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PF amplia investigação sobre Lulinha e solicita prorrogação de inquéritos no STF

PF pede mais tempo para investigar suposto tráfico de influência de Lulinha

A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais tempo para concluir investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os pedidos de prorrogação foram encaminhados em 2 de outubro, data em que terminou o prazo inicial de 60 dias para a conclusão de duas das apurações. Segundo os investigadores, ainda existem diligências importantes em andamento, relacionadas a possíveis contatos com órgãos públicos, contratos governamentais e movimentações financeiras. Até o momento descrito na notícia, não havia decisão sobre a ampliação dos prazos.

As investigações envolvem diferentes frentes, entre elas possíveis relações com o Ministério da Saúde e a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). Também são examinadas conexões de Lulinha com a empresária Roberta Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, investigado em um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A apuração procura esclarecer se houve alguma atuação para favorecer empresas junto ao governo federal. Entretanto, as suspeitas ainda precisam ser verificadas, e os investigados negam irregularidades ou contestam a condução das diligências.

PF pede mais tempo para investigar Lulinha no STF

Os pedidos de prorrogação foram encaminhados ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela relatoria das duas investigações relacionadas ao Ministério da Saúde e à Dataprev. Apesar disso, os casos passaram a ser encaminhados ao gabinete do presidente da Corte, Edson Fachin. Conforme as informações divulgadas, ainda não havia decisão sobre a solicitação apresentada pela Polícia Federal.

Ao justificar a necessidade de mais tempo, a corporação afirmou que o período inicial não foi suficiente para concluir todas as medidas investigativas. Em sua manifestação, a PF sustentou que os resultados das diligências são necessários tanto para esclarecer os fatos já identificados quanto para avaliar se outras providências deverão ser adotadas.

Entre as medidas solicitadas estão análises técnicas destinadas a identificar possíveis relações entre pessoas investigadas, empresas e agentes públicos. Os investigadores também pretendem rastrear movimentações financeiras relacionadas aos negócios sob suspeita. Dessa maneira, a prorrogação é apresentada pela polícia como uma etapa necessária para reunir informações antes de decidir os próximos passos.

É importante ressaltar, porém, que o pedido de mais prazo não representa uma conclusão sobre a responsabilidade de qualquer investigado. A extensão de uma investigação permite a continuidade das diligências, mas não comprova que os crimes suspeitos tenham ocorrido. A avaliação das evidências e a eventual responsabilização dependem do desenvolvimento do procedimento e das decisões das autoridades competentes.

Viagens a Portugal e movimentações financeiras entram na apuração

Uma das frentes investigativas busca esclarecer quem custeou viagens realizadas por Lulinha e Roberta Luchsinger desde 2023, além de verificar se os deslocamentos coincidiram com os de outras pessoas investigadas. Um dos episódios destacados envolve uma viagem dos dois a Portugal, em junho de 2024, poucos dias antes de Careca do INSS também viajar para o país europeu.

A coincidência das viagens chamou a atenção dos investigadores, que procuram compreender se houve relação entre os deslocamentos e possíveis negócios. A Polícia Federal também pretende analisar as circunstâncias financeiras dessas viagens, incluindo quem teria arcado com as despesas e se existiram vínculos com as atividades empresariais sob apuração.

Segundo as informações apresentadas no caso, Lulinha afirmou que a viagem estava relacionada à avaliação de oportunidades comerciais na área de cannabis medicinal. Roberta, por sua vez, declarou que apresentou o filho do presidente ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes e, por meio de sua defesa, também relacionou o deslocamento à busca por negócios.

Além disso, a PF determinou uma análise técnica para verificar se tratativas atribuídas ao grupo investigado tiveram reflexos em normas do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) relacionadas à cannabis medicinal. O objetivo é esclarecer se houve alguma tentativa de influenciar decisões administrativas ou beneficiar empresas. Até que os resultados sejam apresentados, contudo, não é possível afirmar que tenha ocorrido interferência irregular nas regras públicas.

Primeiro inquérito apura possível favorecimento no Ministério da Saúde

A primeira investigação foi aberta por decisão de André Mendonça, em 30 de julho, após solicitação da Polícia Federal. O procedimento apura a suspeita de que Lulinha teria atuado para favorecer uma empresa ligada a produtos medicinais à base de cannabis em suas relações com o Ministério da Saúde.

A hipótese investigada envolve uma possível intermediação para facilitar contratos com o governo federal. Conforme as informações divulgadas, os investigadores querem esclarecer se o empresário teria utilizado contatos pessoais para beneficiar interesses comerciais de terceiros. Uma das suspeitas levantadas é a de que Lulinha poderia ser sócio oculto de Careca do INSS, possibilidade que ainda precisa ser apurada.

A defesa do filho do presidente afirmou ao STF que ele conheceu Antunes por intermédio de Roberta Luchsinger, em 2024, e negou que tivesse conhecimento do esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Essas declarações integram a versão apresentada pelos advogados e devem ser consideradas no contexto do procedimento.

