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Quem é Mario Frias? De ator de Malhação a alvo da PF no caso Dark Horse

Quem é Mario Frias, alvo da operação da PF sobre Dark Horse

Quem é Mario Frias alvo da operação da Polícia Federal que investiga suspeitas envolvendo recursos públicos e o filme Dark Horse, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro? Ator conhecido nacionalmente desde os anos 1990, ex-secretário especial da Cultura e atualmente deputado federal pelo PL de São Paulo, Frias passou a ocupar o centro de uma nova frente de investigação nesta quinta-feira (10). A Operação Make Up, realizada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também tem entre seus alvos Karina Ferreira da Gama, ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à produção do longa. Entretanto, a realização das buscas não representa condenação: as responsabilidades individuais ainda deverão ser determinadas durante a investigação.

Quem é Mario Frias alvo da Operação Make Up

Antes de entrar para a política, Mario Frias construiu uma longa carreira na televisão. Nascido no Rio de Janeiro, ele ganhou projeção principalmente após protagonizar Malhação, no fim dos anos 1990, e posteriormente participou de produções como O Beijo do Vampiro, Senhora do Destino, Floribella e Os Mutantes. A trajetória política começou de forma mais direta em 2020, quando foi escolhido pelo então presidente Jair Bolsonaro para assumir a Secretaria Especial da Cultura, substituindo a atriz Regina Duarte. Frias permaneceu no posto até março de 2022 e, posteriormente, entrou na disputa eleitoral. No mesmo ano, foi eleito deputado federal por São Paulo com 122.564 votos. Além disso, sua relação política com Bolsonaro permaneceu próxima depois da passagem pelo Executivo. Atualmente, Frias tenta conquistar a reeleição para a Câmara dos Deputados, enquanto também participa do projeto cinematográfico Dark Horse como roteirista e produtor-executivo.

Passagem pela Cultura marcou entrada definitiva de Frias na política

A atuação de Frias na Secretaria Especial da Cultura foi marcada por decisões que provocaram debates políticos e jurídicos. Durante sua gestão, por exemplo, foram adotadas posições críticas a diferentes políticas de financiamento cultural, enquanto a aplicação de recursos federais no setor também passou a ser questionada por representantes da área. Outro episódio relevante daquele período foi o incêndio que atingiu um galpão da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, em julho de 2021, poucos dias depois de alertas públicos sobre riscos enfrentados pelo patrimônio armazenado no local. Além disso, uma portaria publicada durante sua administração tentou impedir o uso da chamada linguagem neutra em projetos financiados pela Lei Rouanet, medida posteriormente derrubada judicialmente. Contudo, esses episódios pertencem à trajetória administrativa do então secretário e não constituem, por si mesmos, elementos da atual Operação Make Up. A investigação deflagrada agora possui como foco específico o destino de recursos provenientes de emendas parlamentares e suas possíveis conexões financeiras.

Operação investiga emendas e possível desvio de recursos públicos

Segundo a Polícia Federal, a Operação Make Up apura suspeitas de desvio de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares a organizações da sociedade civil. Os investigadores apontam a possível existência de uma estrutura formada por agentes públicos e privados que teria direcionado dinheiro para empresas subcontratadas irregularmente, inclusive em situações nas quais a efetiva prestação dos serviços estaria sob questionamento. Além disso, análises financeiras identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas investigadas. Entre os crimes apurados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades relacionadas a licitações. No caso de Frias, uma das linhas investigativas envolve R$ 2 milhões em emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina Gama. Parte dessas verbas tinha oficialmente como finalidade projetos sociais, enquanto os investigadores apuram se os recursos tiveram outro destino. Portanto, a finalidade efetiva do dinheiro ainda precisa ser demonstrada pelas provas reunidas no processo.

Quem é Mario Frias alvo ligado também à produção de Dark Horse

A ligação de Frias com Dark Horse tornou o caso ainda mais politicamente sensível. O deputado não aparece apenas como parlamentar que destinou emendas a uma entidade associada à produtora: ele também atua como produtor-executivo e roteirista da obra. Além disso, vieram a público mensagens nas quais Frias conversava com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre apoio financeiro ao projeto. Em um áudio de dezembro de 2024, o parlamentar agradeceu a Vorcaro pelo apoio e comentou sobre o potencial do filme. Investigações separadas também apuram os recursos privados destinados pelo ex-banqueiro à produção. Segundo informações já reveladas, pelo menos R$ 61 milhões foram repassados por Vorcaro para a obra. Entretanto, é necessário separar as duas frentes: a existência de financiamento privado para o longa não demonstra, automaticamente, que as emendas parlamentares destinadas a projetos sociais tenham sido desviadas. Essa eventual conexão precisa ser comprovada documentalmente pelos investigadores.

Defesa de Mario Frias nega uso de emendas no filme

Antes mesmo da operação desta quinta-feira, Frias já havia apresentado manifestação ao STF negando que recursos de suas emendas parlamentares tenham sido utilizados na produção de Dark Horse. A defesa classificou como especulativa a hipótese de uma triangulação financeira e argumentou que as verbas possuíam finalidades sociais e esportivas específicas. Além disso, sustentou que não se tratava das chamadas “emendas Pix”, mas de transferências com objetos previamente definidos e registrados no sistema federal Transferegov. Em maio, o parlamentar chegou a pedir a Flávio Dino o arquivamento da apuração. A defesa também citou uma análise técnica da Câmara dos Deputados para sustentar a compatibilidade entre os objetos indicados nas emendas e os planos de trabalho apresentados. Por outro lado, a investigação continuou avançando e resultou agora nas buscas autorizadas pelo Supremo. Dessa forma, caberá à PF, à CGU, ao Ministério Público e posteriormente ao Judiciário avaliar se as suspeitas encontram respaldo nas provas coletadas.

Quem é Mario Frias alvo e o que acontece depois da operação

Por fim, entender quem é Mario Frias alvo da Operação Make Up exige separar sua trajetória pública das suspeitas que estão sendo investigadas. O parlamentar saiu da televisão para ocupar um cargo de destaque no governo Bolsonaro, tornou-se deputado federal e, posteriormente, participou diretamente da criação de uma cinebiografia do ex-presidente. Agora, sua relação com entidades beneficiadas por emendas e com a produção de Dark Horse está sendo examinada pela Polícia Federal. A operação desta quinta-feira representa uma etapa de coleta de evidências, e não uma conclusão sobre culpa. Documentos e outros materiais apreendidos poderão ser analisados e cruzados com movimentações financeiras e contratos já obtidos pelos investigadores. Além disso, existe outra investigação no Supremo, sob relatoria de André Mendonça, relacionada ao financiamento privado do filme. Assim, embora as frentes possuam conexões temáticas, cada uma deverá ser analisada conforme suas próprias provas, enquanto Frias e os demais investigados mantêm o direito de apresentar suas versões e defesas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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