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Renan Santos, presidente do Missão, não poupou críticas à Globo após ser deixado de fora do debate

O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, criticou a decisão da TV Globo de não incluí-lo no debate presidencial marcado para esta quinta-feira, 1º de outubro. Em entrevista ao g1, ele classificou o veto como “antidemocrático” e afirmou que a emissora estaria favorecendo o candidato Flávio Bolsonaro (PL). Renan chegou a declarar que “estão jogando o jogo de Flávio Bolsonaro”, em uma das principais críticas feitas por ele à organização do encontro.

O presidente do Partido Missão afirmou que considera um “absurdo” ficar fora do debate e alegou estar em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Segundo Renan, sua ausência impediria que ele apresentasse suas propostas diretamente aos eleitores durante o encontro televisionado. A declaração foi dada em meio à discussão sobre os critérios utilizados para definir quais candidatos participariam do debate.

Renan também direcionou críticas à condução jornalística da emissora e disse que tentou estabelecer contato com representantes da empresa. Ele afirmou ter procurado inclusive José Roberto Marinho, mas relatou que não recebeu resposta. Na avaliação apresentada pelo candidato, a exclusão do debate representaria uma perda de espaço para expor suas propostas durante a campanha eleitoral.

Renan acusa Globo de favorecer Flávio Bolsonaro

Ao comentar diretamente a presença de Flávio Bolsonaro no debate, Renan afirmou que a Globo estaria atuando em benefício do candidato do PL. A acusação partiu do próprio candidato do Missão e não foi apresentada como conclusão independente sobre a atuação da emissora. Renan também fez críticas contundentes à Globo e afirmou que a decisão seria prejudicial aos eleitores que gostariam de conhecer suas propostas.

Em outro trecho da entrevista, Renan voltou a relacionar sua ausência à candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele afirmou que, caso a emissora quisesse oferecer espaço para que apresentasse suas propostas, deveria tê-lo colocado no debate. As declarações foram acompanhadas de novos ataques verbais contra Flávio e contra a emissora.

O candidato também afirmou que sua retirada do debate prejudicaria uma parcela dos eleitores e classificou a situação como uma injustiça. Renan sustentou que vinha participando de sabatinas e de atividades relacionadas à cobertura eleitoral e que, por isso, esperava ter espaço no debate presidencial. A participação em eventos anteriores da emissora também foi citada posteriormente pela defesa do candidato em uma medida apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral.

Como ficou a lista de candidatos no debate

O debate presidencial da TV Globo está marcado para quinta-feira, às 21h20, depois do Jornal Nacional. Inicialmente, foram convidados Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), enquanto Renan Santos ficou fora da relação. Romeu Zema (Novo) também passou a integrar o encontro após uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral.

As regras estabelecidas para o debate previam a possibilidade de a emissora convidar outro candidato caso um dos participantes inicialmente convocados desistisse. Nessa situação, o regulamento indicava que a escolha ficaria a critério da Globo, considerando o candidato mais bem posicionado na pesquisa estimulada da Quaest de 28 de setembro entre aqueles que não cumprissem os critérios legais para participação. A legislação eleitoral estabelece regras específicas para a presença de candidatos em debates, incluindo o critério relacionado à representação dos partidos no Congresso.

A situação ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, quando Renan Santos e o Partido Missão protocolaram uma representação no TSE com pedido de liminar para garantir a participação do candidato no debate. A defesa argumentou que a Globo teria criado uma expectativa de participação ao incluir Renan em outras atividades relacionadas à cobertura eleitoral, como sabatinas, e anexou à ação registros de comunicações enviadas pela emissora. O pedido também citou regras do TSE sobre a participação facultativa de candidatos que tenham sido convidados formalmente por emissoras.

Renan leva disputa pela participação ao TSE

Na pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro, Renan Santos apareceu com 3% das intenções de voto, segundo os dados divulgados pelo UOL. O candidato, porém, havia afirmado ao g1 que estava em terceiro lugar nas pesquisas, argumento utilizado por ele para questionar sua ausência do debate. A diferença entre a declaração do candidato e os números da pesquisa mais recente é um dos elementos que precisa ser considerado na análise da disputa sobre sua participação.

Enquanto a discussão sobre a presença de Renan avançava no TSE, a composição do debate também sofria alterações. Lula informou que não compareceria ao encontro, enquanto Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado estavam confirmados, de acordo com as informações divulgadas nesta quarta-feira. A decisão sobre eventual inclusão de Renan passou, portanto, a ser discutida também no âmbito judicial, depois das críticas públicas feitas pelo candidato à emissora.

A acusação de que a Globo estaria “jogando o jogo de Flávio Bolsonaro” foi apresentada por Renan como justificativa para sua crítica à ausência no debate. A emissora, por sua vez, havia definido regras próprias para a escolha dos participantes, dentro das normas eleitorais aplicáveis, e a inclusão de Zema ocorreu após decisão do TSE. O episódio colocou em discussão os critérios para participação dos candidatos no último debate presidencial antes do primeiro turno e levou Renan a buscar uma decisão judicial para tentar participar do encontro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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