O ator José de Abreu usou as redes sociais para pressionar os artistas a se posicionarem neste segundo turno

O ator José de Abreu cobrou publicamente o posicionamento político de colegas do meio artístico diante do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em um vídeo publicado nas redes sociais na sexta-feira, 9 de outubro, o artista demonstrou indignação com profissionais que, segundo ele, ainda não se manifestaram sobre a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Entre os nomes mencionados estava o ator Selton Mello, que interpretou o ex-deputado Rubens Paiva no filme Ainda Estou Aqui, produção que retrata os impactos da ditadura militar brasileira.
José de Abreu afirmou estar perplexo com a ausência de manifestações de alguns colegas e pediu que eles se posicionassem contra o que classificou como avanço do fascismo no Brasil. Durante a gravação, o ator questionou por que Selton Mello, depois de participar de um filme sobre a repressão durante a ditadura, ainda não havia se manifestado publicamente sobre o cenário político. A cobrança colocou o intérprete de Rubens Paiva no centro de uma discussão sobre o papel de artistas conhecidos durante a campanha eleitoral.
Além de Selton, José de Abreu mencionou Giovanna Antonelli, Carolina Dieckmann e Danton Mello, perguntando por que esses profissionais ainda não haviam se pronunciado. O ator afirmou estar indignado com o silêncio de pessoas com quem trabalha e mantém relações de amizade, defendendo que a situação exigiria uma manifestação pública. As declarações ampliaram o debate nas redes sociais sobre a pressão exercida sobre celebridades para que expressem suas posições políticas durante a eleição.
José de Abreu usa Ainda Estou Aqui para cobrar Selton Mello
A referência a Ainda Estou Aqui foi um dos pontos centrais da manifestação de José de Abreu, que relacionou a participação de Selton Mello no longa à expectativa de que o colega falasse sobre a situação política brasileira. No filme dirigido por Walter Salles, Selton interpreta Rubens Paiva, ex-deputado federal que foi levado por agentes da ditadura militar em 1971 e assassinado pelo regime. A produção acompanha a luta de Eunice Paiva, esposa de Rubens, e de seus filhos para enfrentar o desaparecimento do político e buscar respostas sobre o que aconteceu.
O longa conquistou reconhecimento internacional e levou o Oscar de melhor filme internacional em 2025, tornando-se um marco para o cinema brasileiro. A história aborda a perseguição política, a violência de Estado e os efeitos da repressão sobre uma família, temas que José de Abreu utilizou como referência para questionar a ausência de uma manifestação eleitoral de Selton. O ator, porém, não declarou no vídeo que a participação em uma obra sobre a ditadura obrigaria automaticamente um profissional a apoiar determinado candidato ou partido.
Ao fazer a cobrança, José de Abreu afirmou que os artistas não precisariam necessariamente declarar voto em Lula ou mencionar o PT para se posicionar sobre o momento político. Segundo ele, seria suficiente que expressassem suas opiniões a respeito do que considera uma ameaça autoritária no país. Dessa maneira, o ator procurou apresentar sua cobrança como um pedido de manifestação sobre democracia e política, embora tenha citado nominalmente colegas e questionado publicamente suas escolhas de permanecerem em silêncio.
Artista também menciona Giovanna Antonelli e Carolina Dieckmann
Durante o vídeo, José de Abreu perguntou onde estavam Giovanna Antonelli e Carolina Dieckmann e também citou Danton Mello, irmão de Selton. O ator afirmou que não compreendia a falta de posicionamento de profissionais conhecidos e insistiu que o momento exigiria participação mais ativa de pessoas com grande alcance público. As declarações foram divulgadas em meio à intensificação das manifestações de artistas e personalidades sobre a disputa presidencial.
José de Abreu também citou Ana Paula Renault e a cantora Anitta como exemplos de pessoas que, na avaliação dele, já haviam se manifestado sobre o cenário político. A menção ocorreu após Anitta declarar apoio a Lula no segundo turno e defender a democracia em suas redes sociais. Ao apresentar esses exemplos, o ator buscou incentivar outros integrantes do meio artístico a também se pronunciarem, mesmo que não desejassem vincular suas declarações a um partido específico.
Após a publicação do vídeo, seguidores passaram a cobrar uma manifestação de Selton Mello nos comentários de suas publicações no Instagram. Alguns internautas relacionaram a atuação do artista em Ainda Estou Aqui à expectativa de que ele comentasse a eleição, enquanto outros questionaram sua ausência no debate político. As cobranças partiram de usuários das redes sociais e não representam, necessariamente, uma posição compartilhada por todo o público ou pelo conjunto dos profissionais do entretenimento.
Pressão sobre artistas aumenta durante o segundo turno
O episódio evidencia como a campanha presidencial também mobiliza figuras conhecidas da televisão, do cinema e da música, que enfrentam cobranças públicas para declarar apoio ou criticar candidatos. No caso de José de Abreu, a pressão foi direcionada a colegas específicos, com destaque para Selton Mello, cuja participação em um filme sobre a ditadura foi usada como argumento para questionar sua ausência de manifestação. A discussão envolve tanto o direito de artistas expressarem suas opiniões quanto a possibilidade de outros cobrarem posicionamentos de pessoas com grande visibilidade.
A manifestação de José de Abreu não veio acompanhada, no material divulgado, de uma resposta de Selton Mello às cobranças feitas pelo colega. Também não há indicação de que os demais artistas citados tenham respondido ao vídeo no momento da publicação da reportagem. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a expectativa é que declarações públicas de celebridades continuem sendo discutidas nas redes sociais, em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro e à mobilização de apoiadores de ambos os candidatos.





