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Onde está Alcolumbre? Silêncio do presidente do Senado irrita a oposição

“Por onde anda Davi Alcolumbre?” Essa é a pergunta que ganha força entre senadores de diferentes alas após a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal desta terça-feira, 15. A reunião, convocada para analisar desdobramentos ligados ao ministro Alexandre de Moraes e ao Caso Banco Master, foi interrompida por pedido de vista do ministro Flávio Dino, sem definição de rumo. No Senado, onde tramitam mais de cem pedidos de abertura de processo contra o magistrado, parlamentares relatam dificuldade crescente em localizar e dialogar com o presidente da Casa.

Integrantes da oposição ouvidos pela reportagem sob reserva afirmam que Alcolumbre não tem respondido a contatos desde o encerramento da sessão no STF. Os senadores pressionam para que os pedidos de impeachment avancem como resposta institucional às acusações envolvendo a relação de Moraes com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. “O Senado não pode se omitir num momento como este”, declarou um parlamentar da oposição. Na avaliação dele, o presidente da Casa estaria sendo pressionado e teria recuado diante da responsabilidade de dar andamento às solicitações.

A dificuldade de contato não se restringe a um grupo político. Outros senadores, também falando sem se identificar, relatam que nem mesmo por meio da Secretaria-Geral da Mesa ou de assessores diretos conseguem obter retorno. “Não há nenhum avanço com o presidente Alcolumbre”, resumiu um deles. Entre integrantes do Centrão, cujos partidos costumam definir a pauta legislativa, a situação é a mesma: quem tenta conversar não tem conseguido. A informação confirmada é que o senador encontra-se no Amapá, participando de agendas de campanha de aliados políticos.

No entorno de Alcolumbre, o silêncio é interpretado como sinal de que ele não pretende dar andamento aos pedidos de afastamento do ministro. A postura, segundo auxiliares, reflete a avaliação de que a condução do tema exige cautela e que a precipitação poderia aprofundar instabilidade institucional. Para opositores, porém, a inércia equivale a uma escolha política: a de manter a situação sem desfecho, evitando desgastes mas também postergando a resposta que o Congresso deveria dar à sociedade.

Diante da ausência de movimentação, lideranças parlamentares passaram a buscar caminhos alternativos. O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentou proposta de alteração do regimento interno para que os pedidos de impeachment avancem de forma automática quando contarem com apoio da maioria dos senadores, sem depender de decisão exclusiva do presidente. A medida transferiria a palavra final da mesa diretora para o plenário, onde a disposição dos votos ainda é objeto de avaliação.

O impasse expõe a tensão entre os poderes num dos momentos mais sensíveis da democracia brasileira. O papel do Senado como espaço de controle e equilíbrio institucional está em jogo, e a espera por uma definição ganha contornos de pressão crescente. O que se espera é que as regras sejam respeitadas, que os debates ocorram de forma transparente e que as decisões reflitam a responsabilidade que cada senador tem perante a população. A palavra, em última instância, pertence à sociedade, que acompanha cada passo na expectativa de que as instituições permaneçam firmes e funcionando.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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