Quase na reta final do segundo turno, Lula e Flávio tentam conquistar novos eleitores

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram a busca por eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 4 de outubro. Segundo levantamento publicado pelo Metrópoles, 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto, tornando a abstenção um dos principais desafios da disputa presidencial. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as duas campanhas procuram ampliar a participação eleitoral e conquistar votos que podem influenciar o resultado da votação.
O contingente de eleitores ausentes representa um público numeroso, mas não constitui um grupo com preferências políticas uniformes, já que reúne pessoas desmotivadas, cidadãos que enfrentaram dificuldades para votar e eleitores insatisfeitos com as candidaturas disponíveis. Uma pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada em 8 de outubro, mostrou que 40% dos entrevistados que não votaram no primeiro turno afirmaram que certamente não compareceriam no segundo. Outros 38% disseram que provavelmente não votariam novamente, enquanto 22% consideravam a possibilidade de participar da eleição.
O levantamento ouviu 1.600 pessoas entre os dias 6 e 7 de outubro e apresentou margem de erro de três pontos percentuais. Os números indicam que convencer os eleitores ausentes a comparecer às urnas será uma tarefa difícil para os dois candidatos, pois a maioria dos entrevistados demonstrou pouca disposição para votar novamente. Além de estimular a participação, Lula e Flávio precisam disputar a preferência de pessoas que não necessariamente apoiam qualquer um dos dois projetos políticos.
Lula mira eleitores ausentes e reforça campanha no Sudeste
A campanha de Lula pretende ampliar a mobilização de eleitores que tradicionalmente votam no PT, mas não compareceram no primeiro turno, além de buscar apoio entre cidadãos que ainda não decidiram como votar. O presidente também passou a direcionar mensagens a pessoas que estão cansadas da polarização ou não se identificam com os símbolos associados aos dois candidatos. A estratégia inclui ampliar a comunicação nas redes sociais, reforçar a presença nas ruas e apresentar argumentos para convencer esse público a participar da votação de 25 de outubro.
O Sudeste ganhou importância na estratégia petista porque concentra os maiores colégios eleitorais do país e registrou índices de abstenção superiores à média nacional em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Em 9 de outubro, o senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação da campanha, afirmou que Lula daria prioridade a agendas nessas três unidades da Federação. A iniciativa busca ampliar o alcance da candidatura em regiões nas quais o comparecimento dos eleitores poderá ter impacto relevante na votação final.
O Nordeste continua sendo uma região importante para Lula, que obteve vantagem expressiva no primeiro turno, mas a campanha também precisa preservar os votos já conquistados e procurar novos apoios em outras partes do país. A equipe petista pretende dialogar com eleitores que não participaram da primeira votação por desinteresse ou insatisfação, apresentando propostas e alertas sobre as consequências de uma eventual vitória do adversário. A estratégia combina, portanto, a mobilização da base tradicional com a tentativa de alcançar pessoas que ainda não demonstraram preferência definida.
Flávio Bolsonaro tenta preservar a vantagem do primeiro turno
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, segundo os resultados eleitorais divulgados. O senador busca preservar essa vantagem e ampliar seu total de votos, inclusive entre os eleitores que não compareceram às urnas na primeira etapa. Para isso, a campanha também depende da mobilização de aliados políticos, lideranças regionais e apoiadores que possam incentivar a participação no segundo turno.
A estratégia de Flávio inclui a defesa de mudanças na condução do país e a exploração de temas como segurança pública, custo de vida e endividamento das famílias. A campanha também procura atrair eleitores de candidatos derrotados no primeiro turno, especialmente aqueles identificados com a direita ou contrários ao PT. Esse movimento busca ampliar a base eleitoral do senador sem depender exclusivamente da transferência de votos de quem já declarou apoio à sua candidatura.
Entretanto, os eleitores que se abstiveram não podem ser considerados automaticamente favoráveis a um dos dois candidatos. Parte desse público pode rejeitar ambas as candidaturas, enquanto outra parcela pode decidir votar apenas depois de avaliar as propostas e os argumentos apresentados durante a campanha. Por isso, o desafio de Flávio envolve tanto manter mobilizados os eleitores que já o apoiaram quanto convencer novos participantes a comparecerem às urnas.
Estados com maior abstenção entram no radar das campanhas
Os dados do primeiro turno mostram diferenças importantes entre os estados brasileiros no percentual de eleitores que não votaram. Mato Grosso do Sul registrou a maior taxa entre os estados destacados no levantamento, com 23,87%, seguido pelo Rio de Janeiro, com 23,32%, e por Minas Gerais, com 22,81%. São Paulo também apresentou índice elevado, de 22,54%, enquanto Mato Grosso registrou 22,20%, números que ajudam a explicar a atenção das campanhas aos grandes colégios eleitorais.
Goiás teve abstenção de 21,83%, seguido por Rondônia, com 21,71%, Espírito Santo, com 21,37%, e Rio Grande do Sul, com 21,35%. Os percentuais demonstram que a ausência nas urnas atingiu diferentes regiões do país, sem ficar restrita a um único perfil geográfico ou político. Para as campanhas, esses dados ajudam a identificar locais onde a mobilização eleitoral poderá receber maior atenção na reta final.
Apesar da importância dos números, uma taxa elevada de abstenção não revela, por si só, qual candidato seria beneficiado caso mais pessoas votassem. O efeito sobre o resultado dependerá das preferências dos eleitores que decidirem comparecer no segundo turno e da capacidade de cada campanha de alcançar esse público. A ausência eleitoral, portanto, é um desafio comum a Lula e Flávio, mas não representa uma reserva automática de votos para qualquer candidatura.
Segundo turno terá disputa pela participação dos eleitores
A pesquisa Real Time Big Data indica que a maior dificuldade pode estar em convencer os eleitores ausentes a participar, já que 78% dos entrevistados nessa condição afirmaram que certamente ou provavelmente não votariam novamente. O resultado reúne os 40% que descartaram com certeza a participação e os 38% que disseram que provavelmente ficariam fora da votação. Como o levantamento foi realizado poucos dias depois do primeiro turno, as respostas retratam a disposição declarada naquele momento e não garantem que o comportamento se manterá até 25 de outubro.
A ausência no primeiro turno não impede que o eleitor apto vote no segundo, pois cada etapa corresponde a uma votação independente para fins de comparecimento. As campanhas ainda têm tempo para apresentar propostas, mobilizar apoiadores e tentar convencer os cidadãos que não participaram da primeira etapa. O resultado dessa movimentação dependerá tanto da disposição dos eleitores quanto das mensagens e iniciativas adotadas por Lula e Flávio durante as semanas finais da disputa.
Com a votação marcada para 25 de outubro, os candidatos precisam conciliar a manutenção de suas bases com a tentativa de atrair novos votos e reduzir a abstenção. Lula aposta em ampliar o diálogo com eleitores desmotivados e reforçar sua presença em estados estratégicos, enquanto Flávio procura preservar a votação obtida e incorporar apoios ligados a candidaturas derrotadas. A participação dos 33,4 milhões de eleitores ausentes poderá alterar a composição do eleitorado presente no segundo turno, mas seu impacto dependerá de quantos retornarão às urnas e de suas escolhas individuais.





