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Rogério Marinho acredita que viajando o país conseguirá mobilizar alguns bolsonaristas para apoiá-lo

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, pretende percorrer diferentes regiões do Brasil para mobilizar a base bolsonarista e ampliar as chances de conquistar a presidência da Casa em fevereiro de 2027. A estratégia prevê utilizar a influência dos eleitores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro para pressionar parlamentares de direita a apoiar sua candidatura, evitando que senadores eleitos com votos conservadores acabem favorecendo o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Com isso, Marinho pretende transformar a mobilização popular em instrumento de pressão política dentro do Congresso Nacional, especialmente porque a votação será secreta e existe o risco de deserções entre os parlamentares que publicamente manifestam apoio à oposição.

A iniciativa acontece em um momento de reorganização do bolsonarismo depois da derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de 2026 e da saída do senador do Brasil rumo aos Estados Unidos. Nesse cenário, a disputa pelo comando do Senado ganhou importância ainda maior para a direita, que pretende utilizar a estrutura da Casa para defender suas principais pautas, entre elas a anistia ou redução das penas dos condenados pelos acontecimentos de 8 de janeiro e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Portanto, a candidatura de Marinho também representa uma tentativa de manter a influência política do grupo bolsonarista no Legislativo, mesmo depois de perder a disputa pelo Palácio do Planalto.

De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (6), aliados de Marinho calculam que ele possui aproximadamente 38 votos considerados firmes entre os 81 integrantes do Senado, precisando conquistar pelo menos mais três para alcançar os 41 necessários à vitória. A campanha deverá incluir viagens pelo país, articulações com lideranças políticas e mobilização de eleitores para cobrar posicionamento dos senadores que receberam apoio da direita nas eleições. Entretanto, o desafio não está apenas em conseguir novas adesões, mas também em impedir que parlamentares que demonstram apoio público ao PL mudem de posição na hora de depositar seus votos.

Marinho vai rodar o país para mobilizar eleitores bolsonaristas

A decisão de percorrer o Brasil está diretamente relacionada à dificuldade de controlar o comportamento dos senadores durante uma eleição realizada por voto secreto, mecanismo que permite escolhas diferentes daquelas anunciadas publicamente. Na avaliação dos aliados de Marinho, a pressão exercida por eleitores conservadores poderá constranger parlamentares que eventualmente estejam inclinados a apoiar Alcolumbre, especialmente aqueles que construíram suas campanhas eleitorais com críticas ao Supremo e defesa das pautas bolsonaristas. Dessa maneira, o senador pretende levar a disputa para além dos corredores de Brasília, envolvendo lideranças regionais, apoiadores do ex-presidente e movimentos políticos ligados à direita.

Uma das principais preocupações da campanha é evitar que a candidatura de Marinho seja prejudicada por acordos individuais entre parlamentares e o atual comando do Senado, que possui uma relação política construída ao longo dos últimos anos. Alcolumbre tem a vantagem de conhecer os integrantes da Casa, negociar espaços na estrutura legislativa e estabelecer entendimentos com diferentes partidos, incluindo setores do centro e da oposição. Além disso, sua proximidade com parlamentares que já ocupam cargos importantes poderá facilitar a conquista de votos que, teoricamente, estariam destinados ao candidato do PL.

Para enfrentar esse cenário, Marinho também pretende ampliar o diálogo com partidos que não fazem parte diretamente de sua legenda, buscando demonstrar que sua candidatura pode representar uma alternativa para diferentes setores da direita. O senador Efraim Filho (PL-PB), que mantém bom relacionamento com Alcolumbre, deverá ser convidado para participar da coordenação da campanha, numa tentativa de aproximar grupos que possuem interesses políticos distintos. A articulação demonstra que o PL reconhece a necessidade de construir uma maioria parlamentar mais ampla, pois os 29 senadores que integrarão sua bancada em 2027 não serão suficientes, isoladamente, para garantir a presidência da Casa.

Disputa de Marinho contra Alcolumbre envolve pressão e voto secreto

A eleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027 e exigirá pelo menos 41 votos entre os 81 senadores para que um candidato conquiste a maioria absoluta. Embora Marinho e seus aliados trabalhem com números que indicam possibilidade de vitória, a contagem ainda é considerada instável porque os compromissos políticos não representam necessariamente votos garantidos na urna. Alcolumbre, por sua vez, também desenvolve sua própria articulação e utiliza a experiência acumulada no comando da Casa para tentar assegurar a reeleição, inclusive buscando apoio entre parlamentares de partidos que possuem representantes alinhados ao bolsonarismo.

A disputa também apresenta um componente importante relacionado à tentativa de Marinho de atrair o eleitorado de direita para pressionar os senadores a declarar publicamente suas escolhas. O parlamentar já defendeu que os integrantes desse campo político divulguem seus votos, argumentando que seria difícil justificar publicamente um eventual apoio a Alcolumbre diante das críticas feitas pela própria oposição ao atual presidente do Senado. Entretanto, a votação secreta é uma característica do processo eleitoral interno da Casa e não pode ser transformada obrigatoriamente em voto aberto apenas por decisão dos candidatos, embora os senadores possam revelar voluntariamente suas escolhas.

Outro fator de dificuldade para Marinho é a presença da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também manifestou interesse em disputar a presidência do Senado e possui articulação própria entre parlamentares do centro e da direita. Os dois políticos afirmam trabalhar para evitar uma divisão definitiva e discutem a possibilidade de um entendimento que permita unificar o campo oposicionista em torno de apenas uma candidatura. Contudo, enquanto não houver uma definição, a existência de dois nomes ligados à oposição poderá beneficiar Alcolumbre, que busca conquistar votos de parlamentares interessados em preservar espaço na estrutura administrativa e política do Senado.

Rogério Marinho busca protagonismo do bolsonarismo no Senado em 2027

A candidatura de Marinho também precisa ser compreendida a partir da derrota sofrida pelo PL na eleição presidencial e da mudança na liderança política do bolsonarismo após a saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. O senador potiguar foi coordenador da campanha presidencial de Flávio e agora tenta assumir um papel de maior protagonismo na reorganização da oposição, utilizando a disputa pelo comando do Senado como principal instrumento para ampliar sua influência nacional. Nesse contexto, a mobilização de apoiadores de Bolsonaro poderá funcionar como uma demonstração de força política, mas o resultado dependerá da capacidade de transformar essa pressão em acordos efetivos com parlamentares de diferentes partidos.

Caso conquiste a presidência, Marinho terá sob seu comando uma das posições mais importantes da estrutura política brasileira, com influência sobre a organização das votações, a condução dos trabalhos legislativos e a definição de pautas que interessam ao governo e à oposição. Entre os assuntos que poderão ganhar destaque estão os pedidos de impeachment de ministros do STF, as propostas relacionadas à situação judicial de Jair Bolsonaro e os projetos econômicos e administrativos encaminhados pelo governo Lula. Até a eleição, porém, o senador precisará superar a articulação de Alcolumbre, administrar a concorrência de Tereza Cristina e demonstrar que a mobilização bolsonarista conseguirá produzir os votos necessários para assumir o comando do Senado.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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