Zema convoca ato em Brasília no dia do julgamento de Moraes

O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) convocou seus apoiadores para uma manifestação em Brasília na próxima terça-feira (15.set.2026), data prevista para o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do pedido de autorização para que a Polícia Federal investigue o ministro Alexandre de Moraes. A mobilização foi anunciada nesta quarta-feira (9.set.), em meio a uma sequência de decisões que alteraram a condução de processos relacionados à atual crise interna na Corte.
Em uma publicação nas redes sociais, Zema orientou seus apoiadores a chegarem à capital federal às 9h. O local da manifestação, entretanto, ainda não havia sido definido pela organização. Ao comentar a mobilização, o candidato afirmou que a data poderá representar um momento relevante para o cenário político e institucional brasileiro.
Segundo Zema, a manifestação não deve ser interpretada como uma disputa tradicional entre grupos políticos. O candidato procurou apresentar o ato como uma mobilização voltada à cobrança por transparência e por maior equilíbrio entre as instituições. Em sua publicação, também afirmou que o país precisa discutir a existência de autoridades que, em sua avaliação, estariam acima de questionamentos.
A convocação ocorre justamente em um momento de mudanças na condução de processos dentro do STF. Nesta quarta-feira, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, tomou decisões que modificaram a responsabilidade sobre parte dos procedimentos relacionados ao chamado inquérito das fake news e também reorganizaram a análise de questões envolvendo a direção da Polícia Federal.
Uma das principais medidas foi a retirada de Alexandre de Moraes da condução do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. O procedimento foi aberto em março de 2019 e, posteriormente, passou a ser conduzido por Moraes por determinação do então presidente do STF, Dias Toffoli. Com a nova decisão, os procedimentos ainda em andamento relacionados ao caso passam para a Presidência do Supremo.
A mudança, porém, não significa que todos os processos derivados do inquérito deixem de ser conduzidos por Moraes. Segundo a decisão, ações penais já instauradas e que tiveram denúncia recebida permanecem sob responsabilidade do ministro. Fachin também preservou os atos praticados durante o período em que Moraes esteve à frente do procedimento, evitando que as decisões anteriores sejam automaticamente afetadas.
Outro ponto que chamou atenção envolve a direção da Polícia Federal. Nos últimos dias, decisões de ministros do STF haviam criado posições diferentes sobre a permanência de Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da instituição. André Mendonça havia determinado seu afastamento preventivo, enquanto Flávio Dino posteriormente determinou seu retorno à função.
Diante da divergência, Fachin suspendeu os efeitos das decisões relacionadas ao afastamento e à reintegração, mantendo Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal neste momento. O presidente do STF afirmou que a sequência de determinações havia criado um conflito entre posições judiciais e defendeu que a Presidência da Corte centralize a condução da questão.
A permanência definitiva de Andrei Rodrigues no cargo, contudo, ainda depende de uma nova análise. Fachin determinou que o diretor-geral da Polícia Federal apresente informações no prazo de 48 horas. Depois disso, a Presidência do STF deverá avaliar os próximos passos sobre o assunto.
### Julgamento sobre investigação de Moraes
Além das decisões envolvendo o inquérito das fake news e a Polícia Federal, Fachin marcou para terça-feira (15.set.), às 10h, o julgamento que poderá definir se a Polícia Federal será autorizada a investigar Alexandre de Moraes. A análise será realizada pelo plenário do Supremo.
O caso tem relação com mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e estava sob relatoria de André Mendonça. Ao levar o assunto ao plenário, Fachin afirmou que cabe à Corte avaliar o pedido e preservar a integridade institucional do Supremo.
É justamente essa sessão que estará no centro da mobilização anunciada por Zema. O candidato tem utilizado suas redes sociais para divulgar a série “Os Intocáveis”, produzida com recursos de inteligência artificial e marcada por críticas a ministros do STF, políticos e empresários citados em investigações relacionadas ao Banco Master.
Com a manifestação prevista para o mesmo dia do julgamento, Brasília deverá concentrar atenções políticas e institucionais. A mobilização anunciada pelo candidato acrescenta um componente político a uma agenda que já desperta interesse dentro do Supremo e entre diferentes setores da sociedade.
O desfecho da sessão poderá definir os próximos passos sobre o pedido de investigação envolvendo Moraes, enquanto as recentes decisões de Fachin buscam reorganizar a condução de processos que provocaram divergências entre integrantes da própria Corte. Para Zema, a data representa uma oportunidade de levar às ruas o debate sobre os limites de atuação das instituições e a necessidade de fiscalização das autoridades públicas.





