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Sensitivas apontaram caminhos que Lula e Flávio deveriam seguir neste segundo turno

As eleições de 2026 entraram na reta decisiva com uma disputa presidencial marcada pelo equilíbrio, mas, além das pesquisas e dos debates políticos, outro tipo de previsão passou a chamar a atenção do público: as apostas feitas por videntes e sensitivas sobre quem ocupará o Palácio do Planalto. Com Lula e Flávio Bolsonaro como protagonistas do segundo turno, diferentes figuras do meio espiritual apresentaram prognósticos completamente distintos sobre o resultado da votação.

Enquanto algumas previsões apontam para a permanência de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República, outras indicam que Flávio Bolsonaro poderá derrotar o atual presidente e assumir o governo federal. Entretanto, essas declarações pertencem ao campo das crenças e interpretações pessoais e não possuem metodologia científica capaz de medir a intenção de voto dos brasileiros. Por isso, embora tenham forte potencial de repercussão nas redes sociais, as previsões devem ser analisadas separadamente dos levantamentos eleitorais registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O interesse pelo assunto aumentou justamente porque as pesquisas mais recentes também mostram uma eleição extremamente apertada. Na pesquisa PoderData/Aya divulgada em 16 de outubro, Lula e Flávio aparecem empatados com 50% dos votos válidos, enquanto outro levantamento divulgado pelo Estado de Minas apontou vantagem numérica do candidato do PL, mas dentro de um cenário ainda sujeito à margem de erro.

Eleições de 2026: o que os videntes dizem sobre Lula

Entre as previsões favoráveis a Lula estão as declarações de Chaline Grazik, Lene Sensitiva e Vó Baiana, que apresentaram leituras diferentes, mas chegaram à mesma conclusão sobre o resultado da eleição. Chaline afirmou, em declaração publicada em 9 de outubro, que Lula estaria destinado a continuar como presidente, enquanto Lene havia indicado anteriormente que o petista venceria a disputa e que Flávio não conseguiria derrotá-lo. Já Vó Baiana relatou ter tido uma visão na qual Lula sairia vencedor do confronto com o candidato do PL.

As previsões, contudo, não são acompanhadas de amostras, entrevistas, margem de erro ou qualquer dos procedimentos utilizados por institutos especializados em pesquisas eleitorais. Dessa maneira, elas não podem ser utilizadas para estimar matematicamente a probabilidade de vitória de um candidato, embora possam ser compreendidas como manifestações de espiritualistas que conquistaram público nas redes sociais. Além disso, o fato de diferentes sensitivas apresentarem conclusões opostas demonstra que não existe consenso sequer dentro desse universo de previsões sobre o futuro político do país.

Outro aspecto que chama atenção é a existência de previsões anteriores que continuam sendo recuperadas pelos usuários justamente quando a eleição se aproxima. Márcia Sensitiva, por exemplo, teve uma declaração feita em 2025 novamente compartilhada nas redes sociais durante a disputa de 2026, enquanto outros videntes passaram a publicar novas leituras diante do segundo turno entre Lula e Flávio. Assim, o fenômeno ganhou uma dinâmica própria na internet, em que declarações antigas são revisitadas e confrontadas com o cenário político atual.

Previsão de vitória para Flávio Bolsonaro ganha repercussão

Do outro lado da disputa está Carlinhos Vidente, que apresentou uma previsão favorável a Flávio Bolsonaro e afirmou que o senador derrotaria Lula no segundo turno. Em uma previsão que voltou a ganhar destaque durante a campanha, o sensitivo chegou a indicar um resultado de 52% dos votos válidos para o candidato do PL, além de projetar dificuldades políticas para o atual presidente.

Em manifestações posteriores, Carlinhos manteve a aposta na vitória de Flávio e voltou a falar sobre possíveis acontecimentos políticos depois da eleição. Entre os cenários apresentados por ele estão turbulências institucionais e investigações que, segundo sua previsão, poderiam marcar os primeiros meses do próximo governo, embora tais afirmações não sejam acompanhadas de evidências que permitam tratá-las como fatos futuros.

A previsão ganha curiosidade adicional porque ocorre em um momento no qual os levantamentos eleitorais também apontam para uma disputa muito equilibrada. Na pesquisa PoderData/Aya, realizada entre 13 e 15 de outubro com 3 mil entrevistados, os dois candidatos registraram 50% dos votos válidos, com margem de erro de 1,8 ponto percentual. Portanto, ainda que uma previsão esotérica aponte para um vencedor, os dados disponíveis nas pesquisas mostram que a eleição permanece aberta e que pequenas mudanças no comportamento do eleitor podem alterar o resultado.

Videntes x pesquisas: quem realmente pode indicar o vencedor?

A diferença entre previsões espirituais e pesquisas eleitorais precisa ser considerada antes que qualquer conclusão seja tirada sobre as eleições de 2026. Uma pesquisa de intenção de voto procura representar estatisticamente determinado grupo de eleitores, seguindo critérios de amostragem, metodologia, período de coleta e margem de erro, enquanto uma previsão de vidente não depende desses procedimentos científicos. Por essa razão, os dois tipos de informação não devem ser colocados no mesmo patamar quando o objetivo é avaliar objetivamente as chances de um candidato vencer.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar essa diferença, pois a disputa entre Lula e Flávio apresenta variações pequenas de acordo com o instituto consultado. O levantamento Palver divulgado em 15 de outubro, por exemplo, apontou Flávio com 50% e Lula com 49% dos votos totais, dentro de uma margem de erro de 2,3 pontos percentuais, enquanto PoderData/Aya encontrou empate de 50% a 50% nos votos válidos. Portanto, não há base estatística para afirmar neste momento que um dos candidatos já tenha a vitória assegurada.

Além disso, a própria proximidade entre os números ajuda a explicar por que as previsões alternativas despertam tanta atenção entre os eleitores. Em um ambiente de forte polarização, qualquer declaração que prometa antecipar o resultado pode ser compartilhada rapidamente, sobretudo quando coincide com as expectativas de determinado grupo político. Ainda assim, o resultado oficial somente será definido pelos votos depositados nas urnas e posteriormente apurados pela Justiça Eleitoral, e não por previsões feitas antes da votação.

O que esperar da reta final das eleições de 2026

A reta final da campanha presidencial deverá ser marcada, portanto, por uma combinação de pesquisas, debates, propaganda eleitoral e intensa disputa nas redes sociais. Nesse cenário, as previsões dos videntes continuarão podendo gerar curiosidade e engajamento, mas deverão ser tratadas como conteúdo de natureza espiritual ou recreativa, sem a mesma função de uma pesquisa eleitoral cientificamente estruturada. O contraste entre previsões divergentes também mostra que não existe uma resposta consensual nesse campo sobre quem será o próximo presidente do Brasil.

Por enquanto, a informação mais segura é que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro permanece tecnicamente equilibrada nos principais levantamentos recentes. Enquanto algumas pesquisas registram pequena vantagem numérica para o candidato do PL, outras apontam empate, fazendo com que qualquer prognóstico definitivo seja prematuro. Assim, independentemente do que dizem videntes, sensitivas ou tarólogos, a resposta sobre quem vencerá as eleições de 2026 será dada pelos eleitores e confirmada oficialmente pela apuração da Justiça Eleitoral.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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