Equipe de Lula avalia as vantagens e desvantagens de um encontro com Zohran Mamdani

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, pediu um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a passagem do brasileiro pela cidade para a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A solicitação foi apresentada enquanto o governo brasileiro organiza uma agenda de reuniões bilaterais para a próxima semana, mas a realização da conversa ainda não havia sido oficialmente confirmada pelo Palácio do Planalto. O episódio ganhou atenção porque Mamdani mantém divergências públicas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um momento de relações diplomáticas delicadas entre Washington e Brasília.
Inicialmente, a equipe do prefeito havia convidado Lula para participar de um encontro com lideranças progressistas que estarão em Nova York durante a Assembleia da ONU. O convite, entretanto, não foi aceito nesse formato, e posteriormente foi apresentada a possibilidade de uma reunião bilateral entre o prefeito e o presidente brasileiro. Segundo informações divulgadas sobre as tratativas, a conversa poderá ocorrer na segunda-feira, 21 de setembro, antes do pronunciamento de Lula no plenário da ONU.
A viagem presidencial terá duração curta e será concentrada em compromissos diplomáticos, encontros com autoridades e na tradicional abertura dos discursos da Assembleia Geral pelo chefe de Estado brasileiro. Lula deverá chegar a Nova York no domingo, dia 20, enquanto o discurso está previsto para terça-feira, dia 22, quando também deverá se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Assim, a eventual reunião com Mamdani será inserida em uma programação já bastante disputada, na qual outros pedidos de encontros também estão sendo avaliados pelo governo.
Prefeito de Nova York pede encontro com Lula em meio à agenda da ONU
Zohran Mamdani assumiu a Prefeitura de Nova York no início de 2026 e passou a ocupar uma posição de destaque na política da maior cidade dos Estados Unidos. Descendente de imigrantes e identificado com o socialismo, ele defende propostas relacionadas à ampliação da moradia acessível, congelamento de aluguéis, transporte público gratuito e redução do custo de vida. Além disso, Mamdani tem adotado posições críticas em relação a políticas migratórias do governo federal americano.
A relação de Mamdani com Donald Trump também ajuda a explicar a atenção dada ao possível encontro com Lula. Desde que assumiu a prefeitura, o prefeito tem confrontado determinadas políticas do governo federal, especialmente na área de imigração, e já determinou que a polícia de Nova York não colabore com agentes federais do ICE em determinadas circunstâncias. Ao mesmo tempo, Trump já se reuniu com Mamdani, o que é citado por integrantes do governo brasileiro ao avaliar os possíveis efeitos diplomáticos de uma conversa entre o prefeito e Lula.
A possível reunião também ocorre enquanto Brasil e Estados Unidos atravessam um período de tensão diplomática e comercial. Por isso, integrantes do governo brasileiro avaliam o encontro levando em consideração tanto a agenda internacional de Lula quanto os desdobramentos que uma aproximação com o prefeito de Nova York poderia produzir na relação com Washington. No entanto, o Itamaraty informou que o pedido de Mamdani faz parte de uma lista mais ampla de solicitações e que a reunião ainda dependia da confirmação da agenda presidencial.
Lula terá agenda intensa durante a Assembleia Geral da ONU
A programação de Lula em Nova York terá como principal compromisso a participação na 81ª Assembleia Geral da ONU. Tradicionalmente, o presidente brasileiro realiza o primeiro discurso do Debate Geral, e neste ano a previsão é de que o pronunciamento ocorra na terça-feira, 22 de setembro. O tema da edição de 2026 é “Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”.
De acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores, o discurso presidencial deverá abordar a defesa do multilateralismo, a reforma das Nações Unidas, a promoção da paz e a cooperação internacional. Também deverão ser tratados temas relacionados ao combate à pobreza e à fome, além da defesa de negociações para os conflitos atualmente em andamento e do respeito ao direito internacional humanitário. Dessa maneira, a participação brasileira será apresentada dentro das prioridades históricas da política externa do país.
Paralelamente, o chanceler Mauro Vieira deverá participar de uma reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante a presidência brasileira do G20, em 2024. A aliança reúne mais de 215 integrantes, incluindo mais de cem países, com o objetivo de articular governos, instituições internacionais, organismos financeiros e organizações da sociedade civil. Enquanto isso, Lula deverá manter reuniões bilaterais na segunda-feira e retornar ao Brasil logo depois de seu pronunciamento na ONU.
Possível encontro entre Lula e Mamdani ocorre em cenário diplomático sensível
Até o momento das informações divulgadas, não havia confirmação oficial de uma reunião entre Lula e Donald Trump durante a passagem do brasileiro por Nova York. Os dois presidentes poderão, entretanto, estar no mesmo ambiente durante a abertura da Assembleia Geral, já que Trump deverá falar logo depois do chefe de Estado brasileiro. No ano anterior, Lula e Trump tiveram um breve contato nos bastidores do evento, e posteriormente o presidente americano afirmou que havia ocorrido uma boa interação entre os dois.
Nesse cenário, a possibilidade de Lula receber Zohran Mamdani passou a ser acompanhada dentro de um contexto que envolve política municipal de Nova York, relações Brasil-Estados Unidos e a própria agenda diplomática das Nações Unidas. O encontro ainda poderá sofrer alterações até o fechamento definitivo da programação presidencial, embora fontes tenham indicado a manhã de 21 de setembro como possibilidade para a conversa. Caso seja confirmado, o compromisso será realizado paralelamente à Assembleia Geral e deverá ser tratado como uma reunião bilateral entre autoridades.
A solicitação do prefeito de Nova York, portanto, foi incorporada à agenda internacional de Lula em um período marcado por importantes discussões sobre cooperação, comércio, conflitos internacionais e relações diplomáticas. Ao mesmo tempo, a presença de Mamdani na programação de Nova York reforça a dimensão política do encontro, especialmente porque o prefeito mantém posições divergentes das adotadas pelo governo Trump em determinadas questões. A decisão final sobre a reunião, contudo, depende do fechamento da agenda brasileira e das tratativas diplomáticas que ainda estavam em andamento.





