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Flávio Bolsonaro conversou com Vorcaro sobre pagamentos do filme Dark Horse

Flávio Bolsonaro utilizou uma figurinha do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump para confirmar a Daniel Vorcaro que havia entendido a proposta de uma reunião entre os dois. A conversa ocorreu durante o período em que o senador tratava com o então controlador do Banco Master sobre recursos destinados ao filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. O conteúdo das mensagens passou a ser analisado pela Polícia Federal dentro da investigação que apura a origem e a movimentação do dinheiro destinado ao longa.

Segundo as informações divulgadas pelo Metrópoles, a troca de mensagens mostra que Flávio e Vorcaro mantinham comunicação direta durante as negociações. A utilização da imagem de Trump foi registrada como uma forma de confirmação dentro da conversa entre os dois. Naquele período, os contatos estavam relacionados principalmente ao andamento do financiamento e às questões envolvendo a produção do filme.

As mensagens ganharam relevância após documentos da investigação serem tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal identificou Flávio como interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas para obtenção dos recursos que seriam destinados ao projeto cinematográfico. O financiamento previsto para Dark Horse chegou a US$ 24 milhões, segundo os documentos analisados pelos investigadores.

Flávio Bolsonaro e Vorcaro mantinham contato sobre o filme

A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro já havia sido revelada anteriormente por mensagens e áudios nos quais o senador cobrava pagamentos para a produção de Dark Horse. Flávio afirmou que havia procurado Vorcaro para garantir o cumprimento das parcelas necessárias à continuidade das filmagens. Segundo sua versão, sua participação estava relacionada à busca de patrocínio privado para o filme sobre seu pai.

Em uma das conversas divulgadas anteriormente, Flávio demonstrou preocupação com atrasos nos pagamentos e mencionou compromissos assumidos com profissionais estrangeiros envolvidos na produção. O senador citou, entre outros nomes, o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh ao cobrar a regularização dos valores. As mensagens foram posteriormente incorporadas ao conjunto de informações analisadas pela Polícia Federal.

A investigação passou a examinar não apenas a negociação do patrocínio, mas também o caminho percorrido pelos recursos enviados ao exterior. De acordo com a PF, parte dos valores teria sido direcionada ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, estrutura que tinha ligação com o advogado de Eduardo Bolsonaro. A corporação levantou suspeitas sobre a finalidade de parte dos recursos e sobre possíveis irregularidades financeiras.

Investigação apura financiamento de Dark Horse

O filme Dark Horse foi apresentado como uma produção internacional sobre a trajetória de Jair Bolsonaro e recebeu uma previsão de investimento de US$ 24 milhões. Documentos analisados pela Polícia Federal indicam que US$ 12,3 milhões já haviam sido enviados em 2025 para o fundo Havengate. Os investigadores passaram a questionar a estrutura financeira utilizada para movimentar os recursos e a viabilidade econômica apresentada para o projeto.

Além de Flávio, Eduardo Bolsonaro e o deputado Mário Frias aparecem nas investigações relacionadas ao financiamento do longa. Eduardo é apontado pela PF como alguém que teria orientado formas de administrar os recursos nos Estados Unidos, enquanto Mário Frias aparece relacionado à produção e a uma emenda parlamentar destinada a uma organização ligada ao projeto. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal.

Flávio Bolsonaro nega que tenha cometido irregularidades e sustenta que o financiamento foi privado. O senador também já afirmou que seu contato com Vorcaro ocorreu exclusivamente por causa do filme e que não recebeu dinheiro ou vantagem pessoal do empresário. A defesa do candidato tem adotado o discurso de que os documentos devem ser divulgados para que as acusações sejam avaliadas com base nas provas disponíveis.

Mensagens entram no radar da Polícia Federal

A troca envolvendo a figurinha de Trump passou a ser relevante porque ajuda a reconstruir a sequência de contatos entre Flávio e Vorcaro durante as negociações do filme. Outros registros analisados pela PF mostram que o senador continuou cobrando recursos e recebendo informações sobre os pagamentos enquanto a produção avançava. Dessa forma, as mensagens são avaliadas em conjunto com outros elementos reunidos no inquérito.

A investigação sobre Dark Horse continua dentro do conjunto de apurações relacionadas ao Banco Master e às movimentações financeiras de Daniel Vorcaro. Os documentos já divulgados indicam que diferentes pessoas participaram das negociações, da administração dos recursos e da produção do longa. Novas informações poderão ser analisadas pelas autoridades para esclarecer a origem dos valores, sua destinação e eventual existência de irregularidades.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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