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O TJ-SP condenou Aline Bardy Dutra, a ‘Esquerdogata’ a 1 ano e 8 meses

A influenciadora Aline Bardy Dutra, conhecida nas redes sociais como Esquerdogata, foi condenada pela Justiça de São Paulo por injúria racial e desacato contra policiais militares em Ribeirão Preto, no interior paulista. A decisão foi proferida em 21 de setembro pela juíza Carolina Moreira Gama, da 2ª Vara Criminal da cidade, após o processo relacionado a uma ocorrência registrada em outubro de 2025. O caso ganhou repercussão nacional porque envolveu uma personalidade conhecida pelo ativismo político nas redes sociais e uma abordagem policial que terminou com a prisão da influenciadora.

A pena estabelecida pela Justiça chegou a 1 ano e 8 meses, sendo 1 ano e 4 meses e seis dias-multa pelo crime de injúria racial, além de quatro meses pelo desacato. Entretanto, as penas de prisão foram substituídas por prestação de serviços à comunidade e tratamento relacionado ao consumo de álcool, com a obrigação de comprovação periódica perante a Justiça. Dessa forma, Aline não será encaminhada ao sistema prisional em razão dessa condenação e poderá recorrer em liberdade.

Além da condenação pelos dois crimes, a influenciadora foi absolvida da acusação de resistência, porque a magistrada considerou que não havia elementos suficientes para esclarecer de maneira adequada a conduta atribuída a ela durante a contenção policial. Segundo os autos apresentados na reportagem, os policiais afirmaram que foi necessário utilizar força física para contê-la, mas não ficou demonstrado de forma suficiente que houve intenção de resistir à prisão. Assim, a decisão separou as acusações e aplicou consequências diferentes conforme as provas consideradas suficientes em cada ponto do processo.

Esquerdogata e a abordagem policial em Ribeirão Preto

O episódio que deu origem ao processo ocorreu na madrugada de 25 de outubro de 2025, durante uma fiscalização de trânsito realizada por policiais militares no centro de Ribeirão Preto. Aline passou a questionar a atuação dos agentes, começou a registrar a ocorrência com o celular e, conforme os relatos reunidos no processo, fez declarações consideradas ofensivas e de conteúdo racial. Depois da discussão, ela recebeu voz de prisão e foi conduzida à delegacia, onde foi autuada pelas acusações que posteriormente deram origem à ação penal.

Na ocasião, vídeos e relatos de testemunhas registraram a influenciadora questionando os policiais sobre a quantidade de seguidores que possuíam e mencionando sua própria influência nas redes sociais. Também foram atribuídas a ela expressões de crítica à atuação dos agentes, incluindo a afirmação de que teria grande número de seguidores e a referência à possibilidade de uma futura candidatura política. Paralelamente, os policiais relataram que uma frase de conteúdo racial havia sido dirigida à situação envolvendo os agentes, circunstância que levou à acusação de injúria racial.

Aline, por sua vez, apresentou outra interpretação para o episódio e afirmou que havia sido mal compreendida durante a abordagem. Segundo a versão apresentada por ela, a manifestação fazia referência à atuação policial contra pessoas vulneráveis e não tinha como objetivo atingir os agentes individualmente por causa da raça. Ainda assim, após a investigação e o andamento da ação penal, a Justiça concluiu pela condenação por injúria racial e desacato, enquanto a acusação de resistência não foi mantida na sentença.

Laudo sobre álcool também entrou no processo

Outro elemento considerado durante o processo foi um laudo médico-legal produzido pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo, o Imesc. Segundo o documento, obtido pelo UOL, o consumo de álcool havia prejudicado parcialmente a capacidade de autodeterminação da influenciadora no momento dos fatos, mas não a deixou completamente incapaz de compreender a natureza de sua conduta. A perícia também apontou que o consumo de álcool havia ocorrido voluntariamente, aspecto considerado na análise judicial do episódio.

A sentença levou em consideração a intoxicação alcoólica para reduzir em um terço a pena relacionada à injúria racial, conforme informado na reportagem sobre a decisão. Entretanto, a embriaguez não foi considerada suficiente para afastar a responsabilidade penal, justamente porque a perícia indicou que a capacidade de entendimento e controle havia sido prejudicada, mas não anulada. Além disso, a obrigação de tratamento contra o consumo abusivo de álcool foi incluída entre as medidas que substituíram as penas privativas de liberdade.

Antes da sentença, o Ministério Público de São Paulo havia denunciado Aline pelos crimes de injúria racial, desacato e resistência, e posteriormente apresentou pedido de condenação pelas acusações discutidas no processo. Em agosto de 2026, informações sobre o laudo e sobre a fase final da ação já indicavam que a situação estava próxima de uma decisão judicial, enquanto a defesa sustentava que não havia elementos suficientes para caracterizar a injúria racial. Agora, com a sentença publicada, os advogados afirmaram que pretendem buscar a reversão da decisão nas instâncias superiores.

O que acontece depois da condenação

A decisão determina que as medidas alternativas sejam cumpridas conforme as condições estabelecidas pela Justiça, incluindo a prestação de serviços à comunidade e o acompanhamento do tratamento relacionado ao consumo de álcool. Aline deverá comprovar o tratamento periodicamente, em intervalos de dois meses, enquanto a condenação ainda poderá ser questionada por meio de recurso. Portanto, o caso não está necessariamente encerrado do ponto de vista judicial, já que a defesa anunciou que pretende recorrer da sentença.

A condenação também encerra, neste momento, uma etapa de um processo que começou com uma abordagem policial em Ribeirão Preto e passou por investigação, denúncia, produção de provas, perícia e julgamento. Ao mesmo tempo, a absolvição pela acusação de resistência demonstra que a Justiça analisou separadamente os diferentes fatos atribuídos à influenciadora, mantendo apenas as acusações consideradas comprovadas no processo. O próximo capítulo dependerá da apresentação e da análise dos recursos, caso eles sejam efetivamente protocolados pela defesa.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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