Revista do jornal britânico, Financial Times, comparou os Bolsonaros à família Trump

Uma reportagem de capa publicada pelo Financial Times apresentou uma análise sobre a família Bolsonaro e suas disputas internas em meio à eleição presidencial de 2026. O texto, assinado pelo jornalista Michael Pooler, chefe do escritório do periódico britânico no Brasil, abordou a sucessão política de Jair Bolsonaro e a candidatura de seu filho Flávio Bolsonaro à Presidência. A publicação também estabeleceu uma comparação entre os Bolsonaros e a família Trump ao tratar da combinação entre política, redes sociais, celebridade e disputa pelo poder.
Intitulada Scandal and succession in the House of Bolsonaro, a reportagem descreveu a família como um grupo marcado por conflitos políticos e pessoais. Em um dos trechos destacados pela repercussão no Brasil, o Financial Times afirmou que os Bolsonaro praticam um “estilo paranoico de política”, expressão usada pelo próprio jornal em sua análise. A publicação também apresentou os integrantes da família como personagens de uma estrutura política que passou a ser observada internacionalmente pela influência construída nos últimos anos.
O texto teve como um dos principais pontos a disputa pela sucessão de Jair Bolsonaro, que deixou de ser candidato após ser condenado por crimes relacionados à tentativa de permanecer no poder. Flávio Bolsonaro foi apresentado como o nome escolhido pelo pai para disputar a Presidência, enquanto Michelle Bolsonaro apareceu na reportagem como uma personagem de crescente relevância dentro do grupo político. Segundo o Financial Times, a relação entre os integrantes da família passou por momentos de tensão, especialmente entre Flávio e Michelle.
Comparação com a família Trump
A comparação com a família Trump foi utilizada pelo Financial Times para explicar um fenômeno político que ultrapassaria a atuação individual dos candidatos. Segundo a publicação, os dois grupos combinariam exposição pública, influência familiar, redes sociais e uma atuação política fortemente associada às próprias famílias. A reportagem classificou essa combinação como característica de parte do cenário político dos anos 2020, sem limitar a análise ao Brasil ou aos Estados Unidos.
No caso brasileiro, a reportagem destacou que Jair Bolsonaro construiu uma trajetória política que envolveu seus filhos em diferentes funções e espaços de atuação. Flávio tornou-se senador pelo Rio de Janeiro e foi escolhido para representar o grupo na disputa presidencial, enquanto Carlos Bolsonaro manteve atuação política no Rio e Eduardo Bolsonaro construiu relações com movimentos conservadores internacionais. Dessa forma, a família passou a ocupar diferentes áreas da política brasileira e a manter uma presença pública que não ficou restrita ao período em que Jair esteve na Presidência.
A relação entre Jair Bolsonaro e seus filhos também foi descrita como parte importante da estrutura política construída ao longo dos anos. O Financial Times relatou que o ex-presidente continuaria exercendo influência sobre o grupo mesmo depois de ser impedido de atuar diretamente na campanha. A escolha de Flávio foi apresentada como resultado dessa influência, inclusive por meio de uma mensagem transmitida em julho durante a convenção do Partido Liberal que oficializou a candidatura presidencial.
Disputas internas ganharam espaço na reportagem
Um dos episódios analisados pelo Financial Times foi o conflito público entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. A situação veio a público depois que Michelle publicou um vídeo nas redes sociais no qual demonstrou insatisfação com decisões relacionadas à organização política do grupo e afirmou ter se sentido desrespeitada pelo enteado. O episódio repercutiu dentro do campo político bolsonarista e posteriormente foi seguido por uma tentativa de reaproximação entre os dois.
A reportagem também abordou a trajetória de Michelle e o crescimento de sua participação política. Ela foi apresentada como uma figura com forte presença entre setores evangélicos e como alguém que passou a desempenhar papel relevante na comunicação política da família durante o governo Jair Bolsonaro. Atualmente candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle foi descrita pelo jornal como uma das integrantes do grupo com maior potencial de influência política própria.
Eduardo Bolsonaro também recebeu destaque na análise por causa de sua atuação internacional e da proximidade construída com aliados de Donald Trump. O deputado foi descrito como um dos integrantes mais ideológicos da família e passou a viver no Texas, onde manteve contatos com setores conservadores norte-americanos. Carlos Bolsonaro, por sua vez, foi associado pelo jornal à estratégia de comunicação digital que ajudou a estruturar a presença da família nas redes sociais.
Flávio Bolsonaro ocupa o centro da sucessão
Flávio Bolsonaro foi apresentado pelo Financial Times como o principal nome da sucessão política de Jair Bolsonaro em 2026. O jornal destacou que ele tenta apresentar uma imagem diferente da do pai, inclusive ao se definir como um Bolsonaro mais moderado, mas continua vinculado ao legado político construído pelo ex-presidente. A reportagem também registrou que Flávio reconheceu a dimensão da influência do pai ao afirmar que Jair seria uma figura impossível de reproduzir dentro da própria família.
A análise também abordou as diferenças entre os integrantes do grupo e os conflitos provocados pela disputa por espaço político. Segundo o Financial Times, a influência de Michelle cresceu enquanto Flávio passou a ser tratado como o sucessor escolhido por Jair, criando uma dinâmica que envolveu interesses eleitorais e relações familiares. A reconciliação pública entre Michelle e Flávio, ocorrida em agosto, foi descrita como uma tentativa de demonstrar unidade antes da eleição.
No encerramento da reportagem, o Financial Times relacionou a disputa eleitoral brasileira ao futuro político da família Bolsonaro. O texto apresentou como possibilidade que uma eventual vitória de Flávio consolidasse a família como uma dinastia política, enquanto também destacou os debates sobre seu programa, suas relações políticas e o papel que Jair Bolsonaro continuaria exercendo. A publicação, portanto, concentrou sua análise não apenas na candidatura presidencial, mas também na estrutura familiar que sustenta parte importante do movimento político criado por Jair Bolsonaro.





