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O projeto Brasil 22 Token vinha distribuído criptomoedas para aqueles que apoiassem Flávio Bolsonaro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão do site Brasil 22 Token, que distribuía criptomoedas a usuários que publicassem conteúdos favoráveis ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi assinada na sexta-feira, 9 de outubro, pela ministra Estela Aranha, relatora do caso na Corte Eleitoral. As informações foram publicadas pela Redação Terra, em reportagem divulgada na editoria de Eleições do portal em 9 de outubro de 2026.

A medida foi tomada após uma representação apresentada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o segundo turno com Flávio. O pedido foi encaminhado pelo advogado Angelo Ferraro, coordenador jurídico da campanha petista, que apontou suspeitas de propaganda eleitoral remunerada por meio da distribuição de ativos digitais. Segundo a representação, o projeto Brasil 22 Token oferecia recompensas a pessoas que divulgassem publicações relacionadas ao candidato do PL.

O sistema utilizava um mecanismo conhecido como airdrop, modalidade de distribuição gratuita de criptoativos para determinadas carteiras digitais. Conforme a denúncia, os participantes precisavam publicar conteúdos relacionados ao projeto nas redes sociais e comprovar a divulgação para receber os tokens. A ministra entendeu que os elementos apresentados indicavam, em tese, a possibilidade de concessão de vantagem econômica vinculada à propaganda político-eleitoral.

Decisão suspende site e distribuição de tokens

A determinação judicial estabeleceu a suspensão do domínio brasil22token.com e ordenou que os responsáveis interrompessem imediatamente a oferta, a promessa ou a distribuição de tokens associados à divulgação de mensagens políticas. A decisão também prevê providências para remover publicações que promoviam o projeto nas redes sociais. Além disso, foram determinadas medidas para preservar registros digitais e obter informações que permitam identificar os responsáveis pelas contas envolvidas.

A ministra Estela Aranha considerou que a situação ultrapassava a manifestação espontânea de apoio político. Na avaliação apresentada na decisão, a possibilidade de oferecer uma vantagem econômica em troca da publicação de conteúdos eleitorais poderia comprometer a igualdade de condições entre os candidatos. A magistrada destacou que a apuração definitiva sobre a existência de remuneração e a responsabilidade individual dos envolvidos ainda depende do andamento do processo.

A legislação eleitoral brasileira estabelece restrições à propaganda paga na internet, permitindo o impulsionamento dentro das condições previstas nas normas eleitorais. A suspeita analisada pelo TSE envolve a possibilidade de que a distribuição de criptoativos funcionasse como uma forma de remunerar pessoas pela divulgação de propaganda política. A decisão liminar busca interromper a prática enquanto os fatos são examinados pela Justiça Eleitoral.

Campanha de Lula apresentou representação ao TSE

A iniciativa judicial foi apresentada pela equipe de Lula, que pediu providências para investigar o funcionamento do projeto e a possível utilização de vantagens econômicas para estimular publicações eleitorais. A representação também apontou conteúdos divulgados nas redes sociais que associavam o token ao incentivo ao voto em Flávio Bolsonaro. A partir dessas informações, a Corte Eleitoral analisou a necessidade de interromper a distribuição dos ativos e preservar provas digitais.

Entre os conteúdos citados na denúncia estava uma publicação do perfil Hypers Kids Africa, grupo conhecido por divulgar vídeos de crianças em Uganda e campanhas relacionadas a projetos sociais. Segundo informações reunidas na representação, o perfil publicou um vídeo em que crianças apareciam com camisetas identificadas com a marca B22 e faziam referências ao número eleitoral de Flávio. A publicação foi apontada pelos autores da ação como um exemplo de divulgação que poderia estar vinculada à distribuição dos criptoativos.

A denúncia também levantou questionamentos sobre a transferência de tokens para o grupo e a divulgação posterior do conteúdo nas redes sociais. Os responsáveis pela representação solicitaram a preservação de registros de acesso e informações sobre contas e perfis que poderiam ajudar a esclarecer a origem das operações. A análise desses elementos deverá contribuir para determinar se houve remuneração por propaganda eleitoral e quem seria responsável por eventuais irregularidades.

Flávio Bolsonaro nega ligação com o projeto

A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou desconhecer a autoria do site e negou ter qualquer relação com a iniciativa ou com a distribuição de criptomoedas. Em manifestação divulgada após a repercussão do caso, a equipe declarou que não contratou perfis para fazer propaganda de produtos ou conteúdos eleitorais. Também informou que pretende adotar medidas judiciais para tentar retirar a página do ar e apurar responsabilidades.

A defesa do candidato sustentou que as páginas e os canais oficiais de comunicação da campanha foram informados à Justiça Eleitoral e seguem as regras aplicáveis à propaganda política. A negativa é relevante para a apuração porque a decisão do TSE trata de indícios relacionados ao funcionamento do projeto, sem estabelecer de forma definitiva a responsabilidade de Flávio ou de sua equipe. A identificação dos administradores do site e das pessoas envolvidas na distribuição dos tokens dependerá das informações obtidas durante a investigação.

O caso acrescenta um novo episódio à disputa eleitoral entre Lula e Flávio no segundo turno de 2026, especialmente no debate sobre o uso das redes sociais para divulgar mensagens políticas. A decisão da ministra Estela Aranha suspendeu a iniciativa enquanto a Justiça examina os indícios apresentados, mas não representa uma conclusão definitiva sobre todas as acusações. O andamento do processo deverá esclarecer a origem dos criptoativos, a participação dos responsáveis pelo projeto e a eventual existência de infrações à legislação eleitoral.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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