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Pastor José Wellington Costa Júnior pediu a libertação do Brasil em culto com milhares de fiéis

Pastor pede bênção para Flávio Bolsonaro durante um culto realizado em Alagoas e transforma uma celebração religiosa em mais um episódio de destaque na campanha presidencial de 2026. José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus do Brasil, chamou o candidato do PL ao altar e orou publicamente por sua campanha. Na mesma oração, o líder religioso pediu que o Brasil fosse “liberto das garras de Satanás”, em uma manifestação que provocou repercussão política e levantou questionamentos sobre a presença de candidatos em cultos durante o período eleitoral.

O episódio aconteceu na noite de terça-feira, 25 de agosto, durante a celebração dos 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas. Milhares de fiéis acompanharam o evento presencialmente, enquanto a transmissão oficial pela internet chegou a registrar aproximadamente 8 mil espectadores no momento da oração. Flávio Bolsonaro havia incluído o compromisso em sua agenda de campanha, chegou ao local para participar do culto e deixou o evento logo depois da manifestação do pastor, sem fazer discurso.

A cena ganhou importância porque Flávio tenta ampliar sua aproximação com o eleitorado evangélico, segmento considerado estratégico para sua candidatura ao Palácio do Planalto. Durante a cerimônia, outros políticos também foram apresentados ou convidados a participar do momento de oração, entre eles o deputado federal Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio, além de Arthur Lira e outros nomes ligados à política alagoana. Dessa forma, o encontro combinou elementos religiosos e políticos em um momento de forte mobilização eleitoral, justamente quando os candidatos procuram consolidar alianças e ampliar sua presença entre diferentes grupos sociais.

Pastor pede bênção para Flávio durante culto em Alagoas

Ao chamar Flávio Bolsonaro para o altar, José Wellington Costa Junior fez uma oração direcionada diretamente à candidatura presidencial do senador. O pastor pediu que Deus abençoasse Flávio e também os deputados que disputam as eleições, mencionando de maneira explícita as campanhas dos políticos presentes na celebração. Em seguida, a oração ganhou um tom mais amplo, com um pedido para que o Brasil melhorasse e fosse libertado, nas palavras do religioso, “das garras de Satanás”.

A manifestação foi recebida com aplausos pelo público presente, especialmente quando os pastores fizeram referências à candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e defenderam uma atuação política alinhada aos valores que apresentam como importantes para suas comunidades. O presidente da Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus do Brasil afirmou que os políticos estavam ali para receber a oração da igreja porque disputavam cargos eletivos, incluindo deputado, senador e presidente da República. Assim, embora Flávio não tenha feito um pedido de votos durante o culto, sua candidatura foi mencionada diretamente dentro do ambiente religioso.

A situação também chama atenção porque não é a primeira aproximação de Flávio com a liderança da Assembleia de Deus neste ano. Em abril, o senador esteve em São Paulo para uma agenda com representantes da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil, incluindo o próprio José Wellington Costa Junior, e participou de um momento de oração na Assembleia de Deus Ministério do Belém. Na ocasião, a aproximação já era apresentada como parte do esforço do então pré-candidato para fortalecer o diálogo com lideranças evangélicas, movimento que agora aparece de forma ainda mais evidente durante a campanha oficial.

Flávio Bolsonaro amplia aproximação com eleitores evangélicos

A presença de Flávio no culto precisa ser analisada dentro de uma estratégia eleitoral mais ampla de aproximação com o segmento evangélico. Esse grupo possui grande peso no eleitorado brasileiro e costuma ser disputado pelos principais candidatos à Presidência, sobretudo porque questões relacionadas à família, costumes, liberdade religiosa e valores cristãos ocupam espaço relevante no debate político. Por isso, a participação do candidato em uma celebração acompanhada por milhares de pessoas pode produzir imagens de grande impacto para sua campanha e reforçar sua identificação com esse público.

Ao mesmo tempo, a presença de um candidato em um culto durante a campanha eleitoral exige atenção às regras estabelecidas pela legislação brasileira. O pedido explícito de votos em templos religiosos é proibido e pode, dependendo das circunstâncias e da interpretação da Justiça Eleitoral, resultar em consequências graves, como cassação de mandato ou inelegibilidade por abuso de poder religioso. O Tribunal Superior Eleitoral já analisou situações envolvendo manifestações políticas em cultos e adotou decisões diferentes conforme as características de cada caso, o que demonstra que o contexto e a forma como o ato ocorre são determinantes para eventual responsabilização.

Nesse episódio, Flávio não discursou nem fez pedido explícito de votos durante a cerimônia, mas sua campanha foi mencionada pelo pastor diante dos fiéis. Questionado pela imprensa sobre uma eventual irregularidade relacionada ao pedido de apoio durante o culto, o candidato não respondeu e deixou o local logo após a oração. Portanto, qualquer avaliação jurídica definitiva dependeria da análise das circunstâncias concretas do evento e de eventual provocação das autoridades eleitorais, não sendo possível concluir automaticamente que houve crime ou abuso eleitoral apenas pela participação de Flávio na celebração.

Pastor pede bênção para Flávio e reforça papel político das igrejas

O episódio em Alagoas também mostra como a religião continua ocupando espaço importante na disputa presidencial de 2026. A oração feita por José Wellington Costa Junior não foi apenas uma manifestação genérica de fé, pois o nome de Flávio e sua campanha foram citados diretamente, enquanto outros candidatos presentes também foram colocados sob a oração da igreja. Além disso, a referência à necessidade de libertar o Brasil de Satanás acrescentou um forte componente religioso ao discurso, associando a situação do país a uma batalha espiritual na visão apresentada pelo pastor.

Para Flávio Bolsonaro, a aproximação com lideranças evangélicas pode representar uma oportunidade de consolidar uma das bases eleitorais mais importantes de seu projeto presidencial. A estratégia, contudo, também exige cautela, porque a fronteira entre manifestação religiosa, apoio político e propaganda eleitoral pode ser examinada pela Justiça Eleitoral quando candidatos aparecem em ambientes destinados ao culto. Assim, o episódio de Alagoas deverá permanecer no radar justamente por reunir uma liderança religiosa de grande influência, uma candidatura presidencial e uma oração que mencionou expressamente a campanha de Flávio em meio à corrida eleitoral.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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