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Polícia Federal revelou que Master usou PDF, códigos e até o Word para conseguir documentos falsos

A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master revelou um mecanismo digital que teria sido utilizado para produzir documentos apresentados como comprovantes de operações financeiras. Segundo o relatório técnico-pericial, dados de clientes, arquivos em Word, documentos em PDF e códigos de programação foram empregados em uma espécie de estrutura organizada para gerar materiais considerados falsos pelos investigadores. A descoberta amplia a dimensão do caso porque indica que a produção documental não teria ocorrido de maneira isolada, mas dentro de um fluxo envolvendo diferentes setores da instituição.

De acordo com os elementos reunidos pela PF, a estrutura estava relacionada à criação de documentos destinados a sustentar operações de cessão de créditos envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Uma apresentação interna encontrada no acervo digital do banco teria registrado etapas que começavam na obtenção de dados e avançavam até a elaboração, assinatura e encaminhamento dos arquivos. Dessa forma, a investigação passou a examinar não apenas as transações financeiras, mas também os recursos tecnológicos que teriam sido empregados para dar aparência de regularidade aos documentos.

O material veio a público depois que partes das investigações do caso Master tiveram o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A PF aponta que as operações investigadas envolveram valores bilionários e que documentos falsificados teriam sido utilizados para sustentar créditos posteriormente negociados com o BRB. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, 14 de setembro, o relatório descreve uma estrutura que teria envolvido profissionais das áreas de tecnologia, operações e controles do banco.

Banco Master usou Word, PDFs e códigos em uma estrutura organizada

O funcionamento descrito pela Polícia Federal chama atenção pela utilização combinada de ferramentas comuns de escritório e recursos de programação. Segundo a perícia, informações obtidas de bases de dados eram transformadas em documentos que posteriormente poderiam ser apresentados como evidências de operações financeiras. Assim, programas como Word e arquivos em PDF teriam sido incorporados a um processo mais amplo de produção documental, enquanto códigos eram utilizados para automatizar determinadas etapas.

Uma apresentação interna apreendida durante as investigações teria ajudado os investigadores a reconstruir esse fluxo de trabalho. O arquivo, produzido dentro do próprio Banco Master, descrevia atividades realizadas entre junho e outubro de 2025 e apresentava uma sequência que passava pela extração de dados, montagem dos documentos, assinatura e posterior envio. Conforme o material analisado, funcionários de diferentes áreas teriam participado de etapas específicas desse procedimento, fazendo com que a produção fosse distribuída entre setores.

Além disso, a investigação aponta que os documentos estavam relacionados à carteira de créditos da Tirreno Consultoria, empresa que aparece nas apurações como parte da estrutura utilizada nas operações questionadas. O objetivo atribuído ao mecanismo seria criar arquivos capazes de representar créditos como existentes e aptos a serem negociados, embora parte deles tenha sido considerada fictícia pela PF. Com isso, a tecnologia teria servido como uma ferramenta para conferir aparência documental às operações que posteriormente passaram a ser investigadas.

Banco Master teria criado uma linha digital para documentos falsos

A expressão “linha de montagem” passou a ser utilizada para descrever o funcionamento identificado pelos investigadores, justamente porque diferentes tarefas teriam sido realizadas em sequência. Dados de clientes eram selecionados, informações eram inseridas nos arquivos e documentos eram produzidos em formatos que poderiam ser apresentados em operações financeiras. Posteriormente, esses materiais eram assinados e encaminhados, formando uma cadeia documental que, segundo a investigação, ajudava a sustentar os créditos negociados.

A apuração também procura identificar quem participou de cada etapa e qual era a função desempenhada por cada funcionário envolvido no processo. Entre os nomes citados nos documentos estão profissionais ligados às áreas de controles, tecnologia, projetos e operações do Banco Master, segundo informações divulgadas a partir dos arquivos analisados pela PF. Entretanto, a simples presença de um nome em uma apresentação ou documento investigativo não significa, por si só, que a pessoa tenha sido responsabilizada criminalmente, sendo necessário distinguir participação operacional, conhecimento dos fatos e eventual responsabilidade individual.

O caso ganhou relevância ainda maior porque as operações investigadas envolvem o BRB e valores que chegaram à casa dos bilhões de reais. Relatórios da PF indicam que o banco de Brasília transferiu cerca de R$ 17 bilhões em operações de compra de créditos do Master, sendo apontado que aproximadamente R$ 12,2 bilhões correspondiam a créditos considerados fictícios pelos investigadores. Nesse contexto, os documentos digitais passaram a ser examinados como parte fundamental da forma pela qual determinadas carteiras de crédito teriam sido apresentadas e negociadas.

Documentos digitais entram no centro da investigação do Banco Master

A descoberta dos arquivos também ajuda a explicar por que a investigação passou a analisar computadores, sistemas internos e documentos armazenados digitalmente no Banco Master. Além das movimentações financeiras, os investigadores precisam estabelecer como determinados créditos foram registrados, quais documentos os sustentavam e quem participou da criação desses registros. Por isso, mensagens, arquivos, códigos e apresentações internas podem ser utilizados para reconstruir a sequência dos acontecimentos e comparar a documentação produzida com a existência real dos créditos.

O caso Master, portanto, passou a reunir uma combinação de investigação financeira e perícia tecnológica, com o objetivo de identificar como operações de grande valor foram estruturadas. A partir dos documentos já divulgados, a Polícia Federal busca demonstrar de que maneira informações reais de clientes poderiam ter sido utilizadas para produzir materiais que representassem operações consideradas inexistentes ou irregulares. Agora, a análise desses elementos deverá contribuir para o esclarecimento das responsabilidades individuais e para a compreensão da extensão do esquema investigado.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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