Presidente Lula voltou a comentar sobre a preocupação com a suposta interferência dos EUA nas eleições brasileiras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a citar Donald Trump nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, durante um ato de campanha em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ao abordar a possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, Lula afirmou que, caso Trump “meta a mão” no processo eleitoral, “vai perder”. A declaração ocorreu dez dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Durante o discurso, Lula afirmou que já havia tratado diretamente do assunto com o presidente norte-americano e reforçou que não aceitará interferência estrangeira na eleição brasileira. Segundo o presidente, a decisão sobre o futuro do país deverá ser tomada pelos próprios eleitores brasileiros. A fala foi feita durante uma caminhada ao lado de Eduardo Paes, candidato ao governo do Rio de Janeiro, e dos candidatos ao Senado Benedita da Silva e Pedro Paulo.
A declaração retomou um tema que Lula vem abordando publicamente nas últimas semanas, especialmente em relação às relações entre Brasil e Estados Unidos. Em entrevista à CNN Internacional antes da Assembleia Geral da ONU, o presidente já havia pedido que Trump não interferisse nas eleições brasileiras e afirmado que o norte-americano havia sido eleito para governar os Estados Unidos.
Lula volta a falar sobre possível interferência dos EUA
A preocupação com uma eventual interferência estrangeira também foi apresentada por Lula durante seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, na terça-feira, 22 de setembro. Na ocasião, o presidente não citou Trump diretamente ao abordar as eleições, mas afirmou que o Brasil não permitiria que forças externas interferissem na vontade dos eleitores. Lula também declarou que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e que o país continuaria sendo soberano.
Dois dias depois, durante o ato no Rio de Janeiro, o presidente voltou a fazer referência direta ao presidente norte-americano. “Eu disse para o Trump que nas eleições aqui, se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições”, afirmou Lula, acrescentando que o Brasil não aceitaria “a ingerência de ninguém”. A declaração foi apresentada no contexto da defesa da autonomia do processo eleitoral brasileiro.
A manifestação ocorreu também após Lula participar, na noite anterior, de uma agenda com artistas e representantes da área cultural no Rio. Nesse evento, o presidente havia criticado o tom adotado por Trump em declarações internacionais e afirmado que não pretendia fazer uma guerra com o norte-americano, mas disputar a chamada “narrativa”. As falas fazem parte de uma sequência recente de manifestações de Lula sobre as relações entre os dois países.
Eleições de 2026 entram no debate entre Brasil e Estados Unidos
A discussão sobre possível interferência estrangeira ocorre em meio a uma relação marcada por divergências entre os governos brasileiro e norte-americano. Lula tem defendido a soberania nacional e o respeito ao processo eleitoral brasileiro, enquanto questões envolvendo comércio, tarifas e posicionamentos diplomáticos também passaram a fazer parte do relacionamento entre Brasília e Washington.
Em setembro, Lula já havia afirmado que levaria à ONU a preocupação com uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Segundo informações divulgadas pelo g1, o presidente também havia tratado do assunto em uma conversa telefônica com Trump no fim de agosto, quando o norte-americano perguntou sobre as eleições de outubro. De acordo com interlocutores da diplomacia brasileira citados pelo veículo, Trump não teria questionado as urnas eletrônicas nem o sistema eleitoral brasileiro naquela conversa.
O tema também ganhou espaço após declarações de integrantes da política brasileira sobre a relação com o governo norte-americano. Em maio, Flávio Bolsonaro foi recebido por Trump na Casa Branca e afirmou que os dois discutiram assuntos como segurança pública, tarifas e terras raras, enquanto em março o senador havia defendido acompanhamento internacional das eleições brasileiras. Esses episódios passaram a integrar o contexto político no qual Lula vem mencionando a possibilidade de interferência externa.
Lula reforça defesa da soberania brasileira
Ao voltar a mencionar Trump em São Gonçalo, Lula associou a discussão sobre interferência estrangeira à defesa da soberania do Brasil e à participação dos eleitores no processo eleitoral. O presidente também havia afirmado na ONU que o país possui um sistema eleitoral “moderno e robusto” e que não permitiria que forças internas ou externas atentassem contra a vontade popular. A próxima votação geral está prevista para 4 de outubro, quando serão escolhidos presidente, governadores e representantes do Legislativo.
A declaração desta quinta-feira representa mais uma manifestação pública de Lula sobre o relacionamento com Trump e sobre a condução das eleições brasileiras. O presidente norte-americano foi citado diretamente pelo petista em meio à defesa de que decisões sobre o processo eleitoral sejam tomadas dentro das instituições brasileiras. Até o momento, as falas de Lula sobre o tema têm sido apresentadas como parte de seu discurso sobre soberania e não interferência estrangeira.





