A expectativa dos brasileiros piorou em relação à economia do país após a reeleição de Lula

A expectativa de que a economia brasileira apresente resultados negativos nos próximos meses ganhou força depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo uma nova pesquisa Quaest divulgada neste domingo, 8 de novembro de 2026. O levantamento mostra que 39% dos brasileiros acreditam que a situação econômica do país vai piorar nos próximos 12 meses, enquanto outros 39% esperam uma melhora, estabelecendo um empate entre otimistas e pessimistas. O resultado chama a atenção porque representa uma mudança significativa em relação ao cenário observado antes das eleições presidenciais, quando a expectativa positiva era consideravelmente maior entre os entrevistados.
A pesquisa foi encomendada pelo jornal O Globo e apresenta um retrato das perspectivas econômicas da população depois da definição do resultado eleitoral, em um momento no qual o governo precisa lidar com cobranças relacionadas ao custo de vida, às contas públicas e ao crescimento do país. Além disso, o levantamento revela que 19% dos entrevistados acreditam que a economia permanecerá na mesma situação durante os próximos 12 meses, enquanto 3% não souberam responder. Dessa maneira, os números indicam que a vitória eleitoral de Lula não foi acompanhada por uma melhora generalizada nas expectativas econômicas dos brasileiros, mesmo entre aqueles que desejam que a nova etapa do governo apresente resultados positivos.
Outro aspecto importante é a diferença entre as expectativas manifestadas antes e depois da eleição, especialmente quando os números são comparados com os resultados de agosto de 2026. Naquele período, 46% dos entrevistados acreditavam que a economia melhoraria, enquanto apenas 24% projetavam uma piora, demonstrando uma vantagem expressiva do grupo otimista. Agora, com os dois indicadores empatados em 39%, a pesquisa registra a primeira igualdade entre as expectativas positivas e negativas durante o terceiro mandato de Lula, revelando uma mudança na percepção dos brasileiros sobre as perspectivas econômicas do país.
Eleitores citam expectativa de piora na economia após vitória de Lula
A comparação com o período posterior à eleição presidencial de 2022 também ajuda a dimensionar a mudança identificada pelo instituto Quaest. Em dezembro daquele ano, quando Lula havia acabado de derrotar Jair Bolsonaro (PL), 47% dos brasileiros esperavam uma melhora da economia, enquanto 29% acreditavam que a situação poderia piorar nos 12 meses seguintes. Portanto, o cenário atual apresenta uma diferença importante em relação àquele momento, pois a expectativa positiva perdeu espaço e o percentual de entrevistados que projetam dificuldades econômicas aumentou dez pontos percentuais em comparação com dezembro de 2022.
Os dados também mostram que a percepção sobre o futuro econômico varia consideravelmente conforme a renda familiar, a escolaridade e a região onde os entrevistados vivem. Entre os brasileiros com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 49% acreditam que a economia vai piorar, enquanto 30% esperam uma melhora, indicando uma predominância do pessimismo nesse grupo. Além disso, a diferença aumentou em relação a agosto, quando 30% dos entrevistados dessa faixa de renda projetavam dificuldades econômicas, demonstrando que a expectativa negativa avançou especialmente entre os brasileiros com maior poder aquisitivo.
A divisão regional apresenta outro resultado expressivo, principalmente quando são observadas as respostas dos moradores do Sul e do Nordeste. Na região Sul, 58% dos entrevistados esperam uma piora da economia, enquanto 24% acreditam em uma melhora, estabelecendo uma diferença de 34 pontos percentuais entre as duas avaliações. No Nordeste, por outro lado, a expectativa positiva predomina, com 50% projetando melhora e 25% acreditando em uma piora, revelando que a percepção sobre o futuro econômico não é uniforme entre as diferentes regiões brasileiras.
Pessimismo econômico cresce entre eleitores da direita e bolsonaristas
A escolaridade também aparece como um fator associado às expectativas econômicas identificadas pela pesquisa, com diferenças relevantes entre os grupos entrevistados. Entre as pessoas que possuem ensino superior, 46% acreditam que a situação econômica vai piorar nos próximos 12 meses, enquanto 31% esperam uma melhora, indicando uma predominância de avaliações negativas nesse segmento. Já entre os brasileiros que recebem até dois salários mínimos, o resultado é diferente, pois 48% projetam uma melhora da economia e 29% esperam dificuldades, sugerindo que a percepção sobre o futuro financeiro também está relacionada às condições socioeconômicas da população.
A identificação política dos entrevistados apresenta uma das maiores diferenças encontradas pelo levantamento, especialmente quando são comparadas as respostas de lulistas e bolsonaristas. Entre os eleitores que se identificam com Lula, 79% esperam uma melhora da economia e apenas 2% acreditam em uma piora, enquanto entre os bolsonaristas o cenário é praticamente inverso, com 84% projetando dificuldades econômicas. Na direita não bolsonarista, a expectativa negativa também alcançou 80%, depois de representar 42% em agosto, mostrando que a percepção sobre a economia está fortemente associada às posições políticas manifestadas pelos entrevistados.
A diferença entre os grupos demonstra que a avaliação do futuro econômico brasileiro envolve não apenas indicadores financeiros, mas também expectativas construídas a partir do ambiente político e das experiências individuais. Entretanto, os percentuais precisam ser interpretados considerando que uma pesquisa de opinião registra percepções e projeções dos entrevistados, não representando uma previsão comprovada sobre o comportamento futuro da economia. Assim, o empate nacional entre otimistas e pessimistas revela um cenário de incerteza, no qual as próximas decisões do governo, o comportamento da inflação, os juros, o emprego e a renda poderão influenciar a avaliação dos brasileiros.
Economia, gastos públicos e dívida preocupam brasileiros após reeleição
Além das expectativas sobre o desempenho econômico, o levantamento identificou quais assuntos provocam maior preocupação entre os brasileiros em relação ao próximo período do governo Lula. Entre os entrevistados que demonstraram preocupação com o futuro do país, economia, gastos públicos, dívida e juros aparecem como o principal conjunto de problemas, mencionado por 27%. Na sequência, segurança pública, violência, facções criminosas, milícias e drogas foram apontadas por 17%, enquanto corrupção, escândalos políticos e governabilidade, incluindo a relação com o Congresso e a oposição, registraram 12% cada.
Os resultados da Quaest mostram que a reeleição de Lula foi acompanhada por uma mudança importante nas expectativas econômicas, com o percentual de brasileiros que projetam melhora caindo e o grupo que prevê dificuldades avançando em relação aos levantamentos anteriores. Embora a pesquisa não permita afirmar que a economia necessariamente vai piorar, a igualdade entre otimistas e pessimistas representa um sinal de atenção para a administração federal, especialmente diante das cobranças relacionadas às contas públicas e ao poder de compra da população. Nesse contexto, a capacidade do governo de apresentar resultados concretos em crescimento econômico, controle das despesas, geração de empregos e redução do custo de vida será fundamental para acompanhar como a percepção dos brasileiros poderá evoluir nos próximos meses.





