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Vorcaro e o pai depõem hoje: o que a PF quer descobrir sobre “A Turma”

Vorcaro e o pai, Henrique, depõem hoje à PF sobre “A Turma” e “Os Meninos”

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Moura Vorcaro, devem ser ouvidos nesta quarta-feira (30) pela Polícia Federal (PF) em uma investigação relacionada aos grupos denominados “A Turma” e “Os Meninos”. As oitivas estão previstas para ocorrer em Brasília e fazem parte de uma apuração que busca esclarecer uma suposta estrutura paralela de intimidação, monitoramento e obtenção ilegal de informações. Daniel deverá prestar depoimento às 14h, por videoconferência, enquanto Henrique está previsto para ser ouvido às 16h. Embora os dois estejam presos preventivamente, as situações processuais são diferentes: Daniel está detido desde março, enquanto Henrique foi preso em maio, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero. Assim, os novos depoimentos são considerados importantes para o avanço e possível encerramento de um dos inquéritos ligados ao caso Banco Master.

Vorcaro e o pai, Henrique, entram na reta final da investigação

Os depoimentos foram marcados depois de sucessivos adiamentos solicitados pelas defesas. Inicialmente, os advogados questionaram a possibilidade de prestar esclarecimentos sem acesso integral aos elementos reunidos pela investigação. Posteriormente, a defesa de Daniel informou que teve acesso ao conteúdo referente a “A Turma” em 25 de setembro, permitindo a preparação para a nova oitiva. Dessa maneira, a PF chegou à data de 30 de setembro com a expectativa de ouvir os dois investigados sobre a rede de contatos e as atividades atribuídas aos grupos. Segundo a investigação, os esclarecimentos podem ajudar a fechar uma das frentes ainda abertas do caso. Além disso, os depoimentos deverão permitir que Daniel e Henrique apresentem diretamente suas versões sobre mensagens, pagamentos e relações mencionadas nos documentos policiais. Portanto, o momento é considerado relevante tanto para os investigadores quanto para as defesas.

O que a PF investiga no caso Banco Master

A investigação está inserida no conjunto de procedimentos da Operação Compliance Zero, que apura diferentes suspeitas relacionadas ao antigo Banco Master e a pessoas próximas ao seu ex-controlador. Nesse contexto, a PF afirma ter identificado dois núcleos com funções distintas, porém supostamente complementares. “A Turma” é descrita pelos investigadores como um grupo voltado a ações presenciais, incluindo intimidação, monitoramento de pessoas, levantamentos clandestinos e obtenção de informações sigilosas. Já “Os Meninos” teria uma atuação predominantemente tecnológica, com suspeitas envolvendo invasões de sistemas, ataques cibernéticos, derrubada de perfis e monitoramento ilegal de comunicações. É importante destacar, contudo, que essas descrições correspondem à hipótese investigativa apresentada pela Polícia Federal. A existência das condutas criminosas e a responsabilidade individual de cada investigado ainda precisam ser demonstradas no processo, com respeito ao contraditório e à ampla defesa.

“A Turma” e “Os Meninos” teriam funções diferentes

Conforme os elementos apresentados pela PF, a divisão entre os dois grupos teria permitido que diferentes tarefas fossem executadas de maneira especializada. A chamada “A Turma” estaria associada principalmente à atuação presencial e à coleta de informações sobre pessoas consideradas adversárias ou críticas. Paralelamente, “Os Meninos” seria utilizado, segundo os investigadores, para ações digitais mais sofisticadas. A PF suspeita, inclusive, que sistemas de órgãos públicos e instituições internacionais tenham sido acessados de maneira indevida para a obtenção de dados relacionados a investigações envolvendo Vorcaro. Entre os sistemas mencionados estão estruturas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol. Caso essas suspeitas sejam comprovadas, os episódios poderão ter consequências relevantes para as investigações, uma vez que informações obtidas antecipadamente poderiam, em tese, comprometer diligências sigilosas. Por isso, a origem, o acesso e o destino desses dados estão sendo examinados pelos investigadores.

