Deputado citou mais de R$ 70 milhões que Vorcaro teria dado para financiar filme sobre Jair Bolsonaro

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido para que sejam bloqueados bens e valores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. A solicitação está relacionada às investigações sobre a origem dos recursos utilizados no financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi protocolado em 12 de setembro e passou a integrar uma sequência de medidas e apurações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a representação apresentada por Lindbergh, o bloqueio deveria alcançar valores correspondentes aos recursos atribuídos a Vorcaro que foram identificados nas investigações, em montante superior a R$ 70 milhões. Além disso, o documento menciona uma transferência de US$ 1,66 milhão identificada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Havengate Development Fund, estrutura sediada nos Estados Unidos e relacionada à administração de recursos da produção. Com isso, o valor atribuído aos repasses de Vorcaro para o projeto teria passado de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, segundo os dados citados na representação.
A solicitação ocorre enquanto diferentes frentes de investigação analisam movimentações financeiras relacionadas ao filme e pessoas ligadas à sua produção. Paralelamente, Flávio Bolsonaro vem negando irregularidades e afirmou publicamente que a abertura dos documentos das investigações demonstraria, segundo sua avaliação, que não havia sido encontrada irregularidade contra ele. Portanto, o pedido de bloqueio apresentado pelo deputado representa uma medida solicitada por uma das partes envolvidas, e não uma decisão judicial que tenha determinado a indisponibilidade dos bens do senador.
Deputado pede a Dino bloqueio em meio às investigações sobre o filme
O principal argumento apresentado por Lindbergh Farias está relacionado à possibilidade de preservar recursos para uma eventual reparação caso sejam comprovadas irregularidades envolvendo dinheiro público. Na representação, o deputado sustenta que medidas sobre patrimônio poderiam ser adotadas de maneira vinculada aos valores que estão sendo apurados, incluindo bens, direitos e outros ativos que eventualmente estejam relacionados ao caso. Dessa forma, o pedido foi apresentado como uma providência de natureza cautelar enquanto as investigações continuam sendo realizadas.
A discussão também envolve a origem dos recursos destinados ao “Dark Horse”, filme produzido para contar a trajetória de Jair Bolsonaro. De acordo com as informações reunidas nas investigações e citadas pelas reportagens, Daniel Vorcaro teria destinado dezenas de milhões de reais para o projeto, enquanto outros fluxos financeiros passaram a ser examinados por autoridades brasileiras e estrangeiras. Além disso, documentos mencionados na apuração indicam a existência de estruturas financeiras no exterior que passaram a ser consideradas relevantes para o esclarecimento da movimentação dos recursos.
Outro ponto incorporado ao pedido é a relação entre as investigações sobre o filme e a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal em setembro. A operação apura suspeitas relacionadas ao uso de emendas parlamentares e a entidades que teriam ligação com a produtora responsável pelo longa sobre o ex-presidente. Segundo a representação de Lindbergh, foram identificadas emendas de R$ 1,1 milhão destinadas a uma entidade que não teria apresentado execução financeira comprovada, além de uma transferência de R$ 645 mil feita diretamente por um parlamentar para a produtora durante o período de gravações.
Bloqueio de bens de Flávio Bolsonaro é analisado no contexto do Banco Master
A atuação de Flávio Dino no caso ocorre dentro de um cenário mais amplo de investigações envolvendo o Banco Master e interesses financeiros associados ao grupo. O ministro do STF aparece relacionado a procedimentos que tratam de diferentes aspectos dessas apurações, enquanto documentos produzidos pela Polícia Civil de São Paulo relacionados ao financiamento do filme tiveram o sigilo retirado por decisão tomada em 13 de setembro. Com a publicidade de parte do material, informações sobre transferências, fundos e possíveis vínculos financeiros passaram a ser examinadas com maior atenção no debate público.
A apuração também alcança a estrutura utilizada para movimentar recursos destinados à produção cinematográfica. Reportagens recentes apontaram que a Polícia Federal investiga a produtora responsável pelo filme e possíveis conexões com uma rede mais ampla de empresas, contratos e recursos públicos, embora as suspeitas ainda dependam do avanço das diligências e da análise dos documentos reunidos. Por outro lado, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro negam irregularidades relacionadas ao financiamento do projeto, e as investigações não equivalem, por si só, a uma conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal.
Nesse contexto, o pedido apresentado por Lindbergh deverá ser analisado dentro dos procedimentos que já estão em andamento no Supremo. Caso uma medida de bloqueio seja considerada necessária, sua extensão e seus limites dependerão de decisão judicial e dos elementos apresentados pelas autoridades responsáveis pelas apurações. Enquanto isso, a investigação deverá continuar examinando a origem dos recursos, os caminhos percorridos pelo dinheiro e eventuais relações entre pessoas físicas, empresas, fundos e entidades citadas nos documentos.
O que pode acontecer após o pedido de bloqueio
A apresentação do pedido não significa que os bens de Flávio Bolsonaro tenham sido efetivamente bloqueados. Para que uma medida patrimonial seja aplicada, deverá haver uma decisão da autoridade judicial competente, baseada nos elementos disponíveis no processo e nas regras legais aplicáveis às medidas cautelares. Enquanto isso, novas informações poderão ser incorporadas aos autos e utilizadas para esclarecer se os valores investigados possuem relação direta com as suspeitas levantadas.
O caso, portanto, permanece em fase de investigação e análise judicial, com diferentes questões ainda pendentes de esclarecimento. O foco das apurações está na origem e na movimentação dos recursos destinados ao “Dark Horse”, nas relações financeiras atribuídas a Daniel Vorcaro e na possível utilização de recursos públicos, enquanto as responsabilidades individuais deverão ser definidas somente a partir do conjunto de provas produzido durante o processo.





