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Prefeito Ricardo Nunes disse que está há alguns dias sem falar com Milton Leite, seu aliado

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou neste sábado, 19 de setembro de 2026, que o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) deverá responder pelos próprios atos após ser preso em uma investigação sobre a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista. Ao comentar a prisão do antigo aliado político, Nunes declarou: “Cada um que responda por seus atos”, ressaltando que Leite terá oportunidade de apresentar sua defesa durante o processo. A declaração foi dada durante a abertura da Virada Esportiva, no Pacaembu, um dia depois de o ex-presidente da Câmara Municipal se entregar às autoridades.

Nunes afirmou que todos os vereadores que fazem parte de sua base política são considerados seus aliados, independentemente do partido, mas destacou que isso não significa que ele possa responder individualmente pelas condutas atribuídas a cada parlamentar. Segundo o prefeito, não seria possível fazer uma incriminação antecipada de Milton Leite, pois caberá ao ex-vereador apresentar seus argumentos e à Justiça analisar as provas reunidas durante a investigação. O prefeito também afirmou que a decisão definitiva sobre eventual responsabilidade caberá ao juiz responsável pelo caso.

Milton Leite foi preso temporariamente na sexta-feira, 18 de setembro, depois de se apresentar à polícia em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele era um dos alvos da Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo para investigar suspeitas de infiltração do PCC em empresas do transporte coletivo paulistano. O ex-vereador havia sido procurado pelas autoridades no dia anterior, não foi encontrado inicialmente e depois informou que estava viajando e que pretendia se apresentar.

Ricardo Nunes fala sobre a prisão de Milton Leite

Ao comentar a prisão de Milton Leite, Ricardo Nunes também afirmou que não conversava com o ex-vereador havia alguns dias. O prefeito disse ainda que não havia falado com os filhos de Leite desde a prisão e explicou que havia participado anteriormente do lançamento das campanhas deles para deputado, assim como esteve em eventos de diversos outros candidatos. Segundo Nunes, essa participação em atividades políticas não significa que ele tenha conhecimento sobre eventuais atos investigados pelas autoridades.

A relação entre Nunes e Milton Leite vinha de anos anteriores, quando o ex-vereador exercia forte influência na Câmara Municipal de São Paulo. Leite foi vereador por mais de duas décadas e ocupou a presidência do Legislativo municipal durante seis anos, período em que manteve interlocução com diferentes administrações da capital. Na gestão de Nunes, sua atuação política também esteve relacionada à articulação da base do governo na Câmara.

Antes da prisão, Nunes havia declarado respeito pela trajetória política de Milton Leite e afirmado que caberia ao ex-vereador demonstrar sua inocência ou responder às acusações apresentadas no processo. Depois que Leite se entregou à polícia, o prefeito voltou a enfatizar que não poderia assumir responsabilidade por atos atribuídos individualmente a integrantes de sua base. A mudança de contexto ocorreu em meio ao avanço da investigação e à decretação da prisão temporária do ex-presidente da Câmara.

Investigação sobre o transporte público de São Paulo

A Operação Vectura Corrupta investiga suspeitas de infiltração do PCC em empresas que atuam no sistema de transporte coletivo de São Paulo. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa, a investigação alcançou empresários, agentes públicos e outras pessoas que teriam ligação com negócios e atividades relacionadas ao setor. A apuração também busca esclarecer possíveis relações entre integrantes do crime organizado, empresas de transporte e pessoas com atuação política.

De acordo com informações da investigação divulgadas pelo UOL, o Ministério Público apura a possível presença de representantes ou pessoas utilizadas como intermediárias pelo PCC em empresas do transporte coletivo da capital. Milton Leite é investigado nesse contexto e aparece entre os alvos da operação, mas ele nega envolvimento com a organização criminosa e afirmou ter convicção de que é inocente. A defesa também sustenta que o ex-vereador não se apresentou imediatamente porque estava fora do estado de São Paulo.

A investigação ocorre após outras operações que já haviam levantado suspeitas sobre a utilização de empresas de transporte para movimentação de recursos ligados ao crime organizado. O caso também provocou medidas da Prefeitura de São Paulo, que anunciou a criação de um grupo de trabalho para analisar documentos e contratos relacionados às empresas atingidas pelas apurações. A administração municipal afirmou que pretende acompanhar os desdobramentos e colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação.

Milton Leite nega envolvimento e terá direito à defesa

Milton Leite nega as acusações e declarou, antes de se entregar, que não estava tentando fugir das autoridades. Depois de ser localizado em Mogi das Cruzes, ele foi encaminhado para a unidade policial responsável pelo cumprimento do mandado de prisão temporária, acompanhado de advogado. A medida tem prazo inicial de 30 dias e poderá ser analisada pela Justiça durante o andamento das investigações.

Ao afirmar que “cada um que responda por seus atos”, Ricardo Nunes procurou separar sua relação política anterior com Milton Leite das responsabilidades que poderão ser atribuídas individualmente pela investigação. O prefeito ressaltou que o ex-vereador terá oportunidade de se defender e que caberá à Justiça avaliar os elementos apresentados no processo. Enquanto isso, a investigação sobre a possível infiltração do PCC no transporte público de São Paulo continuará em andamento, sem que as suspeitas representem, neste momento, uma condenação definitiva de Milton Leite.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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