SBT acredita que é melhor unir as emissoras de TVs para evitar o que aconteceu no primeiro turno

O SBT iniciou uma movimentação nos bastidores da televisão aberta para tentar organizar uma articulação entre as principais emissoras durante o segundo turno das eleições de 2026. A iniciativa partiu do executivo Leandro Cipoloni, que pretende reunir diretores de Jornalismo de diferentes canais para discutir uma estratégia conjunta para os próximos debates eleitorais. A proposta surge depois de uma série de cancelamentos e mudanças na programação do primeiro turno, que dificultaram a realização de confrontos entre os principais candidatos à Presidência.
De acordo com informações do colunista Flávio Ricco, do Portal Leo Dias, a intenção é estabelecer um diálogo entre as emissoras antes que novos compromissos sejam definidos. O objetivo seria encontrar regras e procedimentos capazes de reduzir os riscos de que decisões judiciais, desistências ou mudanças nas condições de participação comprometam os debates. Dessa forma, o SBT pretende discutir antecipadamente questões que tiveram impacto direto na agenda televisiva da primeira etapa da disputa.
A movimentação ganhou força justamente porque o primeiro turno terminou sem um debate televisivo entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, os dois candidatos que avançaram para a segunda etapa. O debate presidencial que havia sido programado pela Globo para 1º de outubro acabou cancelado depois de alterações determinadas por decisões judiciais e da ausência dos dois candidatos. Segundo a emissora, o cancelamento ocorreu diante de um cenário de insegurança jurídica relacionado às regras do encontro.
SBT busca articulação entre as emissoras
O SBT integra o pool Momento da Decisão, grupo formado por 11 veículos de comunicação que participaram da cobertura eleitoral. Entre os integrantes estão CNN Brasil, Exame, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Terra e Veja +TV, o que demonstra que a emissora já possui experiência recente com iniciativas de cobertura conjunta. A proposta agora seria ampliar esse tipo de articulação para outros canais e discutir uma forma coordenada de preservar os debates durante o segundo turno.
A primeira experiência do pool também ajuda a explicar a preocupação da emissora com a organização dos próximos encontros. No primeiro turno, o único debate entre candidatos à Presidência realizado pela televisão contou com Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro não participaram. Com a definição do segundo turno, a expectativa de novos confrontos passa a envolver apenas os dois candidatos que seguem na disputa presidencial.
Além disso, as emissoras precisam considerar que a participação em debates está submetida a regras eleitorais específicas. O Tribunal Superior Eleitoral estabelece critérios relacionados à representação partidária para a presença de legendas nos debates, enquanto os canais também definem seus próprios regulamentos dentro dos limites previstos pela legislação. Por isso, uma negociação antecipada entre as empresas pode buscar maior previsibilidade para a organização dos programas.
Cancelamentos expuseram dificuldades da televisão
A Globo também enfrentou alterações nas regras do debate que estava previsto para o primeiro turno. Entre as decisões judiciais mencionadas estavam uma determinação relacionada à possibilidade de manter vazio o púlpito destinado a Lula e outra que assegurava a participação de Renan Santos, candidato do Missão. Essas mudanças ocorreram em um momento no qual as emissoras já haviam estabelecido regras e planejado a estrutura dos encontros.
Outro fator citado na análise publicada pelo Notícias da TV é a transformação da comunicação eleitoral nos últimos anos. As redes sociais passaram a ocupar espaço importante na estratégia dos candidatos, que frequentemente utilizam trechos de entrevistas, discursos e debates para produzir conteúdos direcionados ao ambiente digital. Nesse cenário, os programas televisivos continuam relevantes, mas passaram a disputar atenção com plataformas nas quais os políticos conseguem divulgar diretamente suas mensagens para públicos específicos.
A própria dinâmica dos debates também passou a ser influenciada por essa mudança. Candidatos podem ter interesse em determinadas aparições televisivas, mas também precisam avaliar como suas declarações serão reproduzidas posteriormente em redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas digitais. Assim, as emissoras enfrentam o desafio de montar encontros que atendam às exigências eleitorais, preservem seus regulamentos e mantenham condições para a participação dos candidatos.
Segundo turno coloca nova agenda para as TVs
Com Lula e Flávio Bolsonaro confirmados no segundo turno, a televisão terá uma nova oportunidade de organizar debates entre os dois concorrentes à Presidência. A votação está marcada para 25 de outubro, e o período até a data da eleição deverá concentrar uma nova rodada de entrevistas, sabatinas e confrontos entre os candidatos.
Nesse contexto, a proposta defendida pelo SBT busca antecipar problemas que apareceram durante o primeiro turno. A reunião entre diretores de Jornalismo das principais emissoras poderá servir para discutir critérios comuns, calendário, regras de participação e possíveis situações que poderiam levar ao cancelamento de um debate. Caso a articulação avance, as empresas terão de conciliar seus interesses editoriais com as normas da Justiça Eleitoral e os compromissos assumidos com os candidatos.
A iniciativa também mostra como as emissoras estão tentando se adaptar a uma eleição marcada por mudanças na relação entre televisão, Justiça Eleitoral e plataformas digitais. O segundo turno deverá testar novamente a capacidade dos canais de organizar uma cobertura ampla em meio a regras eleitorais e decisões judiciais que podem alterar o planejamento inicialmente estabelecido. Por isso, a articulação proposta pelo SBT pretende colocar as emissoras em uma posição de maior preparação antes dos próximos debates presidenciais.