Careca do INSS, por sua vez, é investigado em apurações relacionadas a descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas. A proximidade entre ele, Roberta e Lulinha motivou novas verificações, mas a existência de contatos pessoais ou comerciais, isoladamente, não comprova participação em atividades criminosas.

Segundo inquérito examina relação com empresa de tecnologia

A segunda investigação foi autorizada por André Mendonça no dia seguinte à abertura da primeira. Nesse caso, a Polícia Federal apura se Lulinha teria atuado para beneficiar a empresa 3Structure IT Ltda. junto à Dataprev, estatal responsável por serviços de tecnologia e informações relacionados à Previdência Social.

Segundo os dados citados na notícia, a companhia possui contratos com o governo federal que somam R$ 55.721.051,62. A investigação busca esclarecer se houve alguma tentativa de interferência para facilitar negócios da empresa com a administração pública e se outras pessoas teriam participado de eventuais articulações.

A Dataprev negou à CNN Brasil ter acordos com a companhia mencionada no contexto da suspeita apresentada. Já a 3Structure declarou que venceu processos de contratação em conformidade com as normas aplicáveis e que seus contratos foram submetidos a auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).

A empresa também afirmou que os contratos públicos foram celebrados de maneira transparente, dentro da legalidade e sem intermediação de terceiros. Portanto, a apuração deverá esclarecer se existiu alguma atuação irregular, sem presumir que contratos de valor elevado sejam, por si só, indicativos de crime.

Terceiro inquérito envolve outros nomes ligados ao governo

Além das duas investigações conduzidas sob relatoria de André Mendonça, Lulinha é citado em um terceiro inquérito, que tramita sob sigilo e está sob responsabilidade do ministro Flávio Dino. A investigação foi autorizada em 4 de agosto e apura a suspeita de que um grupo teria tentado favorecer empresas perante órgãos do governo federal.

Entre os nomes mencionados está Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupou o cargo de chefe de gabinete do presidente Lula. Segundo as informações divulgadas, a Polícia Federal identificou possíveis conexões entre ele, Roberta Luchsinger e Lulinha, incluindo referências a pagamentos de contas e à compra de joias.

Mensagens examinadas pelos investigadores também indicariam a realização de reuniões de negócios envolvendo Lulinha, Roberta e Marcola, além de Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde. Em uma das frentes, a PF encontrou uma conversa na qual Marcola teria recebido de Roberta um modelo de contrato que dispensaria licitação para uma contratação ligada à pasta. Outra mensagem apontaria a compra de joias de diamante avaliadas em R$ 9,2 mil para o então chefe de gabinete.

Esses elementos estão sob análise e precisam ser contextualizados no conjunto das provas. A existência de mensagens, reuniões ou transferências mencionadas em uma investigação não significa automaticamente que houve crime. Cabe à apuração verificar a finalidade dos contatos, a origem dos recursos e a eventual relação entre os fatos e decisões administrativas.

Defesa de Lulinha contesta diligências e pede encerramento da investigação

A defesa de Lulinha criticou a solicitação de novas medidas pela Polícia Federal e classificou a iniciativa como uma “fishing expedition”, expressão utilizada para descrever uma investigação que, na avaliação dos advogados, procura evidências sem uma hipótese suficientemente delimitada. Em nota, os representantes do empresário afirmaram que a suspeita inicial era a de que ele receberia R$ 300 mil mensais por intermédio de Roberta Luchsinger.

Segundo os advogados, os extratos bancários de Lulinha foram disponibilizados às autoridades e não apresentariam pagamentos de Roberta nos valores apontados ou em qualquer outra quantia. A defesa sustenta que a hipótese original teria sido desmentida pelos documentos e argumenta que a investigação passou a buscar outras possíveis evidências, como passagens aéreas e despesas de viagens.

Os representantes também defenderam que, diante da ausência de comprovação da suspeita inicial, o procedimento deveria ser encerrado. Em manifestação à CNN, a defesa de Roberta Luchsinger igualmente contestou a prorrogação e afirmou que, após cerca de um ano de investigação, o caminho deveria ser o arquivamento.

Por outro lado, a Polícia Federal argumenta que ainda há diligências relevantes a serem concluídas. A decisão sobre os pedidos de prorrogação e o andamento das investigações deverão indicar como o caso prosseguirá. Até lá, é necessário distinguir as suspeitas examinadas pelos investigadores das alegações apresentadas pelas defesas.

Em síntese, os pedidos de mais prazo demonstram que as apurações sobre possíveis relações entre Lulinha, empresários e órgãos públicos ainda não foram concluídas. As investigações abrangem contratos, movimentações financeiras, viagens internacionais e possíveis contatos com agentes públicos. No entanto, não há, nas informações apresentadas, uma conclusão definitiva que comprove a prática de tráfico de influência pelo empresário. O esclarecimento dependerá da análise dos documentos, dos resultados das diligências e das decisões judiciais tomadas ao longo do processo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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