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Nunes Marques diz que levará revisão criminal de Bolsonaro ao plenário do STF, mas só após 2ª turno

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), definiu que não examinará os pedidos de revisão criminal apresentados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro antes do encerramento do segundo turno das eleições presidenciais. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (7) pela assessoria do magistrado, que explicou a decisão com base na preservação da lisura do processo eleitoral. Segundo a nota, a avaliação do mérito da matéria ocorrerá somente após o dia 25 de outubro, sem que haja compromisso de julgamento imediato.

“O ministro considera que antecipar a análise poderia gerar interferência indevida no clima da disputa eleitoral. O caso será tratado assim que o processo estiver em condições técnicas de julgamento, sempre com a necessária serenidade”, destacou a assessoria. A decisão demonstra preocupação em separar a agenda judicial da agenda política, evitando que desdobramentos processuais possam ser interpretados como influência sobre a decisão do eleitorado. A postura busca resguardar tanto a imagem da Corte quanto a própria dinâmica eleitoral.

Além de adiar a apreciação, Nunes Marques também informou que não proferirá decisão de forma individual, mas levará a questão ao plenário do Supremo Tribunal Federal, órgão competente para deliberação sobre revisões de condenações. A nota ressalta ainda que o aguardo do parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) é etapa essencial antes de qualquer julgamento. Após a chegada do pronunciamento ministerial, o processo será incluído na pauta, cabendo ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, definir a data da sessão.

O ministro é relator de dois pedidos de revisão criminal apresentados pela defesa de Jair Bolsonaro. O objetivo das iniciativas é reexaminar e, se possível, anular a condenação proferida pela Primeira Turma do STF, que considerou o ex-presidente responsável por ações voltadas à tentativa de ruptura institucional. A pena estabelecida foi de 27 anos e três meses de reclusão, e atualmente Bolsonaro cumpre a medida em regime de prisão domiciliar, concedida por motivos de saúde.

A escolha pelo plenário em vez de decisão monocrática reforça a intenção de que a questão seja decidida pela maioria dos membros da Corte, conferindo maior legitimidade e estabilidade ao desfecho. Revisões criminais de condenações proferidas por Turmas são, por regra, analisadas pelo órgão pleno, de modo que a decisão segue o princípio da colegialidade, permitindo que diferentes visões jurídicas sejam apresentadas e debatidas de forma ampla.

A postura adotada por Nunes Marques vem sendo observada com atenção por setores diversos da sociedade. Por um lado, a garantia de que não haverá interferência no processo eleitoral é vista como medida de prudência institucional. Por outro, a expectativa sobre o andamento do processo permanece, já que se trata de um dos casos de maior repercussão na história recente do Judiciário brasileiro. O desenrolar da tramitação após as eleições deverá definir rumos importantes para a compreensão de fatos e responsabilidades ligados aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.

O eleitorado acompanha esses movimentos ciente de que a Justiça tem seu próprio ritmo, independente de calendário eleitoral. A separação entre Poderes é um dos pilares da democracia, e cada instituição deve cumprir seu papel com autonomia e responsabilidade. O dia 25 de outubro trará a decisão dos cidadãos sobre os rumos do país, e os desdobramentos judiciais seguirão seu curso, com a certeza de que a verdade e a justiça são valores que devem prevalecer sempre, em qualquer tempo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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