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Relatório da PF liga Toffoli a um holding em paraíso fiscal, mas documento está parado no STF

Um relatório da Polícia Federal colocou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no centro de uma apuração sobre recursos ligados ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo o documento, existem elementos que levantam a hipótese de que Toffoli tenha sido o beneficiário final ou proprietário de fato do fundo de investimento Arleen. A investigação aponta ainda que cerca de R$ 35 milhões repassados por Vorcaro ao fundo acabaram transferidos para uma estrutura registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.

O relatório foi produzido pela Polícia Federal e permaneceu sob sigilo durante meses, enquanto estava relacionado a um procedimento que tramitava no Supremo. A documentação veio a público em meio à divulgação de diferentes partes da investigação sobre o Banco Master e as relações mantidas por Vorcaro com autoridades. De acordo com a apuração, a movimentação financeira envolvendo o fundo Arleen é um dos elementos que deverão ser analisados para esclarecer a relação entre o empresário e o ministro.

A PF também examinou a estrutura societária relacionada ao resort Tayayá, no Paraná, que teve ligação empresarial com Toffoli e sua família. O fundo Arleen participou da estrutura do empreendimento e, posteriormente, passou por mudanças que permitiram a realização de investimentos no exterior. Para os investigadores, a sequência de operações financeiras e societárias justifica o aprofundamento das apurações sobre quem efetivamente controlava os ativos.

PF investiga movimentação de R$ 35 milhões ligada a Vorcaro

Segundo o relatório, o dinheiro destinado ao fundo Arleen teve origem em operações realizadas por Vorcaro e chegou a aproximadamente R$ 35 milhões. A documentação analisada pelos investigadores aponta que os recursos foram posteriormente direcionados para a holding Egide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. A transferência ocorreu depois de mudanças na estrutura do fundo que passaram a permitir investimentos fora do Brasil.

A investigação também identificou uma alteração na titularidade do fundo Arleen durante 2025, quando o empresário Alberto Leite passou a aparecer como responsável pela estrutura. Segundo as informações divulgadas, Leite é apontado como amigo de Toffoli e adquiriu o fundo que anteriormente estava relacionado a Vorcaro. Na sequência, a estrutura societária foi modificada e os ativos acabaram direcionados para uma empresa constituída no exterior.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal também fazem parte dos elementos analisados no caso. Em conversas, Vorcaro teria cobrado informações sobre pagamentos relacionados ao empreendimento e mencionado valores de R$ 20 milhões e R$ 15 milhões. Para os investigadores, essas comunicações ajudam a reconstruir a trajetória dos recursos e a compreender a participação de diferentes pessoas nas operações.

Investigação também analisa atuação de Toffoli em julgamento

O relatório da PF não se limita às movimentações financeiras envolvendo o fundo Arleen e também aborda decisões judiciais relacionadas aos interesses do Banco Master. Um dos pontos analisados é o julgamento envolvendo a destilaria Alcídia, que possuía uma disputa judicial com impacto sobre ativos relacionados ao setor sucroalcooleiro. A investigação identificou uma mudança no posicionamento de Toffoli em relação a processos anteriores considerados semelhantes.

De acordo com a apuração, mensagens trocadas por integrantes do Banco Master indicaram que o resultado daquele julgamento era acompanhado de perto por Vorcaro e seus colaboradores. O ministro acabou apresentando voto favorável à destilaria em um julgamento que terminou com vitória da empresa por 3 votos a 2. A PF, entretanto, não apresentou a situação como uma conclusão definitiva de interferência indevida e apontou a necessidade de aprofundamento da análise.

As suspeitas envolvendo o julgamento foram incluídas no mesmo contexto de investigação sobre a proximidade entre Vorcaro e integrantes do Judiciário. A Polícia Federal procura verificar se houve algum tipo de influência externa sobre decisões que poderiam beneficiar interesses econômicos do antigo controlador do Banco Master. Até o momento, o relatório é tratado como elemento investigativo e não como comprovação definitiva de irregularidade por parte de Toffoli.

Toffoli nega ter recursos no exterior

O caso ganhou repercussão também pela resposta apresentada pelo gabinete de Dias Toffoli após a divulgação das informações. Em manifestação à revista Piauí, o ministro afirmou que jamais manteve ou teve, direta ou indiretamente, recursos no exterior. A defesa divulgada não confirmou a hipótese apresentada pela PF sobre a relação de Toffoli com a titularidade efetiva do fundo Arleen.

O relatório ainda deverá ser analisado dentro do conjunto maior de documentos relacionados ao caso Master, que envolve investigações sobre Vorcaro, movimentações financeiras e contatos com autoridades. A divulgação de novos documentos aumentou a pressão para que as suspeitas sejam examinadas com base no conteúdo integral das apurações. Enquanto isso, a PF continua indicando que alguns pontos dependem de novas diligências antes que possam ser apresentadas conclusões definitivas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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