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Presidente Lula acusou Flávio Bolsonaro de ter ligação com algumas milícias no RJ

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 18 de setembro, que existe um candidato à Presidência ligado a milicianos no Rio de Janeiro e, na sequência, mencionou integrantes da família Bolsonaro. A declaração foi feita durante entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, e ocorreu em meio ao confronto eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto. Embora não tenha citado Flávio nominalmente na primeira frase, Lula fez referência à família Bolsonaro imediatamente depois da afirmação sobre a suposta ligação com milícias.

Durante a entrevista, Lula declarou que, ao analisar a situação do Rio de Janeiro, seria possível perceber que integrantes da família Bolsonaro estariam envolvidos com milicianos. A afirmação foi apresentada pelo presidente como parte de suas críticas ao adversário e ao cenário político do estado, sem que ele tenha apresentado na entrevista uma nova prova para sustentar a acusação. Flávio Bolsonaro nega ter qualquer vínculo com milícias e respondeu às declarações feitas pelo presidente ainda nesta sexta-feira.

Na mesma conversa, Lula também voltou a falar sobre o Banco Master e sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição que está preso no âmbito das investigações relacionadas ao caso. O presidente afirmou que o banco recebeu autorização para funcionar durante o governo de Jair Bolsonaro e utilizou essa informação para responsabilizar a gestão anterior pela transformação do Master em banco. Dados publicados pelo UOL indicam que o Banco Master recebeu autorização do Banco Central para funcionar em 14 de outubro de 2019, durante o governo Bolsonaro e sob a presidência de Roberto Campos Neto na autoridade monetária.

Lula relaciona Flávio a milícias durante entrevista

Ao comentar a segurança pública no Rio de Janeiro, Lula afirmou que havia um candidato à Presidência ligado aos milicianos do estado. Na sequência, o presidente disse que muitas pessoas da família Bolsonaro estariam envolvidas com esses grupos, relacionando a declaração ao debate eleitoral de 2026. A fala de Lula foi interpretada pelas reportagens publicadas nesta sexta-feira como uma referência a Flávio Bolsonaro, embora o presidente não tenha pronunciado o nome do senador no trecho inicial da acusação.

Flávio Bolsonaro negou a acusação e respondeu dizendo que pretende classificar facções criminosas e milícias como grupos terroristas caso seja eleito. Em declaração ao Metrópoles, o candidato afirmou que PCC, Comando Vermelho e milícias seriam incluídos em uma política de combate ao crime organizado e chamou Lula de “gagá”. O programa de governo de Flávio, segundo o Metrópoles, prevê uma política de enfrentamento ao crime organizado e a classificação de facções e milícias como organizações narcoterroristas.

A troca de acusações ocorreu enquanto Lula cumpria agenda no Rio de Janeiro e voltava a defender ações contra organizações criminosas. No mesmo dia, o presidente afirmou que pretende trabalhar para desocupar territórios dominados por facções e deixar o estado livre da criminalidade, segundo declaração feita durante visita a uma estrutura da Polícia Rodoviária Federal. A segurança pública passou, assim, a ocupar espaço central no discurso do presidente durante a agenda no estado, em paralelo aos ataques direcionados ao adversário eleitoral.

Lula cita Banco Master e governo Bolsonaro

Ao tratar do Banco Master, Lula afirmou que o grupo ligado à família Bolsonaro teria criado um banqueiro e que seu governo teria transformado Daniel Vorcaro em prisioneiro. A declaração foi uma referência ao fato de o Banco Master ter recebido autorização do Banco Central para operar como instituição bancária em outubro de 2019, durante a gestão Bolsonaro. A autorização ocorreu sob a presidência de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro para comandar o Banco Central.

O presidente também mencionou a prisão de Vorcaro e procurou estabelecer uma comparação entre os períodos dos dois governos. Segundo informações publicadas pelo UOL, Vorcaro está preso desde março de 2026, enquanto o Banco Master foi posteriormente liquidado sob a gestão de Gabriel Galípolo, indicado por Lula para a presidência do Banco Central. A trajetória do banco e as relações de Vorcaro com políticos e autoridades passaram a integrar o debate eleitoral depois que mensagens e outros documentos vieram a público.

A ligação entre Flávio Bolsonaro e o caso Master também passou a ser explorada politicamente após a divulgação de informações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção relacionada à trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio foi incluído como investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal que apura repasses do Banco Master para o filme e o destino de aproximadamente R$ 61 milhões. A existência da investigação, porém, não equivale por si só a uma conclusão sobre responsabilidade criminal, e as circunstâncias do caso seguem sendo apuradas.

Disputa eleitoral amplia confronto entre Lula e Flávio

As declarações desta sexta-feira fazem parte de uma sequência de ataques entre Lula e Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial. Nos últimos dias, o presidente já havia utilizado termos semelhantes ao falar do adversário em uma transmissão direcionada a militantes e influenciadores do PT, quando o chamou de “miliciano” e fez novas acusações relacionadas ao crime organizado. Flávio, por sua vez, tem respondido com propostas voltadas ao combate às facções e às milícias e passou a incluir esses grupos entre aqueles que pretende classificar como organizações terroristas.

O Banco Master também se tornou um dos temas explorados na disputa eleitoral, especialmente diante das informações envolvendo Daniel Vorcaro e seus contatos com políticos, empresários e integrantes do Judiciário. Lula afirmou que o caso representa um problema que precisa ser investigado e também criticou integrantes do Supremo Tribunal Federal citados nas apurações, embora tenha defendido que a Corte continue exercendo suas funções. As declarações do presidente sobre o assunto foram feitas durante a mesma entrevista em que ele associou a família Bolsonaro às milícias e responsabilizou o governo anterior pela transformação do Master em banco.

O confronto entre os dois candidatos passou a reunir, portanto, temas como segurança pública, crime organizado, Banco Master, relações entre políticos e empresários e atuação do Judiciário. De um lado, Lula utiliza esses assuntos para criticar o adversário e relacionar sua família a episódios que estão no centro do debate público, enquanto Flávio rejeita as acusações e apresenta propostas próprias para o combate ao crime. As declarações e contrapontos registrados nesta sexta-feira mostram como esses temas passaram a ocupar espaço na campanha presidencial de 2026, sem que as acusações feitas durante a disputa representem, por si mesmas, conclusões definitivas das investigações em andamento.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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