Pesquisa Quaest mostra como está a rejeição em relação ao governo Lula após a eleição

A primeira pesquisa Quaest divulgada depois das eleições presidenciais de 2026 apresenta um retrato importante da percepção dos brasileiros sobre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o levantamento publicado neste domingo, 8 de novembro, 48% dos entrevistados aprovam a atual administração federal, enquanto 44% desaprovam o desempenho do presidente da República. O resultado mostra uma diferença de apenas quatro pontos percentuais entre os dois indicadores, revelando que a avaliação do governo continua dividindo a opinião pública mesmo depois da conclusão da disputa eleitoral.
O levantamento ganha relevância porque foi realizado imediatamente depois de uma eleição presidencial marcada pela polarização política e por uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, os números permitem observar como os eleitores estão se posicionando diante da perspectiva de continuidade da administração petista, agora em um novo período político. Outro dado que chama a atenção é que 94% dos entrevistados afirmaram torcer para que Lula faça um bom governo, demonstrando que a expectativa por resultados positivos ultrapassa o percentual daqueles que atualmente aprovam sua gestão.
A pesquisa também revela que o resultado eleitoral não eliminou as preocupações existentes em relação ao futuro do país, especialmente nas áreas econômica e de segurança pública. Embora a aprovação presidencial esteja numericamente acima da desaprovação, a diferença relativamente pequena demonstra que uma parcela expressiva da população continua insatisfeita com os rumos da administração federal. Dessa maneira, os indicadores divulgados pela Quaest oferecem elementos importantes para compreender o cenário político brasileiro e os desafios que deverão acompanhar o presidente nos próximos meses.
Pesquisa Quaest mostra aprovação de Lula praticamente dividida
Para realizar o levantamento, o instituto Quaest entrevistou 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro de 2026, por meio de entrevistas presenciais. A pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%, características que precisam ser consideradas na interpretação dos resultados. Portanto, embora os 48% de aprovação estejam quatro pontos acima dos 44% de desaprovação, a margem de erro recomenda cautela ao comparar os dois grupos e interpretar a distância entre eles.
Um aspecto importante é a comparação com os indicadores registrados em dezembro de 2022, logo depois da eleição presidencial daquele ano, quando Lula também havia conquistado a vitória nas urnas. Naquela ocasião, o percentual de aprovação do presidente era de 48%, exatamente o mesmo encontrado agora pela Quaest, indicando que o patamar de apoio declarado à administração petista permanece semelhante nesse recorte histórico. Entretanto, o contexto político é diferente, pois o atual levantamento acontece depois de uma nova disputa presidencial e de um período de governo marcado por debates sobre economia, gastos públicos, segurança e relações institucionais.
Outro indicador que merece atenção é a percepção dos brasileiros sobre o futuro do país, uma vez que 48% dos entrevistados disseram estar preocupados com os próximos acontecimentos, enquanto 44% afirmaram estar otimistas. Na comparação com dezembro de 2022, quando 54% demonstravam preocupação e 41% se declaravam otimistas, houve uma redução do pessimismo e um crescimento da expectativa positiva. Ainda assim, os números mostram que a confiança no futuro permanece limitada, especialmente porque diferentes problemas nacionais continuam sendo apontados pela população como obstáculos que precisam ser enfrentados pelo governo federal.
Economia e segurança pública aparecem entre as maiores preocupações
Entre os assuntos investigados pela Quaest, a economia aparece como um dos principais desafios para a próxima etapa da administração Lula, reunindo preocupações relacionadas aos gastos públicos, à dívida do governo e aos juros. O levantamento mostra que 27% dos entrevistados apontaram esse conjunto de questões como o principal motivo de preocupação com a gestão presidencial. Esse resultado demonstra a importância atribuída ao equilíbrio das contas públicas e à capacidade de o governo apresentar medidas que contribuam para melhorar as condições econômicas do país, estimular investimentos e preservar o poder de compra das famílias.
A segurança pública também ocupa posição de destaque entre os problemas mencionados pelos brasileiros, sendo apontada por 17% dos entrevistados que citaram violência, facções criminosas, milícias e drogas como motivos de preocupação. Além disso, a corrupção e os escândalos políticos foram mencionados por 12%, percentual igual ao registrado para as preocupações relacionadas à governabilidade, ao relacionamento com o Congresso Nacional e à atuação da oposição. Os dados mostram que a população espera respostas em diferentes áreas, de modo que os resultados da administração não serão avaliados exclusivamente pelo desempenho econômico, mas também pela capacidade de enfrentar problemas que afetam diretamente o cotidiano dos cidadãos.
A pesquisa também identificou quais medidas os entrevistados consideram prioritárias para o próximo período, considerando compromissos apresentados durante a campanha eleitoral. O fim da escala de trabalho 6×1 apareceu em primeiro lugar, com 17% das menções, seguido pela isenção de impostos sobre produtos da cesta básica, apontada por 16%, enquanto a valorização do salário mínimo recebeu 11% e a criação de um pacto contra o feminicídio foi mencionada por 10%. Dessa forma, o levantamento indica que questões relacionadas ao emprego, à renda, ao custo de vida e à proteção das mulheres estão entre as principais expectativas direcionadas ao governo federal.
Lula terá desafios políticos e econômicos após a eleição de 2026
Além das questões econômicas e sociais, a relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional aparece como outro ponto de atenção para o próximo período presidencial. Segundo a pesquisa, 70% dos entrevistados acreditam que haverá mais conflitos entre o Executivo e o Legislativo do que durante o atual governo, enquanto 18% esperam uma redução dos atritos. Em relação ao Supremo Tribunal Federal, 46% projetam mais conflitos entre as instituições, contra 35% que acreditam em uma diminuição das divergências, indicando que a articulação política deverá continuar sendo um componente importante da administração federal.
O resultado divulgado pela Quaest mostra que Lula inicia o novo período político com 48% de aprovação e 44% de desaprovação, ao mesmo tempo que enfrenta expectativas elevadas em relação à economia, à segurança pública e à condução das relações institucionais. Embora 94% dos entrevistados desejem que o presidente faça um bom governo, a transformação dessa expectativa em apoio efetivo dependerá dos resultados apresentados nas diferentes áreas da administração. Assim, a primeira pesquisa pós-eleitoral estabelece um ponto de partida para acompanhar a opinião pública nos próximos meses, permitindo observar se a aprovação presidencial avançará, permanecerá estável ou sofrerá alterações diante das decisões tomadas pelo governo.





