Ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu a Edson Fachin para revogar sua prisão preventiva

A defesa de Daniel Vorcaro pediu nesta sexta-feira, 18 de setembro, ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação da prisão preventiva do ex-banqueiro. O pedido está relacionado às investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master e o empresário. Como argumento, os advogados citaram a indefinição criada no Supremo após o pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino.
Vorcaro está preso desde novembro de 2025 e atualmente permanece no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Na petição encaminhada a Fachin, a defesa sustenta que ele não pode continuar detido por tempo indeterminado enquanto questões relacionadas à condução do caso permanecem sem definição. Os advogados também pedem que, caso a prisão não seja revogada, ela seja substituída por outras medidas cautelares.
Segundo a defesa, a situação processual passou a ser afetada pelo impasse sobre a relatoria e a competência para conduzir os procedimentos relacionados ao caso Master. O argumento apresentado é que a indefinição não pode resultar na manutenção automática da prisão preventiva de Vorcaro. A petição também afirma que o prazo para reavaliação da necessidade da prisão já teria ultrapassado os 90 dias previstos para essa análise.
Vorcaro pede a Fachin revisão da prisão preventiva
Na sessão do STF realizada em 15 de setembro, Flávio Dino pediu vista durante a análise de uma questão de ordem relacionada aos procedimentos que envolvem Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O pedido de vista interrompeu temporariamente a análise e, conforme as regras atuais do Supremo, o ministro responsável deve devolver os autos dentro do prazo regimental. A defesa utiliza justamente essa suspensão como parte da justificativa apresentada a Fachin.
Os advogados afirmam que a definição sobre a relatoria e a competência para conduzir os procedimentos correlatos também ficou sem conclusão após a sessão. Para a defesa, Vorcaro não deveria permanecer preso enquanto aguarda decisões que, segundo os representantes, não dependem diretamente dele. O pedido encaminhado ao presidente do STF busca, portanto, uma nova análise das razões que sustentam a prisão preventiva.
A defesa também afirma que Vorcaro estaria disposto a colaborar com as autoridades e a prestar esclarecimentos sobre os fatos que conhece. Segundo a petição, as oportunidades para que ele se manifestasse verbalmente teriam sido limitadas desde o início da prisão. Os advogados sustentam que a disposição para colaborar deve ser considerada na avaliação sobre a necessidade de manutenção da custódia.
Vorcaro cita impasse no Supremo como argumento
O pedido ocorre em meio a uma disputa processual no STF envolvendo diferentes procedimentos relacionados ao Banco Master e à Operação Compliance Zero. O caso chegou a envolver uma discussão sobre a condução das investigações depois que o ministro André Mendonça, relator de um dos procedimentos, levantou o sigilo de um relatório da operação. A partir desse material, foram discutidas no plenário questões relacionadas a possíveis investigações envolvendo Alexandre de Moraes.
Na sessão de 15 de setembro, os ministros discutiram inicialmente a forma de tramitação dos procedimentos e uma questão de ordem apresentada durante o julgamento. Flávio Dino pediu vista antes da conclusão da análise, o que interrompeu o julgamento naquele momento. O mecanismo permite ao ministro examinar os autos antes de apresentar seu voto e possui prazo regimental para devolução.
A defesa de Vorcaro relaciona esse cenário à situação do empresário, argumentando que a indefinição no Supremo não pode prolongar indefinidamente a prisão preventiva. O pedido foi direcionado a Edson Fachin porque a condução dos procedimentos relacionados à operação passou a envolver o gabinete da presidência da Corte. Caberá ao Supremo analisar os argumentos apresentados pelos advogados e decidir sobre a continuidade ou eventual substituição da prisão.
Vorcaro aguarda decisão sobre a prisão
Além da situação no Supremo, a defesa afirma que já passou o período utilizado como referência para a revisão da prisão preventiva. Os advogados sustentam que a necessidade da custódia deve ser reavaliada periodicamente e que não houve, segundo eles, uma nova análise dentro do prazo apontado na petição. A solicitação apresentada a Fachin busca justamente provocar essa reavaliação judicial.
O caso continua relacionado às investigações da Operação Compliance Zero, que apuram suspeitas de crimes financeiros e corrupção de agentes públicos envolvendo o Banco Master. Vorcaro permanece preso enquanto os procedimentos seguem em discussão no Supremo e na investigação conduzida pelas autoridades. Uma nova rodada de depoimentos de Daniel Vorcaro e de seu pai, Henrique Vorcaro, foi marcada pela Polícia Federal para 30 de setembro.





