Pivetta é reeleito e revela qual será sua aposta para o futuro da direita no Brasil

Sou político de poucas palavras e muitos atos, afirma Pivetta
Sou político de poucas palavras e muitos atos, diz Pivetta
Reeleito governador de Mato Grosso no primeiro turno das eleições de 2026, Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou que pretende manter no próximo mandato uma forma de atuação baseada menos em discursos e mais em resultados concretos. Em entrevista após a vitória nas urnas, o governador resumiu sua visão política ao dizer que é um “político de poucas palavras e muitos atos”, defendendo um modelo de gestão que, segundo ele, teria contribuído para o crescimento econômico do estado. Pivetta recebeu cerca de 60,77% dos votos válidos, enquanto Wellington Fagundes (PL) ficou em segundo lugar, com pouco mais de 23%, resultado que garantiu a definição da disputa ainda no primeiro turno. A vitória consolidou a permanência do grupo político que administra Mato Grosso e deu ao governador um novo mandato de quatro anos. Pivetta assumiu o Executivo estadual em março de 2026, depois da renúncia de Mauro Mendes, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. Dessa maneira, o resultado eleitoral passou a ser apresentado pelo governador como uma aprovação popular da linha de gestão adotada no estado.
Gestão e crescimento econômico de Mato Grosso
Ao comentar a reeleição, Pivetta afirmou que Mato Grosso vive um ciclo de prosperidade iniciado em 2019 e que a população teria escolhido manter essa trajetória. Segundo o governador, o principal diferencial de sua administração estaria na busca por equilíbrio financeiro, investimentos públicos e melhoria da infraestrutura necessária para sustentar a atividade econômica. O discurso está diretamente relacionado ao perfil produtivo de Mato Grosso, um dos principais polos do agronegócio brasileiro e grande produtor de soja, milho, algodão e carnes. Além disso, Pivetta destacou a capacidade de produção do estado como um dos fatores que permitem a manutenção de uma economia forte mesmo diante de mudanças no cenário nacional e internacional. Na avaliação do governador, essa estrutura teria proporcionado maior margem para que o governo estadual tomasse decisões sem depender diretamente de transferências ou de auxílio financeiro da União. Assim, a expressão “Sou político de poucas palavras” foi utilizada para reforçar a ideia de que sua gestão deveria ser avaliada principalmente pelas obras, pelos indicadores econômicos e pela capacidade administrativa, e não apenas pelos discursos políticos. Entretanto, como ocorre em qualquer avaliação de governo, os resultados econômicos também estão sujeitos a fatores externos, como preços internacionais das commodities, câmbio, investimentos privados e condições do mercado mundial.
Autonomia financeira é defendida por Pivetta
Um dos principais pontos destacados por Pivetta foi a situação financeira de Mato Grosso. O governador afirmou que o estado conquistou autonomia para administrar suas contas e que não mantém dependência financeira do governo federal. Para ele, essa independência permite que decisões estratégicas sejam tomadas localmente, de acordo com as necessidades do estado. A declaração também reflete uma visão política defendida por setores ligados ao agronegócio e ao centro-direita brasileiro, que costumam defender maior autonomia administrativa e fiscal para os estados. Mato Grosso possui uma economia fortemente ligada à produção agropecuária e às exportações, o que lhe dá uma posição diferenciada dentro da Federação. Pivetta citou ainda a dimensão da produção agrícola mato-grossense e a importância do estado para o abastecimento de mercados internacionais. Além disso, segundo o governador, a relação econômica com os Estados Unidos é diferente daquela existente com países que compram grandes volumes de produtos agrícolas brasileiros. Embora empresas americanas estejam presentes no estado e equipamentos dos Estados Unidos sejam utilizados no setor produtivo, Pivetta avaliou que eventuais medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump teriam impacto limitado sobre a economia mato-grossense. Dessa forma, a avaliação apresentada pelo governador é de que a diversificação dos mercados consumidores protege parcialmente Mato Grosso de decisões tomadas em Washington.
Apoio a Flávio Bolsonaro muda o tom da entrevista
No campo nacional, Pivetta adotou uma posição mais direta. Após a confirmação de sua vitória estadual, o governador declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026 contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A escolha acompanha o perfil político predominante em Mato Grosso, onde Flávio terminou o primeiro turno com ampla vantagem sobre Lula, alcançando aproximadamente 65% dos votos válidos no estado. Pivetta afirmou que o Brasil precisa passar por mudanças e defendeu reformas que, em sua avaliação, poderiam melhorar o ambiente econômico e estimular investimentos. O governador também criticou o nível de gastos públicos do governo federal e relacionou os juros elevados à dificuldade enfrentada por empresas e investidores. Segundo sua visão, uma eventual administração de Flávio Bolsonaro deveria adotar uma política econômica semelhante à linha defendida durante o governo Jair Bolsonaro, especialmente no período em que Paulo Guedes comandou o Ministério da Economia. Por isso, ao ser questionado sobre quem deveria ocupar o Ministério da Fazenda em um eventual governo Flávio, Pivetta afirmou esperar alguém alinhado à chamada “escola de Paulo Guedes”. A declaração reforçou sua aproximação com o campo político de direita e mostrou que sua reeleição estadual deverá ser acompanhada por uma atuação mais explícita no debate nacional.
