O PCO – Partido da Causa Operária, decidiu romper com o presidente Lula, mas não irá apoiar Flávio Bolsonaro

O Partido da Causa Operária (PCO) decidiu orientar seus filiados e eleitores a votar nulo no segundo turno da eleição presidencial de 2026, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada durante a 39ª Conferência Nacional da legenda, realizada no domingo, 11 de outubro, e divulgada oficialmente na segunda-feira, dia 12. O posicionamento representa uma mudança em relação à eleição presidencial de 2022, quando o partido apoiou Lula na disputa contra Jair Bolsonaro.
A decisão foi anunciada após debates internos sobre a situação política do país e a posição do PT diante das instituições brasileiras. Rui Costa Pimenta, presidente do PCO e candidato da legenda à Presidência no primeiro turno, defendeu a adoção do voto nulo e apresentou críticas ao governo Lula. Segundo informações publicadas pelo Estado de Minas e pelo Correio Braziliense, o dirigente questionou a aproximação dos petistas com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Em sua manifestação, Rui Costa Pimenta afirmou que o PT havia estabelecido uma aliança com setores que, na avaliação do partido, representam problemas para os direitos democráticos. O dirigente também declarou que Lula não seria, na visão da legenda, um candidato de oposição ao sistema político atual. A orientação de voto nulo foi apresentada como consequência dessa avaliação política e da decisão de não apoiar nenhum dos dois candidatos que avançaram para a etapa final da eleição.
Críticas ao PT e ao Supremo Tribunal Federal
A relação entre o Partido dos Trabalhadores e o Supremo Tribunal Federal esteve entre os principais pontos levantados pelo PCO para justificar a mudança de posição. Rui Costa Pimenta criticou a atuação da Corte e afirmou que o partido não concorda com a aproximação entre o PT e o tribunal. As declarações foram feitas durante a conferência nacional, que definiu a orientação da legenda para o segundo turno.
O dirigente também contestou a possibilidade de apresentar Lula como representante de uma oposição ampla ao atual regime político. Na avaliação exposta por Pimenta, o presidente estaria associado a setores políticos e institucionais que o PCO critica há anos. Essas afirmações correspondem à posição defendida pela direção partidária e não constituem uma descrição consensual sobre o governo ou o funcionamento das instituições brasileiras.
A decisão de não apoiar Lula também ocorre em um cenário de divergências entre organizações e lideranças da esquerda sobre a estratégia eleitoral para o segundo turno. Enquanto algumas legendas anunciaram apoio ao presidente, o PCO optou por orientar o voto nulo. A posição da sigla indica que sua direção não pretende transferir apoio formal a Flávio Bolsonaro, adversário de Lula na votação marcada para 25 de outubro.
Histórico de apoio do PCO a Lula
O posicionamento adotado em 2026 contrasta com a postura do PCO na eleição presidencial anterior, quando a legenda apoiou Lula desde o primeiro turno. Na disputa de 2022, o partido se posicionou a favor do petista contra Jair Bolsonaro, então presidente da República. A mudança atual foi apresentada pelo PCO como resultado de sua avaliação sobre a trajetória política do PT e suas relações com outras forças institucionais.
A relação entre as duas organizações também passou por diferentes momentos em eleições anteriores. O PCO apoiou Lula nas disputas presidenciais de 1989, 1994 e 1998, mas adotou outras estratégias eleitorais em determinados pleitos posteriores. Em 2018, quando Lula foi impedido de disputar a eleição, o partido não transferiu seu apoio para Fernando Haddad, candidato escolhido pelo PT para substituí-lo.
A legenda lançou Rui Costa Pimenta como candidato à Presidência em 2026, mas ele não avançou para o segundo turno. Conforme os resultados eleitorais divulgados, Pimenta recebeu 15.024 votos, correspondentes a aproximadamente 0,01% dos votos válidos. Após o encerramento da primeira etapa da disputa, o partido passou a discutir qual orientação deveria adotar diante da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Outros posicionamentos para a votação de outubro
A orientação do PCO integra o conjunto de manifestações de partidos, candidatos e lideranças políticas que passaram a declarar suas posições para o segundo turno presidencial. Algumas legendas anunciaram apoio a Lula, enquanto outras formalizaram apoio a Flávio Bolsonaro ou optaram por não recomendar voto em nenhum dos concorrentes. As decisões refletem diferenças de estratégia eleitoral e de avaliação sobre os dois candidatos.
Entre os nomes que declararam apoio a Lula estão Samara Martins, da Unidade Popular, Edmilson Costa, do Partido Comunista Brasileiro, e Hertz Dias, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, recebeu manifestações de apoio de políticos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury, conforme informações divulgadas pela imprensa. Esses posicionamentos não significam necessariamente que todos os integrantes das respectivas organizações adotem a mesma orientação individual.
O segundo turno presidencial está marcado para 25 de outubro de 2026, quando os eleitores escolherão entre Lula e Flávio Bolsonaro. A recomendação do PCO é de voto nulo, sem apoio oficial a qualquer um dos candidatos que permanecem na disputa. A orientação foi definida pela conferência nacional da legenda e marca uma ruptura com o apoio que o partido havia dado a Lula na eleição presidencial de 2022.





