Para este segundo turno, Flávio Bolsonaro já tem uma estratégia para reduzir ainda mais a vantagem de Lula

Flávio Bolsonaro deverá ampliar a presença no Nordeste durante o segundo turno da eleição presidencial de 2026, numa estratégia voltada a diminuir a diferença de votos para Luiz Inácio Lula da Silva na região. A informação foi divulgada pela CNN Brasil, que aponta o Nordeste como uma das áreas prioritárias para a campanha do candidato do PL nesta nova etapa da disputa. O movimento ocorre depois de Lula ter sido o candidato mais votado nos nove estados nordestinos no primeiro turno, mantendo uma vantagem regional importante sobre o adversário.
De acordo com a CNN Brasil, Flávio já começou a mobilizar aliados no Nordeste e deverá fazer novas viagens para ampliar sua presença entre os eleitores locais. A estratégia está relacionada ao desempenho apresentado nas urnas, já que, apesar de Lula ter mantido ampla vantagem na região, o candidato do PL conseguiu aumentar sua votação em comparação com o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022. Dessa maneira, a campanha de Flávio passou a considerar que existe espaço para ampliar a votação nordestina e reduzir a diferença acumulada pelo petista.
O resultado do primeiro turno ajuda a explicar a importância atribuída ao Nordeste pelos dois lados da disputa. Lula recebeu 21.494.584 votos nos nove estados da região, enquanto Flávio alcançou 10.398.973 votos, segundo dados divulgados após a apuração, o que mostra uma diferença superior a 11 milhões de votos entre os dois candidatos. Ao mesmo tempo, Flávio obteve crescimento em todos os estados nordestinos em comparação com a votação de seu pai quatro anos antes, indicando que a região já havia sido trabalhada pela campanha bolsonarista antes do segundo turno.
Flávio deve ampliar presença no Nordeste no segundo turno
A nova estratégia prevê que Flávio esteja mais presente fisicamente em estados nordestinos, utilizando agendas políticas para fortalecer sua imagem e ampliar a comunicação diretamente com o eleitorado. A movimentação já vinha sendo preparada antes do primeiro turno, quando o candidato realizou compromissos em diferentes pontos da região com o objetivo de diminuir a vantagem histórica de Lula. Agora, entretanto, a necessidade de buscar votos adicionais transformou o Nordeste em uma frente ainda mais importante da campanha do PL.
A Bahia, o Ceará e Pernambuco aparecem entre os estados de atenção para as duas campanhas, embora os objetivos sejam diferentes em cada lado. Enquanto Lula pretende ampliar sua margem em áreas nas quais possui uma base eleitoral consolidada, Flávio busca diminuir a diferença e conquistar uma parcela maior dos votos nordestinos. Segundo informações da CNN Brasil, equipes de ambos os candidatos estão estruturando redes de apoio com governadores, prefeitos, parlamentares e lideranças locais para fortalecer os palanques durante o segundo turno.
Além das viagens do candidato, a campanha de Flávio deverá utilizar alianças regionais para aumentar a presença política nos estados. A atuação de lideranças locais é considerada relevante porque os candidatos disputam não apenas a preferência pelo cargo de presidente, mas também a capacidade de mobilizar estruturas partidárias e grupos políticos já estabelecidos. Nesse contexto, a presença de aliados como Rogério Marinho, coordenador da campanha e senador pelo Rio Grande do Norte, também ganha importância na construção das agendas nordestinas.
Vantagem de Lula no Nordeste ainda é o principal desafio
A dificuldade enfrentada por Flávio está relacionada ao histórico de votações presidenciais na região e ao desempenho de Lula no primeiro turno de 2026. O petista terminou à frente em todos os nove estados nordestinos, alcançando 63,8% dos votos válidos na região, enquanto Flávio ficou com 30,85%, segundo dados consolidados da votação. Portanto, mesmo com o crescimento do candidato do PL, uma diferença regional expressiva continua sendo registrada e passou a ser um dos principais pontos de atenção para sua campanha.
Por outro lado, o crescimento de Flávio no Nordeste foi superior ao registrado por Jair Bolsonaro na eleição de 2022. O candidato do PL recebeu aproximadamente 1,6 milhão de votos a mais que seu pai havia obtido no primeiro turno daquela eleição, enquanto sua votação aumentou nos nove estados da região. Esse avanço foi especialmente observado na Bahia, no Ceará e no Maranhão, além de Alagoas, onde Flávio atingiu seu melhor desempenho percentual entre os estados nordestinos.
Pesquisas realizadas antes do primeiro turno também indicaram uma redução da diferença entre Lula e Flávio no Nordeste em determinados cenários. Em levantamento da Quaest divulgado em setembro, Lula oscilou de 60% para 57% das intenções de voto na região, enquanto Flávio passou de 28% para 31%, considerando uma simulação de segundo turno. Embora pesquisas anteriores não determinem o resultado da eleição, esses números ajudam a explicar por que o Nordeste passou a ser tratado pela campanha do PL como uma região onde ainda existe possibilidade de ampliar a votação.
Campanhas de Lula e Flávio concentram esforços na região
A movimentação de Flávio ocorre ao mesmo tempo em que Lula também prepara uma estratégia específica para o Nordeste. A campanha petista identificou a redução da abstenção como uma prioridade, especialmente porque o primeiro turno registrou 21,08% de eleitores ausentes, equivalente a cerca de 33,4 milhões de brasileiros que não foram às urnas. Dessa forma, enquanto Flávio tenta conquistar novos votos, Lula busca preservar sua vantagem e estimular eleitores que deixaram de votar a comparecer no segundo turno.
A disputa nordestina, portanto, deverá ser marcada por maior presença dos dois candidatos e por uma intensificação das articulações políticas nos estados. Flávio pretende transformar o crescimento obtido no primeiro turno em uma votação maior, enquanto Lula trabalha para manter a diferença que historicamente favoreceu sua candidatura na região. Como o segundo turno será decidido pela soma dos votos nacionais, qualquer alteração significativa nas margens regionais poderá modificar a composição do resultado final, embora não seja possível antecipar o efeito eleitoral dessas estratégias.
O Nordeste passa, assim, a ocupar posição central na estratégia de Flávio Bolsonaro para o segundo turno, não apenas pela quantidade de eleitores, mas também pela diferença registrada em relação a Lula no primeiro turno. A campanha do candidato do PL deverá intensificar viagens, mobilizar aliados e ampliar sua comunicação regional, enquanto o grupo de Lula buscará defender a vantagem conquistada nos nove estados. A nova etapa da eleição será marcada, portanto, por uma disputa mais concentrada pela margem de votos nordestina, com as duas campanhas tentando alterar ou preservar o equilíbrio regional registrado nas urnas.