Pivetta evita antecipar disputa presidencial de 2030
Apesar de demonstrar disposição para participar da política nacional, Pivetta foi mais cauteloso quando questionado sobre a eleição presidencial de 2030 e sobre uma possível candidatura de Tarcísio de Freitas. Reeleito governador de São Paulo no primeiro turno de 2026, Tarcísio foi elogiado por Pivetta como uma das novas figuras relevantes da política brasileira. O governador mato-grossense, entretanto, evitou tratar o paulista como candidato natural à Presidência daqui a quatro anos, argumentando que ainda seria muito cedo para antecipar uma disputa tão distante. A cautela é compreensível, principalmente porque o cenário político brasileiro poderá sofrer mudanças significativas até 2030. Ainda assim, Pivetta classificou Tarcísio como um grande governador e destacou sua trajetória relativamente recente na política. A avaliação ganha importância porque diferentes lideranças de direita já começam a discutir quem poderá ocupar espaços nacionais após a atual eleição presidencial. Paralelamente, a vitória de Pivetta em Mato Grosso e a força de candidatos alinhados à direita em diferentes estados demonstram que o campo conservador continuará tendo peso significativo no próximo ciclo político. Dessa maneira, embora o governador não tenha lançado nomes para 2030, sua própria declaração contribui para o debate sobre a renovação das lideranças nacionais.
Renovação política e crítica à velha estrutura pública
Outro ponto central da entrevista foi a defesa de uma renovação na política brasileira. Pivetta argumentou que o país precisa de pessoas dispostas a questionar práticas antigas e a utilizar a estrutura estatal para entregar serviços e obras à população. Na visão do governador, renovação política não significa necessariamente substituir políticos mais velhos por pessoas jovens, mas incorporar indivíduos com disposição para romper com métodos tradicionais considerados ineficientes. Essa interpretação combina com o discurso de gestão defendido por Pivetta em Mato Grosso, baseado em eficiência administrativa, controle de gastos e execução de projetos públicos. Entretanto, transformar esse discurso em resultados concretos será um dos principais desafios do novo mandato. Entre as demandas do estado estão investimentos em infraestrutura, logística, saúde, educação e segurança, além da necessidade de acompanhar a expansão da produção agropecuária. Ao mesmo tempo, o crescimento econômico de Mato Grosso exige planejamento para reduzir gargalos de transporte e ampliar a capacidade de escoamento da produção. Portanto, a ideia de uma política de “poucas palavras e muitos atos” será colocada à prova justamente na capacidade do governo de transformar promessas administrativas em entregas mensuráveis ao longo dos próximos quatro anos.
Novo mandato amplia espaço político de Pivetta
A reeleição no primeiro turno fortaleceu a posição de Otaviano Pivetta dentro da política mato-grossense e poderá ampliar seu espaço nas discussões nacionais. Com mais de 60% dos votos válidos, o governador obteve uma vitória confortável diante dos adversários e recebeu um novo mandato para conduzir o estado. Além disso, seu apoio declarado a Flávio Bolsonaro coloca Pivetta em uma posição de maior proximidade com o grupo político que disputará o segundo turno presidencial. O resultado de Mato Grosso também reforçou a dimensão dessa aproximação, já que Flávio obteve uma vantagem expressiva sobre Lula no estado no primeiro turno. Entretanto, a atuação nacional do governador dependerá não apenas de declarações políticas, mas também dos resultados de sua administração durante os próximos anos. Caso consiga manter indicadores econômicos positivos e avançar em infraestrutura e serviços públicos, Pivetta poderá consolidar sua imagem como uma liderança regional com maior influência no debate nacional. Por outro lado, problemas administrativos ou dificuldades econômicas poderão limitar esse espaço. Assim, a frase “Sou político de poucas palavras e muitos atos” passa a funcionar não apenas como uma definição de estilo, mas também como uma espécie de compromisso para o segundo mandato: entregar resultados suficientes para sustentar a imagem política construída em Mato Grosso e, ao mesmo tempo, ampliar sua relevância no cenário brasileiro.