Vorcaro e o pai, Henrique, serão questionados sobre pagamentos

Outro ponto importante da investigação envolve as relações financeiras atribuídas aos integrantes dos grupos. Segundo a PF, mensagens analisadas durante o inquérito indicariam a existência de pagamentos relacionados à manutenção das atividades investigadas. Henrique Vorcaro aparece nos documentos policiais como uma pessoa que teria mantido contatos com integrantes apontados como participantes de “A Turma”. Entretanto, a interpretação dessas mensagens é contestada pelo próprio empresário. Em carta enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Henrique afirmou que os pagamentos mencionados pelos investigadores estariam relacionados a negócios e empreendimentos imobiliários. Além disso, negou conhecer o grupo investigado ou ter participado de qualquer estrutura destinada a intimidar pessoas. Assim, um dos principais pontos do depoimento deverá ser justamente a explicação sobre a natureza dessas relações, já que a PF atribui significado diferente aos contatos e às movimentações financeiras analisadas.

Defesa de Henrique contesta interpretação da PF

Henrique Vorcaro apresentou sua contestação diretamente ao STF antes de ser ouvido pela Polícia Federal. Na manifestação, ele afirmou que não deveria ser associado às atividades empresariais do filho apenas por causa do vínculo familiar e sustentou que seus próprios negócios eram independentes. Além disso, contestou a interpretação feita pelos investigadores sobre determinadas conversas e pagamentos. A defesa também pediu a revisão da prisão preventiva e apresentou argumentos relacionados às condições enfrentadas por Henrique durante a custódia. Desse modo, o depoimento marcado para esta quarta-feira poderá representar a primeira oportunidade para que ele responda formalmente às questões levantadas pela PF dentro dessa investigação específica. Ao mesmo tempo, a versão apresentada pela defesa deverá ser confrontada com mensagens, registros financeiros e demais elementos já reunidos no inquérito, procedimento comum em investigações dessa natureza.

O que os depoimentos de Vorcaro podem esclarecer

Para os investigadores, as oitivas podem ajudar a estabelecer a relação entre os supostos núcleos operacionais e as pessoas que eventualmente teriam solicitado, financiado ou se beneficiado das atividades atribuídas a eles. No caso de Daniel Vorcaro, deverão ser esclarecidos especialmente os contatos e a possível relação com “A Turma” e “Os Meninos”. Já Henrique deverá responder às suspeitas que surgiram a partir de mensagens e movimentações financeiras interpretadas pela PF como possíveis vínculos com o grupo. Além disso, os investigadores pretendem esclarecer se informações sigilosas teriam sido obtidas ilegalmente e posteriormente repassadas a pessoas interessadas. Caso novos elementos sejam apresentados durante os interrogatórios, eles poderão ser incorporados ao relatório final. Por outro lado, se as explicações forem consideradas incompatíveis com outras provas, novas diligências poderão ser avaliadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.

Investigação de Vorcaro avança para uma etapa decisiva

Com os depoimentos de Daniel e Henrique, a Polícia Federal pretende avançar para a conclusão de uma das investigações relacionadas à chamada “A Turma”. O resultado das oitivas, entretanto, não significa automaticamente que as suspeitas serão confirmadas ou que haverá responsabilização criminal. Depois de encerrada a investigação, os elementos reunidos deverão ser analisados pelas autoridades competentes e, conforme o caso, poderão ser encaminhados ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal. Dessa forma, mensagens, documentos, registros de acesso, movimentações financeiras e depoimentos serão considerados em conjunto, e não de maneira isolada. Enquanto isso, as defesas continuam contestando as interpretações apresentadas pela PF. Portanto, o depoimento desta quarta-feira representa mais uma etapa de um caso complexo, no qual diferentes núcleos, relações financeiras e possíveis acessos indevidos a informações estão sendo examinados. O ponto central, agora, será descobrir se as explicações apresentadas pelos investigados conseguem esclarecer as conexões apontadas pelos investigadores ou se novas provas serão consideradas necessárias para o prosseguimento da apuração.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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