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O presidente dos Estados Unidos quer barrar a possível vitória de um democrata no Alasca

A disputa por uma vaga no Senado dos Estados Unidos ganhou um novo capítulo após o presidente Donald Trump confirmar que determinou uma iniciativa judicial para impedir a certificação de um possível resultado desfavorável ao Partido Republicano no Alasca. A medida foi apresentada pelo Departamento de Justiça e está relacionada à eleição em que o senador republicano Dan Sullivan enfrentará a democrata Mary Peltola, em votação marcada para 3 de novembro de 2026. Em reportagem publicada em 24 de outubro, o UOL informou que o pedido busca suspender a oficialização do resultado caso Sullivan perca por uma margem estreita.

A ação foi protocolada na Justiça federal na quinta-feira, 22 de outubro, e tem como argumento central a presença de outro candidato com nome muito semelhante ao do senador republicano na cédula eleitoral. O governo sustenta que a candidatura de Daniel J. Sullivan poderia confundir eleitores e fazer com que votos destinados ao senador fossem atribuídos ao concorrente homônimo. Com base nessa alegação, a administração Trump solicitou que a certificação de uma eventual vitória democrata seja suspensa em determinadas circunstâncias, até que a questão seja investigada judicialmente.

Trump confirmou publicamente que ordenou a iniciativa e assumiu a responsabilidade pela decisão ao conversar com jornalistas na sexta-feira, 23 de outubro. “Eu fui quem mandou fazer isso”, declarou o presidente, ao comentar a ação apresentada pelo Departamento de Justiça. A confirmação tornou explícita a participação direta de Trump na decisão de recorrer à Justiça antes da realização da eleição, cujo resultado poderá influenciar a composição do Senado norte-americano.

Ação do Departamento de Justiça envolve dois candidatos chamados Sullivan

O principal argumento apresentado pelo governo federal envolve a possibilidade de confusão entre Dan Sullivan, senador republicano que disputa a reeleição, e Daniel J. Sullivan, outro candidato registrado para a mesma disputa. Embora compartilhem nomes semelhantes, os dois são concorrentes distintos e aparecem na cédula com informações que permitem diferenciá-los, incluindo a identificação partidária do senador em exercício. A administração Trump, entretanto, argumenta que a presença do segundo candidato pode interferir na distribuição dos votos e alterar o resultado final da eleição.

Daniel J. Sullivan é um professor aposentado que mora na comunidade de Petersburg, no Alasca, e trabalhou durante 15 anos no Serviço Florestal dos Estados Unidos. Ele também está registrado como republicano, mas sua identificação partidária não aparece ao lado de seu nome na cédula, diferentemente do senador Dan Sullivan, que concorre identificado como integrante do Partido Republicano. O candidato homônimo nega que esteja tentando enganar os eleitores ou atuando em coordenação com a campanha democrata para prejudicar o senador.

A permanência de Daniel J. Sullivan na disputa já havia sido questionada anteriormente por autoridades eleitorais e representantes republicanos, mas a Justiça estadual permitiu que ele continuasse concorrendo. Em junho, a Suprema Corte do Alasca manteve a decisão que autorizou sua presença na cédula, após uma tentativa de excluí-lo da eleição. A nova ação federal retoma a controvérsia sobre a candidatura e busca estabelecer condições para a certificação do resultado caso a contagem indique uma derrota apertada do senador republicano.

Governo Trump quer suspender certificação em caso específico

O pedido judicial não determina o cancelamento imediato da eleição nem exclui automaticamente qualquer um dos candidatos da disputa pelo Senado. A solicitação procura impedir a certificação de uma eventual vitória de Mary Peltola caso Dan Sullivan perca por uma margem estreita e a Justiça considere necessário investigar se votos destinados ao homônimo foram atribuídos incorretamente. Dessa forma, o resultado pretendido pelo governo dependeria das circunstâncias previstas na ação e de uma decisão judicial sobre os argumentos apresentados.

A eleição do Alasca utiliza um sistema de votação por ordem de preferência, no qual os eleitores podem classificar os candidatos conforme suas escolhas. Caso nenhum concorrente alcance a maioria exigida na primeira contagem, o candidato menos votado é eliminado e os votos correspondentes são redistribuídos conforme as preferências seguintes registradas nas cédulas. O governo argumenta que a semelhança entre os nomes pode ter consequências nesse processo, mas a existência de dois candidatos com nomes parecidos não comprova, por si só, que houve confusão ou alteração indevida dos votos.

A iniciativa também provocou questionamentos dentro do próprio Departamento de Justiça, onde integrantes levantaram dúvidas sobre os fundamentos jurídicos e a constitucionalidade da medida. O procurador-geral interino Todd Blanche havia afirmado que o governo não pretendia interferir indevidamente no processo de certificação eleitoral, embora tenha reconhecido que situações extremas poderiam gerar disputas judiciais. A ação, portanto, abriu uma discussão sobre os limites da atuação federal em uma eleição organizada pelas autoridades estaduais e sobre as condições em que a certificação poderia ser suspensa.

Disputa no Alasca amplia debate sobre eleições nos Estados Unidos

Mary Peltola, candidata democrata ao Senado, criticou a iniciativa e acusou o adversário republicano de utilizar suas conexões em Washington para interferir na disputa. A senadora republicana Lisa Murkowski também se manifestou contra a ação, argumentando que a cédula já apresenta diferenças entre os dois candidatos chamados Sullivan. As críticas mostram que a medida gerou questionamentos para além do confronto entre os dois principais concorrentes, alcançando integrantes do próprio Partido Republicano.

O caso ocorre antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, quando serão disputadas vagas no Congresso e outros cargos públicos. A decisão sobre o pedido judicial poderá determinar se a certificação de um eventual resultado apertado no Alasca ficará sujeita a uma suspensão e a uma investigação posterior, conforme as condições estabelecidas pela Justiça. Até a apresentação da ação, o ponto central da controvérsia permanecia sendo a tentativa do governo Trump de impedir a certificação de uma possível vitória democrata caso Dan Sullivan seja derrotado e a alegação de confusão entre os dois candidatos chamados Sullivan.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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