Regina Duarte se manifesta pela 1ª vez nas eleições de 2026 após encontrar cartaz com adesivos do PT

A atriz Regina Duarte viralizou nas redes sociais na madrugada desta segunda-feira (12) com uma publicação que marcou sua primeira manifestação pública durante a campanha eleitoral de 2026. Ela compartilhou uma imagem de um cartaz de sua peça de teatro, localizado na rua do Teatro BDO Jaraguá, no centro de São Paulo, com o rosto coberto por adesivos do Partido dos Trabalhadores. Ao lado da foto, a atriz apareceu fazendo com as mãos o número 22, que corresponde ao Partido Liberal, de Flávio Bolsonaro. A postagem já ultrapassou mais de 215 mil curtidas em poucas horas.
“Olha só o que fizeram”
Na legenda, Regina escreveu com tom irônico: “Olha só o que fizeram na foto/cartaz que estava na rua do meu espetáculo. Abusados, não?! Dá bem pra ver que me obrigaram a fazer o 22!”. A reação da atriz rapidamente ganhou repercussão entre seus seguidores, dividindo comentários de apoio e também de crítica. O teatro fica a poucos quilômetros da Avenida Paulista, palco de uma grande manifestação de apoiadores do PT no dia anterior, domingo (11). Até aquele momento, a artista havia mantido silêncio sobre a disputa eleitoral.
A peça e o momento cultural
Regina está em cartaz com o espetáculo “A Filha Da…”, onde divide o palco com a filha, Gabriela Duarte. A produção tem chamado atenção por trazer ao público um diálogo entre gerações, refletindo também sobre memória, família e relações afetivas. Pouco depois da publicação sobre o cartaz, a atriz compartilhou em seus Stories uma foto de sua gata, Nini, acompanhada da música “A Cara do Brasil”, interpretada por Ney Matogrosso — uma escolha que também foi lida por muitos seguidores como uma referência simbólica ao momento vivido pelo país.
Um histórico que vem de longe
A postagem reacendeu lembranças de posicionamentos anteriores da atriz. A relação de Regina Duarte com o PT é marcada por divergências que se estendem por mais de duas décadas. Em 2002, durante a campanha presidencial daquele ano, ela declarou publicamente ter “medo” de uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva — uma frase que voltou a ser repetida por ela mesma em momentos seguintes. Em 2018, passou a apoiar abertamente a candidatura de Jair Bolsonaro, aproximando-se de grupos políticos que ganhariam protagonismo nos anos seguintes.
Passagem pelo governo e reflexões posteriores
Em fevereiro de 2020, um episódio chamou a atenção nacional: a saída de Roberto Alvim da Secretaria Especial da Cultura e o convite feito a Regina Duarte para assumir o cargo. Ela tomou posse em março daquele ano, mas permaneceu na função por apenas 74 dias. Sua saída foi anunciada oficialmente em 20 de maio, em meio a atritos sobre nomeações e críticas sobre sua própria rotina, que mantinha residência em São Paulo em vez de Brasília. Na ocasião, chegou a ser indicada para presidir a Cinemateca Brasileira, mas nunca efetivamente assumiu o cargo. Anos depois, em 2023, a atriz avaliou aquele período com franqueza: disse ter se arrependido de aceitar o convite, reconhecendo que não estava preparada para os desafios da função pública.
Uma carreira interrompida e novos caminhos
Para aceitar o convite ao cargo no governo federal, Regina Duarte tomou uma decisão difícil: encerrou um vínculo profissional de cinco décadas com a TV Globo, emissora onde construiu grande parte de sua trajetória artística, interpretando personagens que marcaram gerações de brasileiros. Desde então, tem se afastado das novelas e se dedicado tanto ao teatro quanto às artes plásticas, encontrando novas formas de expressão criativa. O episódio do cartaz mostra que, independentemente de sua escolha pessoal em período eleitoral, o público continua acompanhando cada passo seu — tanto como artista quanto como cidadã. Que as ruas e os espaços culturais continuem sendo locais de encontro, de arte e de respeito entre diferentes ideias.





