Tarcísio de Freitas sempre negou ter interesse em chegar à Presidência, mas Flávio disse que não foi bem assim

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tinha a expectativa de disputar o Palácio do Planalto antes de Jair Bolsonaro escolher o próprio filho como candidato. A declaração foi feita na terça-feira, 13 de outubro de 2026, durante um evento promovido pela Associação Comercial de São Paulo, na capital paulista. A fala chamou a atenção porque Tarcísio sempre negou publicamente que pretendesse concorrer à Presidência, afirmando que seu foco era a reeleição ao governo paulista.
Segundo Flávio, quando recebeu do pai a missão de disputar a Presidência, uma de suas primeiras iniciativas foi procurar Tarcísio para conversar pessoalmente sobre a decisão. O senador afirmou que pretendia visitar o governador no Palácio dos Bandeirantes para explicar a escolha feita por Jair Bolsonaro e conversar sobre os rumos da candidatura presidencial. Ao descrever aquele momento, Flávio declarou que Tarcísio também tinha a expectativa de ser candidato ao Planalto, atribuindo ao governador uma intenção que ele próprio havia negado publicamente.
A declaração foi divulgada pela imprensa após o evento, no qual Flávio também elogiou a trajetória política de Tarcísio e destacou a relação de respeito entre os dois. O governador era apontado por setores do centrão e por empresários como um nome preferencial para enfrentar Lula na eleição presidencial de 2026, mas Jair Bolsonaro decidiu apoiar o filho como sucessor político. A escolha encerrou as especulações sobre quem representaria o grupo bolsonarista na disputa, embora Tarcísio continuasse sendo um dos principais aliados do candidato do PL.
Tarcísio sempre negou intenção de disputar o Planalto
Antes da declaração de Flávio, Tarcísio de Freitas havia reiterado publicamente que pretendia concentrar seus esforços na administração de São Paulo e na busca pela reeleição. Mesmo com seu nome frequentemente citado em pesquisas, análises políticas e conversas entre empresários e dirigentes partidários, o governador evitava confirmar qualquer plano de disputar a Presidência. A fala do senador, portanto, acrescentou uma nova informação à discussão sobre as expectativas existentes dentro da direita antes da definição do candidato apoiado por Jair Bolsonaro.
A preferência de parte do centrão e do empresariado por Tarcísio estava relacionada à experiência do governador no Executivo estadual e à avaliação de que ele poderia reunir diferentes setores políticos em uma candidatura nacional. O ex-ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro havia conquistado espaço na direita após assumir o governo paulista e construir uma base de apoio entre partidos e lideranças empresariais. Apesar dessas articulações, Tarcísio manteve publicamente o discurso de que sua prioridade era continuar à frente do governo de São Paulo, sem anunciar intenção de concorrer ao cargo ocupado por Lula.
Flávio relatou que, ao conversar com o governador, procurou demonstrar respeito pela trajetória dele e explicar por que havia aceitado a indicação do pai. O senador também destacou que pretendia desenvolver uma identidade própria na campanha presidencial, sem simplesmente reproduzir o estilo político de Jair Bolsonaro. Ao elogiar Tarcísio, afirmou que o ex-presidente havia identificado o potencial do então ministro antes de sua primeira eleição, quando o escolheu para disputar o governo paulista, decisão que, na avaliação de Flávio, acabou confirmada pelo desempenho eleitoral do governador.
Flávio elogia o governador e defende estilo próprio na campanha
Durante o evento em São Paulo, Flávio descreveu Tarcísio como um político de grande capacidade e recordou que ele nunca havia disputado uma eleição antes de concorrer ao governo paulista. O senador também mencionou a origem carioca do governador e sua preferência pelo Flamengo ao destacar o contraste entre a trajetória anterior de Tarcísio e o desafio de administrar o maior estado brasileiro. Segundo Flávio, Jair Bolsonaro enxergou qualidades que poderiam torná-lo competitivo em São Paulo, e o resultado eleitoral posterior demonstrou, em sua avaliação, que a escolha havia sido acertada.
O candidato do PL também afirmou que pretende adotar uma postura própria na disputa presidencial, argumentando que políticos que tentaram reproduzir integralmente o estilo de Jair Bolsonaro tiveram dificuldades. Flávio disse que explicou a Tarcísio os motivos que o levaram a aceitar a candidatura e mencionou a fé como parte da maneira pela qual compreendeu a responsabilidade recebida do pai. A conversa, segundo o relato do senador, ajudou a estabelecer o entendimento entre os dois, que continuam aliados durante a campanha do segundo turno.
A presença de Tarcísio no campo de apoio a Flávio é importante para a estratégia eleitoral do candidato, especialmente em São Paulo, estado que concentra o maior eleitorado do país. O governador possui influência sobre lideranças municipais, parlamentares e setores políticos que podem contribuir para a mobilização de eleitores na reta final da disputa. A declaração sobre a expectativa presidencial de Tarcísio, contudo, não representa uma confirmação de que ele tenha anunciado ou reconhecido publicamente a intenção de concorrer, uma vez que o próprio governador vinha negando essa pretensão.
Segurança pública e articulação política também marcam a campanha
No mesmo evento, Flávio abordou propostas para a área de segurança pública e afirmou que conversa com o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) sobre medidas que poderiam integrar um eventual governo. Derrite, que foi secretário de Segurança Pública de São Paulo e deputado federal, é citado nas articulações políticas como possível nome para ocupar um ministério caso o candidato do PL vença a eleição. As conversas indicam que a campanha também começa a discutir prioridades administrativas, embora não haja confirmação de uma nomeação para o futuro governo.
Flávio defendeu penas mais rigorosas para crimes como o roubo de celulares e afirmou que pretende propor mudanças na legislação para que condenados por esse delito permaneçam presos por pelo menos oito anos. O senador também mencionou El Salvador como referência no combate à criminalidade, dizendo que considera insuficientes as medidas adotadas naquele país, apesar das críticas internacionais relacionadas a prisões em massa, denúncias de tortura e violações de direitos humanos. A proposta de endurecimento penal faz parte do discurso de segurança apresentado pelo candidato, mas dependeria de tramitação e aprovação no Congresso para se transformar em lei.
Além da segurança pública, Flávio criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acusando-o de conduzir a pauta legislativa de maneira favorável ao governo Lula durante o período eleitoral. O senador mencionou a retomada das discussões sobre o fim da escala de trabalho 6×1 após o primeiro turno como exemplo de sua insatisfação com a atuação da presidência da Casa. As declarações ocorreram em meio à tentativa de ampliar alianças para o segundo turno, enquanto a relação com Tarcísio permanece relevante para a mobilização de apoiadores em São Paulo e para a articulação política da candidatura do PL.





