No X, antigo Twitter, ex-comandante da FAB faz críticas às declarações de Flávio na Globo

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, reagiu à declaração de Flávio Bolsonaro sobre um suposto apoio seu à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. O militar classificou a afirmação como uma “leviandade” e afirmou que o candidato à Presidência teria utilizado a acusação para evitar responder diretamente a um questionamento feito durante a sabatina da TV Globo. A manifestação ocorreu neste sábado, 29 de agosto de 2026, um dia depois da entrevista de Flávio no Jornal Nacional.
A controvérsia surgiu quando Flávio foi questionado sobre os relatos apresentados por ex-comandantes das Forças Armadas a respeito das pressões ocorridas após a eleição presidencial de 2022. Baptista Junior era comandante da Aeronáutica naquele período e relatou que havia resistido às tentativas de envolver as Forças Armadas em uma ruptura institucional. Em resposta à pergunta, Flávio afirmou que o militar estaria fazendo campanha para Lula, deslocando o foco da discussão para uma suposta preferência eleitoral do ex-comandante.
A resposta de Baptista Junior foi publicada nas redes sociais e trouxe uma contestação direta ao candidato do PL. Segundo o ex-comandante, a origem da afirmação era desconhecida e sua atuação anterior não poderia ser utilizada para sustentar a acusação apresentada durante a entrevista. Além disso, ele afirmou que os relatos feitos no Supremo Tribunal Federal e as informações de seu livro estavam relacionados aos acontecimentos envolvendo as Forças Armadas, e não a uma eventual participação em campanha eleitoral.
Ex-comandante da FAB contestou Flávio Bolsonaro
Baptista Junior afirmou que a declaração de Flávio representou uma tentativa de escapar da questão que havia sido apresentada pelos entrevistadores. O ex-comandante considerou que a estratégia poderia ser compreendida dentro da relação familiar de Flávio com Jair Bolsonaro, mas avaliou que uma pessoa que pretende ocupar a Presidência deveria responder diretamente a questionamentos relacionados aos fatos políticos do período. Dessa maneira, a reação do militar colocou novamente no centro do debate os acontecimentos ocorridos depois da eleição de 2022.
O nome de Baptista Junior ganhou relevância justamente por causa de seu depoimento sobre as pressões sofridas pelos comandantes militares no final do governo Jair Bolsonaro. Na época, ele ocupava o comando da FAB e, segundo seu próprio relato, havia preocupação com a possibilidade de uma ruptura entre tropas caso alguma iniciativa fosse tomada em desacordo com a posição adotada pelo então comandante do Exército, general Freire Gomes. O episódio passou a ser analisado posteriormente no contexto das investigações sobre a tentativa de ruptura institucional após a derrota de Bolsonaro para Lula.
Em entrevista concedida anteriormente, Baptista Junior também afirmou que existia um risco que considerava iminente de golpe no período posterior à eleição. Segundo o militar, havia preocupação com possíveis iniciativas que pudessem provocar uma divisão entre integrantes das Forças Armadas, especialmente diante da capacidade de mobilização existente no Exército. Por isso, seus relatos passaram a ser considerados relevantes nas apurações que buscaram reconstruir os acontecimentos ocorridos em Brasília no final de 2022.
Flávio Bolsonaro foi questionado sobre tentativa de ruptura
A declaração de Flávio ocorreu durante a sabatina realizada pela TV Globo na sexta-feira, 28 de agosto. O candidato foi questionado sobre os depoimentos de antigos comandantes das Forças Armadas e sobre a resistência de alguns deles às pressões para apoiar medidas que poderiam interromper o processo de transição presidencial. Ao responder, Flávio voltou a defender a narrativa política do grupo bolsonarista e questionou a credibilidade dos relatos apresentados por militares que participaram das reuniões daquele período.
O episódio ganhou importância porque a entrevista fazia parte de uma série de sabatinas com candidatos à Presidência e tinha grande alcance nacional. Flávio precisava apresentar suas posições sobre temas relacionados à democracia, às urnas eletrônicas e aos acontecimentos envolvendo o governo de seu pai, ao mesmo tempo em que tentava construir uma imagem própria para a disputa de 2026. Nesse cenário, a menção a Baptista Junior transformou uma pergunta sobre as Forças Armadas em uma nova discussão política envolvendo o candidato.
A reação do ex-comandante também ocorreu em um momento no qual a atuação das Forças Armadas durante e depois da eleição de 2022 continuava sendo discutida no ambiente político e judicial. Baptista Junior havia afirmado que nunca deu ao então presidente Jair Bolsonaro qualquer sinal de que apoiaria uma ruptura da ordem constitucional, apesar de ter mantido uma relação institucional com o governo. Ele também explicou que sua presença em eventos ou encontros com Bolsonaro não significava apoio a qualquer iniciativa ilegal.
Ex-comandante da FAB voltou ao centro do debate eleitoral
A troca de declarações entre Flávio Bolsonaro e Baptista Junior mostrou como os acontecimentos do final de 2022 continuavam sendo utilizados durante a campanha presidencial de 2026. Para o candidato do PL, os relatos dos militares precisavam ser contestados dentro de sua estratégia política, enquanto para o ex-comandante da FAB a questão deveria ser tratada a partir dos fatos e dos depoimentos apresentados às autoridades. Assim, um episódio ocorrido durante a sabatina acabou reabrindo uma discussão sobre o papel das Forças Armadas na crise institucional daquele período.
A resposta de Baptista Junior também reforçou a importância dos depoimentos prestados por antigos comandantes na reconstrução dos acontecimentos posteriores à eleição de Lula. Enquanto Flávio Bolsonaro tenta consolidar sua candidatura preservando a identidade política associada ao pai, seus adversários e críticos continuam explorando os episódios relacionados à tentativa de ruptura institucional como parte do debate eleitoral. Portanto, a acusação de que o ex-comandante estaria fazendo campanha para Lula acabou sendo transformada em mais um capítulo da disputa política sobre o legado do governo Jair Bolsonaro e os acontecimentos que marcaram a transição presidencial de 2022.





