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Segundo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Kassab tinha influência em fundos previdenciários no Master

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, foi acusado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro de receber comissões relacionadas a investimentos de fundos previdenciários públicos em letras financeiras do Banco Master. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Thiago Herdy, do Metrópoles, a alegação consta de uma tentativa de acordo de colaboração premiada apresentada por Vorcaro à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Kassab negou as acusações e classificou o relato como fantasioso.

De acordo com a versão apresentada pelo ex-banqueiro aos investigadores, Kassab teria prometido incentivar administrações municipais ligadas ao PSD ou aliadas à legenda a direcionar recursos de fundos previdenciários para produtos financeiros oferecidos pelo Master. Em contrapartida, a instituição pagaria comissões pelas captações realizadas, com repasses que, segundo Vorcaro, poderiam envolver consultores e agentes públicos. O dirigente partidário afirma que nunca atuou em favor do banco, não recebeu dinheiro em espécie e não autorizou terceiros a negociar em seu nome.

As declarações surgem no contexto das investigações sobre as operações financeiras do Banco Master e os investimentos realizados por regimes próprios de previdência de estados e municípios. Esses fundos administram recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos, o que torna a segurança das aplicações um aspecto central para a gestão dos patrimônios. As acusações atribuídas a Vorcaro, entretanto, não representam comprovação definitiva de que Kassab tenha recebido valores ou participado de irregularidades.

Vorcaro relata suposto esquema de comissões ligado a investimentos

Segundo o relato atribuído a Vorcaro, o Banco Master procurou ampliar a captação de recursos por meio de letras financeiras a partir de 2023, quando enfrentava dificuldades para renovar certificados de depósito bancário, conhecidos como CDBs. A instituição precisava encontrar alternativas para captar dinheiro enquanto parte dos recursos estava direcionada a investimentos e ativos com menor liquidez. Nesse cenário, os fundos previdenciários municipais e estaduais teriam passado a integrar a estratégia comercial do banco.

Vorcaro afirmou aos investigadores que Kassab teria influência sobre administrações públicas que poderiam investir nos produtos financeiros da instituição. Ainda conforme a acusação, as comissões seriam pagas em dinheiro a consultores e também a agentes públicos, entre os quais estaria o presidente do PSD. O conteúdo divulgado, porém, corresponde à versão apresentada pelo ex-banqueiro durante uma tentativa de colaboração premiada e deve ser tratado como uma acusação, não como uma conclusão judicial.

O ex-banqueiro também teria apontado Augusto Lima, seu ex-sócio no Master, como interlocutor nas conversas relacionadas a Kassab. As propostas de delação de Vorcaro foram rejeitadas anteriormente pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que identificaram omissões sobre fatos já conhecidos no curso das investigações. Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, após ser alvo de uma fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas às atividades do banco.

Fundos públicos investiram R$ 1,88 bilhão em letras financeiras

Dados do governo federal citados na reportagem do Metrópoles indicam que 21 regimes próprios de previdência de estados e municípios investiram aproximadamente R$ 1,88 bilhão em letras financeiras do Banco Master entre 2023 e 2024. O maior volume foi aplicado pelo fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro, que direcionou R$ 970 milhões para esses títulos. Os números colocaram os investimentos previdenciários no centro das apurações sobre a exposição de recursos públicos à instituição financeira.

Depois do Rio de Janeiro, aparecem os investimentos do fundo dos servidores do Amapá, com R$ 400 milhões, e de Maceió, em Alagoas, com R$ 97 milhões. Também foram registrados R$ 93,1 milhões em aplicações de São Roque, no interior paulista, e R$ 87 milhões em Cajamar, na Grande São Paulo. As aplicações são realizadas com recursos destinados ao pagamento futuro de benefícios previdenciários, seguindo normas estabelecidas para a administração desses patrimônios.

As letras financeiras têm uma característica importante para os investidores: não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), diferentemente de determinados produtos bancários, como os CDBs, dentro dos limites e condições aplicáveis. Em caso de liquidação da instituição emissora, os detentores desses títulos passam a integrar o grupo de credores e podem enfrentar perdas financeiras. A Polícia Federal realizou operações relacionadas a investimentos de fundos previdenciários no Master, incluindo apurações envolvendo Rio de Janeiro, Macapá, Maceió e Cajamar.

Kassab nega relação com Vorcaro e rejeita as acusações

Além da suposta participação nas aplicações financeiras, mensagens atribuídas a Vorcaro indicariam que, em outubro de 2024, ele pediu a Augusto Lima que procurasse Kassab para tentar fazer com que o deputado estadual Luiz Paulo, do PSD do Rio de Janeiro, apagasse um vídeo com críticas aos investimentos do RioPrevidência no Banco Master. Conforme a reportagem, o pedido não foi atendido. O episódio foi apresentado como mais uma menção ao dirigente partidário no material relacionado à tentativa de colaboração do ex-banqueiro.

Em nota, Kassab afirmou que nunca tratou de doações com Vorcaro ou representantes do Master, negou ter recebido dinheiro em espécie e declarou que jamais fez gestões para direcionar fundos previdenciários ao banco ou a qualquer outra instituição financeira. O presidente do PSD também disse que nunca conversou pessoalmente ou por telefone com o ex-banqueiro e contestou a existência de sustentação factual para as alegações. As investigações sobre os investimentos e as relações citadas no caso seguem relevantes para esclarecer a destinação dos recursos e verificar eventuais responsabilidades.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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