Foto de Paulo Gonet fumando charuto e bebendo uísque ao lado de Vorcaro é usada contra Lula

Flávio Bolsonaro e outros candidatos de direita passaram a utilizar nas redes sociais uma fotografia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao lado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A imagem foi registrada em Londres, em abril de 2024, e foi localizada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, no contexto das investigações envolvendo o banco. A divulgação ocorreu poucos dias depois de Gonet participar de uma sessão do Supremo Tribunal Federal e afirmar que não mantinha proximidade com o ex-banqueiro.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-SP) usou a fotografia para fazer críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e relacionar a imagem à situação econômica do país. Em uma publicação nas redes sociais, o senador afirmou que, enquanto brasileiros enfrentariam dificuldades, pessoas ligadas ao governo estariam em Londres consumindo bebidas e fumando charutos. A manifestação foi feita em meio à repercussão das investigações sobre o Banco Master e das informações envolvendo diferentes autoridades.
A fotografia também foi compartilhada por outros nomes que disputam as eleições de 2026 e fazem oposição ao governo federal. Entre eles estão Romeu Zema, candidato à Presidência pelo Novo, Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo mesmo partido, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que concorre à reeleição. As manifestações tiveram como ponto central a relação entre a fotografia, as declarações anteriores de Gonet e as investigações que envolvem Vorcaro.
Flávio Bolsonaro usa foto de Gonet em crítica a Lula
A publicação de Flávio Bolsonaro ocorreu em um momento de forte repercussão política do caso Banco Master, que passou a envolver também discussões sobre contatos entre autoridades e Daniel Vorcaro. O senador, que também é investigado por ter feito pedido de dinheiro ao ex-banqueiro, utilizou a fotografia para questionar a atuação de integrantes das instituições envolvidas no caso. A Folha informou que Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
Segundo a reportagem, a imagem mostra Gonet sentado à mesa com Vorcaro e o advogado Ciro Soares, em um ambiente de encontro realizado em Londres. A fotografia foi extraída de conversas e arquivos encontrados no celular do ex-banqueiro durante as investigações conduzidas pela Polícia Federal. A PGR confirmou que Gonet participou do evento registrado na imagem, mas afirmou que se tratava de uma ocasião de 2024 com a presença de diversas autoridades.
A assessoria da Procuradoria-Geral da República também citou uma manifestação feita pelo ministro André Mendonça durante uma sessão do STF para contestar a interpretação de que a fotografia comprovaria uma relação de proximidade entre Gonet e Vorcaro. Na sessão mencionada, o procurador-geral havia dito que falou apenas uma vez com o ex-banqueiro e classificou o encontro como breve e sem relevância especial. A PGR afirmou ainda que o próprio Gonet já havia reconhecido sua participação no evento antes da divulgação da fotografia.
Candidatos de direita repercutem imagem de Paulo Gonet
Romeu Zema também utilizou a fotografia em uma publicação nas redes sociais e relacionou a imagem à atuação de Gonet no Supremo. O candidato do Novo fez uma referência à participação do procurador-geral no julgamento e questionou a relação dele com pessoas ligadas ao Banco Master. A manifestação ocorreu dentro da disputa eleitoral de 2026, na qual Zema concorre à Presidência da República.
Deltan Dallagnol, por sua vez, destacou que a fotografia veio a público depois de Gonet negar proximidade com Vorcaro durante a sessão do STF. O candidato ao Senado questionou publicamente qual seria a relação entre os dois, apresentando a imagem como elemento de contraste com a declaração feita pelo procurador-geral. A publicação de Dallagnol se somou às manifestações de outros candidatos que passaram a explorar o episódio durante a campanha eleitoral.
Nikolas Ferreira também entrou na discussão após responder a uma publicação do ministro Gilmar Mendes, que havia defendido Gonet antes da divulgação da fotografia. O deputado utilizou as redes sociais para criticar o procurador-geral e, posteriormente, publicou um vídeo no qual voltou a questionar as declarações feitas na sessão do Supremo. Na mesma manifestação, Nikolas mencionou ainda o contrato entre o escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master, outro ponto que aparece nas discussões políticas relacionadas ao caso.
Histórico de Paulo Gonet com setores bolsonaristas
Apesar das críticas atuais, a relação de Gonet com integrantes do campo bolsonarista já foi marcada anteriormente por manifestações favoráveis. Em 2019, quando Jair Bolsonaro avaliava nomes para ocupar a Procuradoria-Geral da República, a deputada Bia Kicis levou Gonet ao Palácio do Planalto e publicou uma avaliação positiva sobre sua atuação e seu perfil. Naquele período, a parlamentar destacou características que considerava compatíveis com posições conservadoras e defendeu o nome do procurador.
A própria trajetória de Gonet também foi citada naquele contexto de escolha para a PGR. Segundo a reportagem, ele integrou entre 1995 e 2002 a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e tomou posições que foram consideradas conservadoras em temas como cotas raciais e descriminalização do aborto. Gonet, por sua vez, sempre afirmou que sua atuação na comissão foi baseada em critérios jurídicos e sem orientação ideológica.
A mudança na relação política com Gonet ocorreu enquanto o procurador-geral passou a ser citado nas discussões sobre as investigações envolvendo o Banco Master e os contatos de Vorcaro com autoridades. Antes da divulgação da fotografia, Gonet já havia sido questionado sobre menções a seu nome em documentos relacionados ao caso e chegou a pedir a anulação de um relatório analisado pelo Supremo. A PGR também criou um grupo de trabalho para participar das apurações relacionadas ao caso, descentralizando parte da responsabilidade que estava concentrada no procurador-geral.
A fotografia, portanto, passou a integrar uma disputa política que envolve o governo Lula, o STF, a PGR e as investigações sobre o Banco Master. Para os candidatos que compartilharam a imagem, o registro serve como argumento para questionar a atuação de Gonet e de outras autoridades, enquanto a PGR sustenta que a fotografia mostra um evento público de 2024 e não comprova, por si só, uma relação de proximidade além daquele encontro. O episódio segue sendo utilizado nas redes sociais durante a campanha eleitoral de 2026, em meio à repercussão das investigações e dos documentos relacionados ao caso.





