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Trump chega à ONU sob pressão e enfrenta uma das semanas mais delicadas de seu governo

Trump vai à ONU pressionado por guerras e eleição e isolado de aliados

Trump vai à ONU pressionado por conflitos internacionais, divergências com parceiros tradicionais dos Estados Unidos e um cenário doméstico marcado pela proximidade das eleições legislativas de novembro. O presidente norte-americano, Donald Trump, participa nesta semana da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, em um momento no qual questões de política externa e interna se cruzam diretamente. Além disso, a guerra envolvendo o Irã e seus efeitos sobre o fornecimento internacional de petróleo colocaram a segurança energética entre os assuntos de maior repercussão. Ao mesmo tempo, governos europeus buscam administrar divergências recentes com Washington sem romper uma relação estratégica construída durante décadas. Nesse contexto, a presença de Trump na ONU será acompanhada não apenas pelo conteúdo de seu discurso, mas também pelas reuniões bilaterais previstas durante sua passagem por Nova York e pelo encontro posterior com o presidente chinês, Xi Jinping. Portanto, a semana poderá funcionar como um importante palco diplomático para observar as prioridades internacionais do governo norte-americano.

Trump vai à ONU pressionado por conflitos e divergências diplomáticas

A programação de alto nível da Assembleia Geral começa nesta terça-feira (22), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o primeiro chefe de Estado a discursar, seguindo a tradição diplomática consolidada na ONU. Logo depois será a vez do presidente dos Estados Unidos. Embora Lula e Trump estejam em Nova York no mesmo período, até agora não foi anunciada uma reunião bilateral formal entre os dois. A Assembleia de 2026 deverá reunir 81 chefes de Estado e 50 chefes de governo, enquanto líderes como Vladimir Putin, da Rússia, e Xi Jinping, da China, não participarão presencialmente. A China será representada pelo vice-presidente Han Zheng, enquanto Xi estará envolvido em uma visita aos Estados Unidos. Dessa forma, parte das principais negociações internacionais da semana ocorrerá paralelamente ao encontro das Nações Unidas. Além disso, questões relacionadas às guerras, à segurança internacional, ao comércio e à reorganização das alianças estarão presentes nas discussões entre as delegações.

Guerra com o Irã deve ocupar espaço no discurso de Trump

Entre os assuntos que devem aparecer na participação norte-americana está o conflito com o Irã, que passou a produzir consequências econômicas e políticas dentro e fora dos Estados Unidos. A interrupção e a instabilidade nas rotas de fornecimento de petróleo contribuíram para aumentar a preocupação com preços de combustíveis e segurança energética. Consequentemente, Trump chega à Assembleia sob pressão para defender a estratégia adotada por seu governo e explicar seus objetivos internacionais. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 14 de setembro registrou aprovação presidencial de 35%, após 33% em levantamento anterior, enquanto questões econômicas e o conflito iraniano continuavam afetando a percepção pública sobre sua administração. Entretanto, pesquisas representam fotografias do momento em que foram realizadas e não determinam o comportamento futuro dos eleitores. Ainda assim, elas ajudam a contextualizar por que decisões de política externa também ganharam peso no debate doméstico norte-americano às vésperas das eleições legislativas.

Trump busca diálogo com aliados europeus durante Assembleia da ONU

Enquanto enfrenta críticas e divergências com parceiros tradicionais, Trump deverá aproveitar sua passagem por Nova York para conversar diretamente com líderes europeus. Entre os encontros previstos está uma reunião com o primeiro-ministro britânico Andy Burnham, que assumiu o cargo em julho e terá seu primeiro encontro presencial com o presidente norte-americano. Burnham afirmou que pretende adotar uma postura pragmática, preservando os interesses britânicos mesmo quando existirem diferenças com Washington. Entre os assuntos esperados estão o apoio à Ucrânia, a segurança energética e a situação no Oriente Médio. Além disso, Trump deverá encontrar o presidente francês Emmanuel Macron. Assim, embora a relação dos Estados Unidos com governos europeus atravesse desacordos importantes, esses contatos mostram que os canais diplomáticos permanecem ativos. Portanto, dizer que Trump está “isolado” deve ser entendido como referência às divergências e ao distanciamento em determinadas pautas, e não como ausência completa de cooperação entre Washington e seus aliados.

Xi Jinping e Trump terão encontro de grande peso geopolítico

Paralelamente à Assembleia Geral, outra frente importante será a relação entre Estados Unidos e China. Xi Jinping não estará presente no encontro da ONU, pois está prevista uma visita do presidente chinês aos Estados Unidos. Segundo informações publicadas nesta segunda-feira, as conversas entre Washington e Pequim deverão envolver comércio, inteligência artificial e segurança nacional, temas que ocupam posições centrais na competição entre as duas maiores economias do mundo. Consequentemente, a reunião entre Trump e Xi poderá ter importância que ultrapassa a própria agenda da Assembleia Geral. Ao mesmo tempo, a ausência presencial do líder chinês em Nova York modifica a dinâmica diplomática do encontro, já que Pequim será representada pelo vice-presidente Han Zheng. Nesse cenário, Trump precisará administrar simultaneamente suas relações com aliados europeus e com a principal potência concorrente dos Estados Unidos. Assim, diplomacia, segurança e economia estarão conectadas durante praticamente toda a agenda internacional do presidente norte-americano nesta semana.

Eleições de meio de mandato aumentam pressão doméstica sobre Trump

Além dos desafios internacionais, Trump vai à ONU pressionado por um calendário político doméstico decisivo. As eleições de meio de mandato colocarão em disputa todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado. Pesquisas recentes registraram vantagem dos democratas na pergunta genérica sobre preferência para o Congresso. No levantamento Reuters/Ipsos publicado em 14 de setembro, 44% disseram preferir candidatos democratas e 37% republicanos. Já pesquisa nacional da Marquette Law School, realizada entre 2 e 9 de setembro, registrou 50% para democratas e 42% para republicanos entre eleitores registrados; entre os considerados prováveis eleitores, os percentuais foram de 54% e 41%, respectivamente. Entretanto, esses números nacionais não permitem determinar antecipadamente a composição do próximo Congresso, porque as eleições são disputadas por distritos e estados específicos. Portanto, os levantamentos mostram o ambiente político enfrentado atualmente pelo governo, mas não constituem previsão de resultado eleitoral.

Trump vai à ONU pressionado e terá semana de intensa diplomacia

Por fim, a passagem de Donald Trump por Nova York combina três dimensões importantes: conflitos internacionais, relações com aliados e política doméstica. Além de discursar depois de Lula na Assembleia Geral, o presidente norte-americano terá encontros diplomáticos e também uma reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Apesar das diferenças políticas entre ambos, Trump e Mamdani já mantiveram contatos cordiais, e a reunião prevista para segunda-feira deverá tratar de questões relacionadas à cidade. Enquanto isso, Lula também deverá se encontrar separadamente com Mamdani, sem que exista, até o momento, uma bilateral formal anunciada entre os presidentes brasileiro e norte-americano. Dessa forma, Trump vai à ONU pressionado por diferentes frentes, porém com uma agenda que também oferece oportunidades para diálogo diplomático. O resultado político desses encontros dependerá das decisões posteriores de cada governo; contudo, a Assembleia deverá oferecer uma indicação mais clara sobre como Washington pretende administrar simultaneamente seus conflitos, suas alianças e as disputas estratégicas que marcam o atual cenário internacional.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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