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PL não quer saber de acordão político e lutará pelo impeachment de Alexandre de Moraes e também de Flávio Dino

O Partido Liberal (PL) rejeitou a possibilidade de um acordo político com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e decidiu manter a pressão pela abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte. Segundo apuração do jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, Alexandre de Moraes deverá continuar como principal alvo da legenda, enquanto Flávio Dino também poderá ser incluído na estratégia a partir de 2027. A movimentação ocorre depois das eleições de 2026, que ampliaram a presença do PL e de outros partidos de direita no Senado.

De acordo com a apuração, integrantes do entorno de Flávio Bolsonaro interpretaram como sinais de aproximação algumas movimentações atribuídas a uma ala do STF, que estaria avaliando a possibilidade de estabelecer diálogo com setores do bolsonarismo. Entre as possibilidades mencionadas estaria uma negociação envolvendo questões relacionadas à situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro e à anistia de condenados pelos atos de 8 de janeiro. O PL, entretanto, não teria demonstrado disposição para aceitar esse tipo de entendimento e pretende preservar a estratégia de responsabilização dos ministros.

Nesse cenário, Alexandre de Moraes permanece no centro da disputa entre o partido e o Supremo, enquanto o futuro de Flávio Dino dependerá, segundo a reportagem, de sua atuação diante do resultado das eleições presidenciais. O partido avalia que determinadas decisões ou investigações conduzidas pelos ministros poderiam ampliar o conflito institucional a partir do próximo ano. Assim, a discussão sobre o impeachment passou a fazer parte de uma agenda política que deverá ganhar força com a nova composição do Congresso.

PL rejeita acordo e mantém pressão sobre Moraes

A estratégia do PL prevê que um eventual pedido contra Moraes seja apresentado no Senado em 2027, caso não ocorra antes uma solução dentro do próprio Supremo para as questões que envolvem o ministro. Segundo a CNN Brasil, integrantes do partido calculam ter atualmente 49 votos favoráveis ao impeachment de Moraes, enquanto seriam necessários 54 votos para alcançar os dois terços exigidos para o afastamento. Esse número, portanto, colocaria a legenda a cinco votos da quantidade necessária para uma eventual aprovação no plenário do Senado.

A possibilidade de um processo, contudo, não significa que o afastamento esteja definido, porque a tramitação depende de etapas formais e de decisões políticas dentro do Senado. A própria Casa explica que ministros do STF podem ser processados e julgados pelo Senado por crimes de responsabilidade, conforme estabelece a Constituição e regulamenta a Lei nº 1.079 de 1950. Até hoje, nenhum pedido de impeachment contra ministro do Supremo foi aprovado pelo Senado.

Além disso, pedidos dessa natureza precisam passar por procedimentos específicos antes de chegar a uma eventual votação dos senadores. A denúncia é protocolada no Senado como uma petição e passa por análise técnica da Advocacia do Senado, seguida de procedimentos internos antes de uma possível deliberação. Dessa forma, mesmo que exista uma quantidade significativa de parlamentares favoráveis à medida, o processo não ocorre automaticamente após a apresentação de um pedido.

Impeachment de Moraes e possível inclusão de Dino

Flávio Dino também entrou no radar do PL, mas em condições diferentes das relacionadas a Moraes. Conforme a apuração de Caio Junqueira, a decisão de apresentar um pedido contra o ministro dependerá principalmente de sua atuação depois da eleição presidencial e de eventuais medidas relacionadas à disputa política. Entre os pontos mencionados estão possíveis investigações sobre interferência estrangeira nas eleições e apurações sigilosas envolvendo irregularidades na utilização de emendas parlamentares.

A relação entre Dino e o grupo político de Flávio Bolsonaro já vinha sendo marcada por questionamentos apresentados pela defesa do candidato. No fim de setembro, os advogados de Flávio pediram ao STF a suspeição de Dino em processos relacionados às eleições de 2026, a Lula e ao próprio senador, argumentando que uma relação pessoal entre o ministro e o presidente poderia comprometer sua imparcialidade. O pedido, porém, representa a posição da defesa e não equivale a uma decisão judicial reconhecendo impedimento ou suspeição.

No caso de Moraes, a situação também envolve pedidos de impeachment que já foram protocolados anteriormente no Senado. Em setembro, a CNN informou que o ministro acumulava 55 pedidos, apresentados desde 2021 por diferentes autores, incluindo parlamentares, entidades e cidadãos. Uma representação apresentada em setembro de 2026, por exemplo, foi assinada por senadores e deputados e fundamentada no artigo 52 da Constituição e na Lei nº 1.079 de 1950.

Novo Congresso amplia disputa entre PL e STF

A nova composição do Congresso deverá ter papel importante nesse cenário, especialmente porque o PL ampliou sua bancada nas eleições de 2026. Na Câmara, o partido passou de 98 para 121 deputados, enquanto, no Senado, a legenda deverá assumir a maior bancada, com 28 parlamentares a partir de 2027. A composição ampliada aumenta a capacidade de articulação do partido, embora não garanta, por si só, votos suficientes para aprovar medidas que exigem maioria qualificada.

No Senado, levantamentos realizados após a eleição indicaram que pelo menos 49 parlamentares poderiam apoiar a abertura de processos contra ministros do STF, número próximo dos 54 votos necessários para um eventual afastamento. Ao mesmo tempo, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o tema exige equilíbrio e declarou que o país não poderia ser colocado em uma situação de agravamento institucional. A posição mostra que, dentro do próprio campo político que defende medidas contra ministros do Supremo, existem avaliações diferentes sobre a forma e o momento de conduzir a disputa.

Nesse contexto, a relação entre Legislativo e Judiciário deverá permanecer entre os principais assuntos políticos de 2027, especialmente se o PL mantiver a intenção de levar adiante os pedidos contra Moraes e eventualmente contra Dino. O próprio Caio Junqueira apontou que uma ofensiva dessa dimensão poderia produzir um ambiente institucional de forte tensão e dificultar negociações do governo com o Congresso, caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno. Portanto, o resultado da eleição presidencial e a atuação do novo Senado serão fatores determinantes para definir se os pedidos avançarão ou permanecerão como instrumentos de pressão política.

A disputa também deverá envolver outros setores do Congresso, já que os 54 votos necessários não dependem exclusivamente da bancada do PL. Partidos como União Brasil, PP, Republicanos, Novo, PSD e MDB terão parlamentares com posições próprias sobre o funcionamento do Supremo e sobre a abertura de processos contra ministros, tornando as negociações mais amplas. Dessa maneira, a discussão sobre o impeachment de Moraes e Dino deverá ultrapassar os limites do PL e entrar diretamente na agenda de articulação política do Senado em 2027.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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