Rogério Marinho diz que relator da PEC da Segurança quer “calar” o Senado

A votação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública no Senado Federal, realizada nesta terça-feira (3), foi marcada por um debate acirrado entre o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), e o relator da matéria, senador Rogério Carvalho (PT-SE). O ponto central da divergência foi o destino de uma emenda apresentada por Marinho que propunha reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos gerais e para 14 anos nos crimes classificados como hediondos. O relator decidiu não incluir a proposta no texto principal e sugeriu que ela tramite de forma independente como um novo projeto de lei.
Estratégia visa aprovar PEC sem retornar à Câmara
A decisão de manter o texto original sem incorporar a emenda faz parte de uma estratégia articulada pelo governo e pela relatoria para garantir que a PEC seja aprovada com agilidade. O objetivo é evitar que alterações no texto aprovado pelo Senado obriguem a proposta a retornar à Câmara dos Deputados para nova análise, o que poderia atrasar ou até mesmo comprometer a aprovação da matéria neste ano. Ao optar por encaminhar as propostas divergentes para tramitação separada, o relator busca destravar a votação da PEC da Segurança sem que temas polêmicos se tornem obstáculos à sua aprovação.
Oposição vê restrição ao debate parlamentar
Para Rogério Marinho, porém, a decisão vai além de uma questão de agilidade processual. O senador acusou o relator de extrapolar suas atribuições ao impedir que o plenário tivesse a oportunidade de votar a proposta de forma destacada. Em seu pronunciamento, alertou para o que considera um precedente perigoso para a Casa. “Minha preocupação é que o relator não apenas usa sua prerrogativa e repele as emendas que foram apresentadas ao texto — o que é da sua competência — mas faz uma proposta inusitada: na prática, o relator propõe que nós não tenhamos destaque, que não possamos destacar matérias que foram rejeitadas pelo relator ou que foram objetos de discussão”, afirmou.
Debate sobre maioridade penal segue vivo
Marinho também questionou a disposição do governo em debater o tema. “Por que o governo não tem coragem de dizer que é contra a redução da maioridade penal?”, indagou. O senador reforçou que não pedia a aprovação automática de sua proposta, mas sim a garantia de que os demais senadores pudessem manifestar seu voto sobre o assunto. “O que eu peço é que nos garanta o direito de legislar”, concluiu. A oposição entende que a questão é relevante o suficiente para merecer deliberação do plenário, independentemente do resultado final da votação.
Proposta seguirá por caminho próprio
A decisão de encaminhar as emendas para tramitação em separado significa que o tema da maioridade penal não será decidido no âmbito desta PEC específica, mas não está arquivado. A proposta seguirá como um projeto independente, passando pelas comissões temáticas e, posteriormente, poderá chegar ao plenário para análise dos senadores. Dessa forma, o debate sobre o assunto continua em curso no Congresso Nacional, ainda que em outro momento legislativo. A medida permite que a PEC da Segurança avance sem o impasse, mas mantém viva a discussão sobre um dos temas mais sensíveis da agenda pública brasileira.
Equilíbrio entre agilidade e direito de manifestação
O episódio ilustra um dilema recorrente na atividade legislativa: a necessidade de dar andamento a projetos importantes sem que isso signifique silenciar vozes e propostas divergentes. O acordo firmado entre os líderes partidários, que prevê a análise da maioridade penal em outro momento, busca conciliar a urgência em aprovar regras de segurança pública com a importância de debater com profundidade temas que dividem a sociedade brasileira. Cabe agora acompanhar os próximos passos da proposta em tramitação separada, na certeza de que a democracia se fortalece quando os debates acontecem com clareza, respeito e espaço para todos os pontos de vista.





