consequentemente, aumentar o custo econômico da continuidade da guerra. Contudo, o Kremlin argumenta que novas sanções poderão dificultar esforços diplomáticos para alcançar um acordo. Portanto, mesmo antes da assinatura presidencial, os efeitos políticos da legislação já passaram a ser discutidos por Washington, Moscou e pelos grandes compradores de energia russa.
Projeto mira Putin, autoridades e setor energético da Rússia
Caso seja sancionada, a legislação permitirá ampliar medidas contra autoridades russas, oligarcas, instituições financeiras, empresas estatais e companhias envolvidas com setores estratégicos da economia do país. Além disso, embarcações utilizadas na chamada “frota sombra” russa também são contempladas. Esse termo é usado para identificar navios empregados na exportação de petróleo russo e na tentativa de reduzir o impacto das restrições impostas por países ocidentais. O setor energético ocupa posição central porque petróleo e gás continuam representando importantes fontes de receita para Moscou. Assim, os defensores das novas sanções pretendem pressionar não apenas empresas russas, mas também parte da estrutura internacional que permite a continuidade das exportações. A estratégia, portanto, procura atingir fontes de financiamento do Estado russo sem envolver uma intervenção militar direta dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, críticos alertam que restrições mais severas sobre o comércio energético podem afetar preços internacionais e cadeias de abastecimento, sobretudo se grandes importadores forem alcançados pelas medidas secundárias previstas no texto.
Novas sanções dão a Trump poder para tarifas de até 100%
A parte de maior impacto internacional está relacionada aos países que compram energia russa. O projeto autoriza o presidente americano a impor tarifas de até 100% sobre produtos importados dos cinco maiores compradores de petróleo ou gás natural originários da Rússia, dentro das condições estabelecidas pela legislação. Isso significa que Trump deve aprovar novas sanções que poderão alcançar indiretamente economias que mantêm relações comerciais relevantes com Moscou. Entretanto, existe uma diferença essencial: a aprovação da lei não significa que uma tarifa de 100% será imediatamente aplicada a China, Índia ou qualquer outro país. A legislação concede ao Executivo americano uma nova autoridade para utilizar essas tarifas e também prevê possibilidades de dispensa quando o governo considerar que isso atende ao interesse nacional dos Estados Unidos. Portanto, o impacto efetivo dependerá das decisões tomadas posteriormente pela Casa Branca. Essa flexibilidade também explica parte da controvérsia no Congresso, já que parlamentares demonstraram preocupação com a ampliação do poder presidencial sobre a política tarifária.
Índia e China estão no centro das preocupações econômicas
China e Índia aparecem no centro do debate porque estão entre os grandes compradores de petróleo russo. Dados de agosto citados pela S&P Global apontam a Índia como principal importadora de petróleo bruto russo naquele mês, com aproximadamente 1,6 milhão de barris por dia, enquanto a China aparecia com cerca de 1,1 milhão. Consequentemente, eventuais tarifas americanas podem gerar impactos importantes nas relações comerciais de Washington com esses países. No caso indiano, por exemplo, o governo afirma que suas compras de energia são determinadas pela necessidade de garantir abastecimento e preços adequados para uma população de aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes. Além disso, Nova Délhi alertou para possíveis consequências sobre as relações bilaterais e a estabilidade do mercado energético. Assim, o instrumento criado para pressionar Moscou também poderá abrir novas disputas comerciais entre Washington e outras grandes economias. Ainda assim, a dimensão dessas consequências dependerá de como Trump utilizará os poderes previstos na legislação depois de sua eventual assinatura.
Rússia diz que novas medidas podem dificultar negociação sobre Ucrânia
Moscou reagiu negativamente ao avanço do projeto. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o governo russo acompanha a tramitação e considera a adoção de sanções adicionais uma medida hostil. Na avaliação apresentada pelo Kremlin, novas restrições econômicas podem tornar mais difícil a busca por uma solução negociada para a guerra. Por outro lado, os defensores americanos da legislação sustentam a interpretação oposta: para eles, aumentar a pressão econômica sobre a Rússia pode reduzir a capacidade de Moscou de financiar suas operações militares e criar incentivos para uma negociação com a Ucrânia. Essas duas interpretações mostram uma divergência fundamental sobre a eficácia das sanções. Enquanto Moscou afirma que novas punições podem dificultar a diplomacia, apoiadores do projeto entendem que pressão econômica adicional pode ser necessária justamente para fortalecer a possibilidade de um acordo. Dessa forma, os resultados da nova legislação não podem ser determinados apenas por sua aprovação e dependerão também das respostas da Rússia e de outros países afetados.
Trump deve aprovar novas sanções com possíveis efeitos globais
Por fim, se Trump deve aprovar novas sanções nesta sexta-feira conforme indicado pela Casa Branca, a assinatura representará uma ampliação importante da pressão econômica americana contra a Rússia e criará novos instrumentos de política comercial para o governo dos Estados Unidos. A legislação combina sanções diretas contra autoridades, empresas e estruturas econômicas russas com mecanismos secundários destinados a atingir grandes compradores internacionais de energia do país. Entretanto, as tarifas de até 100% não deverão ser confundidas com uma aplicação automática e generalizada: o texto concede poderes ao presidente para adotá-las dentro das condições previstas e também permite dispensas em determinadas circunstâncias. Consequentemente, a assinatura será apenas o início de uma nova etapa. As decisões posteriores da Casa Branca determinarão quais países serão efetivamente alcançados e em qual intensidade. Enquanto isso, Rússia, Índia, China e outros parceiros comerciais acompanham os próximos movimentos de Washington, já que uma política destinada inicialmente a aumentar a pressão sobre Vladimir Putin poderá produzir repercussões sobre comércio, energia e relações diplomáticas muito além das fronteiras russas.





