Pesquisa Quaest mostrou como está a corrida à presidência no maior colégio eleitoral do Brasil

A pesquisa Quaest mostra a distância entre Lula e Flávio Bolsonaro no maior colégio eleitoral do Brasil, mas os números revelam uma disputa muito mais equilibrada do que uma simples leitura da liderança poderia indicar. Em São Paulo, o senador aparece numericamente à frente do presidente no cenário estimulado de primeiro turno, com 30% das intenções de voto contra 29% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados, o que transforma o resultado em um importante sinal para a eleição presidencial de 2026.
O levantamento foi realizado pela Quaest entre os dias 21 e 24 de agosto e ouviu 1.800 eleitores paulistas com 16 anos ou mais. A pesquisa foi contratada pela TV Globo e registrada na Justiça Eleitoral sob o número SP-06946/2026, com nível de confiança de 95%. Dessa forma, os números devem ser interpretados com cautela, sobretudo porque pequenas oscilações dentro da margem de erro não permitem afirmar que um candidato esteja efetivamente à frente do outro.
O resultado ganha relevância pelo peso eleitoral de São Paulo, que reúne mais de 34 milhões de eleitores e representa pouco mais de um quinto do eleitorado brasileiro. Por isso, o desempenho de Lula e Flávio no estado poderá ter impacto significativo na definição do segundo turno e na distribuição nacional dos votos. Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que existe um contingente expressivo de eleitores que ainda não escolheu candidato, abrindo espaço para mudanças importantes durante a campanha.
Pesquisa Quaest mostra a distância entre Lula e Flávio no maior colégio eleitoral
No cenário sem Pablo Marçal, Flávio Bolsonaro aparece com 30%, enquanto Lula registra 29%, uma diferença de apenas um ponto percentual. Renan Santos aparece em terceiro lugar com 5%, seguido por Ronaldo Caiado, com 4%, e Romeu Zema, com 3%, enquanto Augusto Cury alcança 2%. Portanto, os dois principais candidatos concentram uma parcela muito maior das intenções de voto e permanecem separados por uma diferença que, estatisticamente, não permite apontar um líder isolado.
A presença de Pablo Marçal modifica ligeiramente o quadro, mas não altera a característica principal da disputa. Quando o nome do candidato do PRTB é incluído, Lula e Flávio passam a registrar 30% cada, enquanto Marçal aparece com 4% e Ronaldo Caiado chega a 3%. Como Marçal permanece inelegível, esse cenário tem importância mais analítica do que eleitoral imediata, servindo para medir como seus votos poderiam afetar a distribuição das preferências caso sua situação jurídica fosse modificada.
Outro dado merece atenção: 13% dos entrevistados em São Paulo ainda se declararam indecisos, enquanto 12% afirmaram que votariam em branco, anulariam o voto ou não pretendem votar. Juntos, esses grupos representam aproximadamente um quarto do eleitorado consultado, percentual suficientemente grande para modificar o equilíbrio entre os dois líderes durante a campanha. Assim, tanto Lula quanto Flávio terão de disputar não apenas os votos já consolidados, mas também uma parcela relevante de eleitores que ainda não definiu seu posicionamento.
Lula e Flávio enfrentam disputa decisiva em São Paulo
A situação paulista contrasta com outros momentos da corrida presidencial e mostra como o cenário pode variar significativamente de acordo com o estado analisado. Em levantamento anterior da Quaest realizado em julho, Flávio aparecia com vantagem maior sobre Lula em São Paulo, enquanto Minas Gerais apresentava uma situação de equilíbrio e o Rio de Janeiro também favorecia o senador. Os novos números, entretanto, mostram que a diferença em São Paulo diminuiu para uma faixa de empate técnico, reforçando a possibilidade de uma disputa bastante competitiva.
O peso de São Paulo explica parte da importância estratégica desse resultado. O estado possui 34.104.226 eleitores, segundo dados eleitorais utilizados em levantamentos anteriores, o equivalente a 21,48% do eleitorado nacional, e por isso uma diferença de poucos pontos pode representar uma quantidade expressiva de votos. Além disso, o comportamento do eleitor paulista costuma ser observado com atenção pelas campanhas porque o estado concentra uma grande diversidade econômica, social e política, dificultando a construção de uma estratégia eleitoral única.
Para Flávio Bolsonaro, o resultado oferece um argumento importante para a campanha, pois o senador aparece numericamente à frente de Lula no principal colégio eleitoral do país. Entretanto, a vantagem de um ponto não pode ser apresentada como uma liderança estatisticamente consolidada, já que a margem de erro alcança dois pontos para mais ou para menos. Para Lula, por sua vez, o empate representa uma situação que exige atenção, especialmente porque a campanha presidencial ainda terá tempo para explorar temas econômicos, sociais e políticos capazes de alterar a preferência dos eleitores.
Eleição de 2026 pode ser definida pelo eleitorado indeciso
A pesquisa também reforça uma característica importante da eleição de 2026: a distância entre os dois principais nomes pode ser menor nos estados decisivos do que sugerem os números nacionais. Um levantamento mais recente da Quaest em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro mostrou que Lula e Flávio estão separados por no máximo dois pontos percentuais nos cenários de primeiro turno desses três grandes colégios eleitorais. Em Minas, os dois chegaram a 31% cada quando Pablo Marçal foi incluído, enquanto no Rio Flávio apresentou vantagem de dois pontos sem Marçal e de dois pontos também com sua presença.
Esse quadro indica que a eleição poderá ser decidida por uma combinação de fatores regionais, desempenho de campanha e capacidade de conquistar os eleitores que ainda não possuem candidato definido. Por outro lado, os números não significam que o resultado esteja antecipado, pois pesquisas eleitorais representam uma fotografia do momento em que as entrevistas foram realizadas. Até a votação, debates, propaganda eleitoral, alianças, acontecimentos políticos e avaliações sobre o governo poderão alterar o comportamento do eleitorado.
No caso específico de São Paulo, a disputa entre Lula e Flávio tende a receber atenção especial justamente porque os dois estão praticamente empatados e porque os demais candidatos aparecem muito distantes. A pesquisa mostra que Renan Santos, Caiado e Zema ainda possuem um caminho consideravelmente maior para alcançar os líderes, enquanto uma parcela significativa do eleitorado permanece disponível para ser convencida. Portanto, a pesquisa Quaest mostra a distância entre Lula e Flávio, mas também revela algo ainda mais importante: o maior colégio eleitoral brasileiro continua aberto e poderá exercer papel decisivo na definição da corrida presidencial de 2026.





